sábado, 18 de junho de 2011

O PRINCÍPIO DE PETER LEVADO Á PRÁTICA

Olha-se para a composição do novo Governo e a sensação imediata é a ausência de pesos pesados. Como se Pedro Passos Coelho e Paulo Portas não queiram arriscar em quem, pela sua indiscutível competência, os faça sentir menorizados na sua autoridade . Ou, porventura, por não haver disponibilidade nesses potenciais governantes para se comprometerem com quem tem feito muito pouco na vida e agora é confrontado com um desafio muito acima das suas reais capacidades.
Será curioso verificar o que um Nuno Crato irá conseguir na educação já que professores e estudantes pouca sensibilidade mostrarão por quem possui uns conceitos teóricos agradáveis de ler em páginas de jornal mas nada de concludente soube apresentar como alternativa exequível para contrariar o belíssimo trabalho realizado em seis anos por Maria de Lurdes Rodrigues ou Isabel Alçada.
Como igualmente será de estar atento à actuação de Francisco José Viegas, reduzido a papel decorativo numa secretaria da Cultura aonde terá de responder ao mundo das artes e das letras quanto à redução dos já escassos recursos com que contava ultimamente Gabriela Canavilhas.
Ou como Paula Teixeira da Cruz lidará com juízes, advogados e demais intervenientes do mundo da Justiça, quando, a bem do pretendido pela troika, tiver de os confrontar com a redução dos interesses corporativos . Não bastará a sua verbosidade excessiva para calar o imenso clamor, que contra si crescerá tão só pretenda alterar, mesmo que minimamente, este estado das coisas.
E que dizer das pastas entregues ao CDS e que têm constituído o seu abono de família eleitoral - agricultores e reformados? Como irão explicar a frustração das expectativas de multiplicarem subsídios e pensões , quando não há dinheiro para mais do que os socialistas lhes conseguiram atribuir em seis anos?
A prova de fogo será dura para esta nova geração chegada ao poder, mas sem capacidade nem determinação para prosseguir o trabalho reformista demonstrado pelos primeiros anos de governo de José Sócrates. Depois travado quando as corporações se encarregaram de encomendar á imprensa os ininterruptos assassínios de carácter de que ele foi alvo anos a fio e quando a crise financeira e económica internacional obrigou a pôr na gaveta os projectos mais promissores.
Depois de culpar o Governo anterior pela situação, que obrigou a recorrer á ajuda internacional, o próximo Executivo irá ele próprio provar o veneno que andou meses a fio a subestimar. Doravante restar-lhe-ão duas desculpas para explicar a crescente contestação, que contra si se erguerá a partir do final do Verão: essa crise externa, que não constituía desculpa para Sócrates, mas enfatizada subitamente como entrave à sua governação e a tal pesada herança, que Pedro Passos Coelho promete não invocar, mas que outros não deixarão de por ele lembrar tão exaustivamente quanto puder perdurar nos seus desiludidos eleitores.
O principio de Peter aplicado à prática é o que melhor define a composição do novo Governo: depressa nele aferiremos o patamar de incompetência dos seus titulares!
E a equívoca confiança a ele atribuída pelos eleitores n as recentes legislativas não tardará a ser desfeita. Com as perdas e danos, que se adivinham...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

JÁ LÁ VEM OUTRO CARREIRO

Ultrapassado definitivamente o ciclo Sócrates no Partido Socialista, justifica-se uma atenção participativa no debate que se segue, no qual se definirá quem será o novo secretário-geral: Francisco Assis ou António José Seguro.
No final de Julho já se saberá qual deles assumirá essa liderança, para a qual o país está particularmente vigilante já que são múltiplos os sinais de desconfiança quanto às reais capacidades da direita para levar a bom porto a condução do seu rumo.
Ontem isso foi tão evidente, que a iminente disputa no Partido Socialista mereceu mais destaque mediático do que as reuniões preparatórias para a formação do novo Governo.
É como se o eleitorado tivesse passado um cheque provisório a Passos Coelho na expectativa de possibilitar ao Partido Socialista a criação de uma alternativa mais credível.
Convenhamos que Passos Coelho voltou ao seu «melhor» depois de se aguentar sem grandes danos durante a campanha eleitoral: pretendendo alimentar o espaço mediático com algo, que iluda o incómodo vazio a ele respeitante decidiu vir com a ideia de uma tal Alta Autoridade para aferir o comportamento financeiro do país.
Como se já não sobrassem entidades para essa tarefa! 
A esse respeito faz lembrar o comportamento daquele tipo de associações em que,  à falta de acções efectivas para a resolução dos problemas colocados aos seus sócios, cria comissões para os estudar. Julgando assim estar a fazer alguma coisa!
Ouvidos sobre tal Alta Autoridade até os mais indefectíveis apoiantes de Passos Coelho se engasgaram sem saberem o que deveriam dizer em sua defesa.
O impasse financeiro em que a crise internacional mergulhou o país obriga a escolher lideranças determinadas e e com capacidade para agir. É um dirigente desse tipo, que o Partido Socialista irá eleger.
Quanto à direita consolida-se a ideia de não resistir mais do que dois anos aos efeitos da conjuntura, da pressão da troika e da movimentação social, que abrasará as ruas das nossas cidades. E, sobretudo à diferença de caracteres e de objectivos a longo prazo dos seus dois líderes.
Em 2013 surgirão provavelmente novas eleições legislativas. E o Partido Socialista não deverá, então, colocar outra fasquia, que não seja a de chegar à maioria absoluta. Já que não seja crível que o PC ou o BE mudem até lá de postura quanto à participação governativa, nem que algum dos partidos da direita possam salvar-se da fogueira, que atearam e em que irão agora queimar-se em lume brando.
Os tempos vindouros adivinha-se difíceis mas, parafraseando um verso de Zeca Afonso, já lá vem outro carreiro. Que este agora ainda agora aberto dirige-se para nenhures...

