quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O quanto as direitas odeiam Galamba por ser aquilo que elas não conseguem sequer imitar!


Foi por Freud que tomámos consciência de detestarmos nos outros aquilo que, em nós, mais odiamos. E que gostaríamos de mudar.
Vem isto a propósito da campanha que as direitas andam a fazer em torno da nomeação de João Galamba como secretário de Estado da Energia, sob a argumentação dele nada saber do assunto. Mas será assim? Quem são eles para ajuizar se o ex-deputado sabe, ou não, dos assuntos, que irá tratar?
A razão da campanha é outra: basta atentar nas reações de ódio, que ele suscita nas redes sociais para compreender a raiva que o brilhantismo das suas intervenções no Parlamento ou nas televisões suscita. Nelas Galamba demonstra que as palavras podem ser assassinas na forma como desmonta as argumentações das direitas com dados concretos, colhidos de fontes irrepreensíveis como o INE ou outras entidades vocacionadas para irem traduzindo em números objetivos os efeitos das políticas implementadas pelos governos.
Assista-se a um debate entre Galamba e um qualquer troca-tintas das direitas e quase dá dó o achincalhamento a que este se sujeita, falho de considerandos, que contrariem os do interlocutor. A capacidade de analisar os dados quantitativos de cada vertente da realidade, sobre que se prenuncia, é tal, que as direitas sabem-se sempre vencidas por muito mais do que é um magnifico exercício de retórica.
Os méritos de Galamba não se ficam, porém, por aí. Recordemos que ele integrou o grupo de 15 economistas que prepararam o programa económico com que o Partido Socialista concorreu às legislativas de 2015 e serviu de base para as negociações com os parceiros, que viriam a integrar a maioria parlamentar desta legislatura.
Há, ademais, algo de risível na argumentação das direitas sobre os conhecimentos (ou a falta deles!) de Galamba em relação ao setor, que irá tutelar! É que, nessa matéria, as direitas seguem o provérbio de bom julgador por si se julgar, porque só podem ter presente a incompetência com que um péssimo administrador de empresas, como Passos Coelho era até 2011, presumir-se com capacidades para administrar as políticas do país. A História recolheu dele a réplica do sapateiro, que quis tocar rabecão. E, porque, não há festança, sem convocarmos a Dona Constança, a Cristas também não escapa deste exercício de maldizer: as direitas só podem temer que Galamba seja tão mau governante, quanto ela foi à frente do Ministério da Agricultura em que, não tivesse sido dele despejada, teria aumentado exponencialmente a disseminação dos eucaliptos por todo o território nacional. O problema é que, nem mesmo quando os seus governantes parecem saber muito da matéria, que supostamente tutelam, os resultados são melhores: que dizer de Cavaco Silva, que foi um péssimo primeiro-ministro, cuja incompetência só foi salva pelo facto de ter colhido os frutos dos rios de dinheiro então despejados pela CEE nos nossos cofres e que ele tratava de passar preferencialmente para os amigos, muitos dos quais congregados nessa entidade mafiosa, que se chamou BPN.
O que faz um bom governante não é se sabe muito ou pouco daquilo que tem a decidir. Importa sim se o faz em prol do país e da maioria dos cidadãos, ou se está lá apenas para favorecer os interesses do lobby que representa. Ora Galamba é insuspeito de pertencer a um qualquer grupo de interesses na área da Energia. E essa é condição para desempenhar o cargo com a excelência a que nos habitou enquanto tribuno parlamentar. Tal é o maior receio das direitas: quanto melhor ele governar, tanto pior para elas...

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