Diz o
povo, que raramente erra nestas matérias, que a casamentos e batizados não se
vai sem ser convidado. Rita Matias, deputada e líder da Juventude Chega, quis
pôr a sabedoria popular à prova, e a Associação Académica de Coimbra serviu de
igreja.
Comece-se
pelo protocolo. Desde fevereiro que a Assembleia Magna, a casa dos associados,
vedou ao Chega a entrada no edifício. Ainda assim, a RUC convidou o partido
para o debate das juventudes, com Livre, JS, JSD e IL, só que por via remota. O
Chega recusou, por achar que o formato não garantia igualdade. Convite feito,
convite declinado: a convidada avisou que não ia.
Na
segunda-feira, às 9h30, foi. A deputada Rita Matias, a colega Madalena Cordeiro
e dezassete jovens do partido entraram no estúdio, pegaram num microfone, e a
emissão em direto parou. Disse depois a deputada que só queria “contribuir para
o debate”, expressão admirável de quem chega ao banquete sem convite, senta-se
à cabeceira e oferece-se para fazer o brinde. Saíram quando chegaram três
agentes da PSP, e a Académica acrescenta que ainda visitaram os gabinetes da
direção. Resta saber se os noivos já tinham feito a lista de presentes.
O gosto
vem de longe. Em março, na Faculdade de Letras de Lisboa, o diretor não a quis
receber, e a deputada forçou o encontro mostrando à PSP o cartão de deputado,
esse livre-trânsito que serve para o Parlamento e nunca serviu de convite a
casamentos alheios. A Comissão de Transparência da Assembleia concluiu que
houve utilização abusiva do cartão e recomendou-lhe que se retratasse junto da
faculdade. A boa educação, ao que parece, também se lê no regimento.
A queixa
fica à vista: dizem-se “canceláveis” e cancelados, mas ninguém cancelou quem
nunca bateu à porta. Para entrar, bastava tocar à campainha e esperar que lhe
abrissem, regra elementar da boa vizinhança, que nenhum cartão de
livre-trânsito dispensa.
A
Académica, essa, tem mais com que se ocupar: as propinas que o Governo quer
descongelar e um ensino superior que se quer universal, gratuito e de
qualidade. Convite, esse, ninguém lhe passou.

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