domingo, 5 de junho de 2011

É nas derrotas, que se lançam as sementes das vitórias que se seguem

Por esta altura estarão milhares de pessoas a agitar bandeiras laranjas nas ruas das nossas cidades. Por uma noite vivem a ilusão de uma vitória, que acreditam poder mudar-lhes as vidas, muito embora no caso da maioria delas só a desilusão as possuirá daqui a não muito tempo.
E pergunto-me se muitas delas não se interrogarão a esse respeito. Quiseram tanto afastar um homem em quem viram personificadas todos os defeitos, tal qual lhos repetiram os jornais e televisões durante anos a fio, que se esqueceram de pensar no que significam as políticas a implementar pelo novo Governo a ser em breve empossado por Cavaco Silva.
Quem andou nas ruas a gritar contra o fecho de maternidades e hospitais estará preparado para começar a pagar a saúde de acordo com o princípio do utilizador-pagador tão querido aos ultraliberais?
Quem insultou Sócrates por lhes tirar escolas ao virar da esquina, estará preparado para a difícil decisão de custear a educação, que deveria ser um bem acessível a todos?
De entre os que gritaram palavras de ordem em defesa dos seus interesses corporativistas, concentrando apoios contranatura de forças de direita e da esquerda comunista, estarão convencidos de que a troika continuará a garantir-lhos?
E os que não queriam portagens, julgarão livrarem-se delas daqui por diante?
O que escrevi aqui há já alguns dias mantém plena actualidade à luz dos resultados eleitorais, tais quais saíram desta noite eleitoral: em breve crescerão de norte a sul os movimentos sociais de contestação às políticas do Governo liderado por Passos Coelho. E Portas verá neles a possibilidade de corroer o parceiro de coligação sem se escaldar o bastante para perigar o seu desejo de vir a ser primeiro-ministro de Portugal.
E será nessa altura, com as finanças nacionais tão constrangidas quanto o estão actualmente as gregas, que o governo cairá. Ou seja, daqui a dois anos, quando o estafado argumento da pesada herança socialista já se mostrar demasiado gasto, nada salvará um Passos Coelho, que não tardará a dar mostras das limitações há muito demonstradas e próprias da forma frouxa como vê o mundo à sua volta.
É nessa altura, que o Partido Socialista deverá estar pronto para recuperar o seu lugar na condução dos destinos do País. Com uma liderança inteligente, que saiba aproveitar os erros dos adversários e, sobretudo, recupere para a memória dos eleitores o quanto se conseguiu nestes seis anos de governação. Porque, nessa altura, será tempo de lhe ser dada a oportunidade, que a direita (apesar da inteligência de Paulo Portas) não deixará agora de desperdiçar: uma maioria, um Governo e um Presidente. Até porque, agudizada a crise mundial do capitalismo, será a altura de a esquerda europeia demonstrar as soluções entretanto experimentadas pelos novos governos de esquerda de França, da Itália, da Alemanha e da Inglaterra.
Atrás de tempos, tempos vêm...

Nas derrotas estão as sementes das vitórias, que se seguem

Por esta altura estarão milhares de pessoas a agitar bandeiras laranjas nas ruas das nossas cidades. Por uma noite vivem a ilusão de uma vitória, que acreditam poder mudar-lhes as vidas, muito embora no caso da maioria delas só a desilusão as possuirá daqui a não muito tempo.
E pergunto-me se muitas delas não se interrogarão a esse respeito. Quiseram tanto afastar um homem em quem viram personificadas todos os defeitos, tal qual lhos repetiram os jornais e televisões durante anos a fio, que se esqueceram de pensar no que significam as políticas a implementar pelo novo Governo a ser em breve empossado por Cavaco Silva.
de de acordo com o princípio do utilizador-pagador tão querido aos ultraliberais?Quem andou nas ruas a gritar contra o fecho de maternidades e hospitais estará preparado para começar a pagar a saú
Quem insultou Sócrates por lhes tirar escolas ao virar da esquina, estará preparado para a difícil decisão de custear a educação, que deveria ser um bem acessível a todos?
De entre os que gritaram palavras de ordem em defesa dos seus interesses corporativistas, concentrando apoios contranatura de forças de direita e da esquerda comunista, estarão convencidos de que a troika continuará a garantir-lhos?
E os que não queriam portagens, julgarão livrarem-se delas daqui por diante?
O que escrevi aqui há já alguns dias mantém plena actualidade à luz dos resultados eleitorais, tais quais saíram desta noite eleitoral: em breve crescerão de norte a sul os movimentos sociais de contestação às políticas do Governo liderado por Passos Coelho. E Portas verá neles a possibilidade de corroer o parceiro de coligação sem se escaldar o bastante para perigar o seu desejo de vir a ser primeiro-ministro de Portugal.
E será nessa altura, com as finanças nacionais tão constrangidas quanto o estão actualmente as gregas, que o governo cairá. Ou seja, daqui a dois anos, quando o estafado argumento da pesada herança socialista já se mostrar demasiado gasto, nada salvará um Passos Coelho, que não tardará a dar mostras das limitações há muito demonstradas e próprias da forma frouxa como vê o mundo à sua volta.
É nessa altura, que o Partido Socialista deverá estar pronto para recuperar o seu lugar na condução dos destinos do País. Com uma liderança inteligente, que saiba aproveitar os erros dos adversários e, sobretudo, recupere para a memória dos eleitores o quanto se conseguiu nestes seis anos de governação. Porque, nessa altura, será tempo de lhe ser dada a oportunidade, que a direita (apesar da inteligência de Paulo Portas) não deixará agora de desperdiçar: uma maioria, um Governo e um Presidente. Até porque, agudizada a crise mundial do capitalismo, será a altura de a esquerda europeia demonstrar as soluções entretanto experimentadas pelos novos governos de esquerda de França, da Itália, da Alemanha e da Inglaterra.
Atrás de tempos, tempos vêm...

No comício de encerramento da campanha do Partido Socialista no Parque das Nações, António Costa já demarcou a linha intransponível, que os resultados de amanhã irão exigir: Pensaram que podiam cortar o PS às fatias, dizendo que uns eram bons e outros os maus. (…) No PS temos um lema, um por todos e todos por um.
Importa, pois, que depois de reconhecida a derrota eleitoral, o Partido dispense recriminações e intrigas, preparando-se para uma oposição cerrada à vitoriosa direita. Fazendo-lhe provar o veneno, que ela própria andou a destilar nestes anos de travessia pelo deserto do poder.
E como, ao contrário do PS, o PSD sempre tem vivido em clima de guerra interna permanente, é só uma questão de dar tempo ao tempo. Será da natureza da direita imitar o escorpião, que convencera o sapo a ajudá-lo a atravessar o rio para a outra margem. E, então, será a altura exacta para enfatizar o facto de ter existido uma determinação e uma estratégia bem definida para responder à crise.
Não terão sido as mais eficientes para estes tempos problemáticos, mas pior do que errar é não agir. Ora, os seis anos de governação socialista ainda deixaram tanto por fazer a nível da defesa do Estado Social!
Na véspera de uma derrota anunciada é a altura certa para começar a preparar as futuras vitórias...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Olhar para o dia seguinte!

As sondagens vão pressupondo uma vitória significativa da direita nas eleições do próximo domingo.
Será algo difícil de suportar, mas convenhamos que este aculturado povo está a precisar de viver um sério aperto por não ter valorizado devidamente um governo com obra feita ao longo de meia dúzia de anos.
Pelo contrário deixou-se levar pelos permanentes assassinatos de carácter perpetrados contra José Sócrates sem compreender que quem usa a difamação como estratégia é por não ter argumentos bastantes para demonstrar as suas razões.
Agora espera-nos um governo à deriva, que usará até à exaustão o argumento da «pesada herança», mas incapaz de compreender o quanto isso poderá valer-lhe no primeiro ano, já que no segundo nada lhe será perdoado. E Passos viverá o drama de ser um frouxo a contas com o maquiavelismo de um Portas decidido a mudar a correlação de forças na direita de forma a pretender alcandorar-se um dia à função de primeiro-ministro.
E, mesmo dentro do PSD, bem se sabe como ali se vive um ambiente irrespirável com facções dispostas a lutar pelos interesses de quem lhes paga enquanto «lobbistas» e outras decididas a conservar os que os contestam tão activamente, a começar pelas grandes corporações ligadas à justiça e à saúde. Sem esquecer as escolas, que se voltarão a incendiar à menor faísca.
Não vêm aí tempos fáceis para os portugueses, mas muito menos para o PSD de Passos Coelho, fadado para um fracasso semelhante ao de Durão Barroso, que saiu atempadamente do país antes que lhe começassem a cobrar as contas, que ele não saberia como pagar.
Daqui a um par de anos, quando Portas se sentir capaz de brigar pela vitória eleitoral, o Governo cairá. E o Partido Socialista deverá aproveitar esse momento para cobrar as ilusões desfeitas numa alternativa ultraliberal e prosseguir a obra reformadora por ora interrompida.
***
Um bom exemplo de como a direita pode ter muita prosápia verbal, mas não encontra qualquer solução miraculosa para uma crise - que o é do sistema capitalista no seu mais profundo fundamento - vive-se hoje em Inglaterra aonde se acentuam os sinais de um futuro devastador.  Escreve a esse respeito Paulo Querido no «Jornal de Negócios»: A redução de custos do governo britânico está a ir depressa demais - disse ontem, para surpresa geral, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico. Dera apoio total às políticas de Cameron, mas agora está preocupada com os efeitos: a economia britânica está parada e o desemprego permanece altíssimo. Mas o problema maior começa a ser esta desorientação global patente aos mais altos níveis.
***
A falta de soluções para os impasses políticos e económicos vividos pelas nossas sociedades é tão evidente, que vai aumentando o número dos que já vão assumindo o que não querem, muito embora desconheçam o caminho alternativo a seguir. Em tempos que já lá vão as diversas versões de comunismo poderiam servir como estandarte viável, mas Gorbatchev e Ieltsin encarregaram-se de pôr fim a essas ilusões.
Se até o director do Jornal de Negócios se inquieta com os movimentos contestatários nas praças centrais das cidades espanholas e agora chegadas ao Rossio, podemos prever em mudanças iminentes: Também a Europa se subleva, mas contra outra ditadura. A ditadura da «financeirização» das nossas vidas. Das dívidas. Dos impostos que as pagam. De um modo de fazer política que prospera na excepção e acomoda a corrupção. Da falta de oportunidades, de empregos. De um certo nojo do sistema, que os exclui.

domingo, 22 de maio de 2011

Um ditado anglo-saxónico

Há muito que defendo a necessidade de se remunerarem devidamente os políticos do nosso regime como forma de atrair a essa nobre actividade cívica os melhores de entre os melhores, em vez de contar com quem não encontra melhores condições de futuro na actividade privada. E, no entanto, continuo a receber mails de quem alinha nas campanhas demagógicas contra os políticos olhando para as respectivas folhas de ordenados em vez de se darem ao trabalho de conjecturarem porque é que eles não serão tão bons quanto parecem exigir.
Sem esquecer que esses paladinos da ética política são os primeiros a darem o exemplo da completa abstinência de acção ao nunca arriscarem a mínima militância num qualquer dos partidos com que se identifiquem.
Hoje em dia, técnicos respeitados que olhem para o caso de Teixeira dos Santos, que prescindiu de carreira muito mais confortável e melhor remunerada para cumprir um verdadeiro serviço cívico ao país e acabou enxovalhados por um coro de medíocres, olharão com crescente desconfiança para a possibilidade de virem a comprometerem-se com as tarefas da governação.
É por isso que, a quem é cúmplice dessas campanhas populistas, convirá recordar um elucidativo ditado anglo-saxónico: quando se paga com amendoins, o que se consegue é contratar macacos.
Será isso o que queremos para o nosso país?

Uma oportunidade perdida...

É claro que teria gostado muito mais de uma clara vitória de José Sócrates no debate de ontem com Passos Coelho.
Nas últimas semanas a aproximação do PS ao PSD nas sondagens vinha a verificar-se a tal ritmo, que bastaria um grão de asa como o seria um sucesso evidente nesta ocasião para a tendência se tornar ainda mais contundente.
Depois de se ter verificado o empate, que dá aos apoiantes de Passos a sensação de vitória, ainda estou longe de hipotecar a esperança numa vitória eleitoral, que evite a deriva ultraliberal prometida por esta direcção laranja. Mas, confesso ter ficado algo esmorecido na convicção com que andava a bradar aos quatro ventos a vitória garantida de José Sócrates.
E, no entanto, muito embora, o seu opositor tenha estado muito melhor do que até aí se tinha verificado nos demais debates, José Sócrates só se poderá culpar a si próprio, porque foi muito mais o animal feroz do que o calmo e sibilino arguente, que deveria te sido.
Um bom exemplo do comportamento, que deveria ter sido o seu, foi demonstrado pelo admirável Augusto Santos Silva no programa «Expresso da Meia-Noite» quando, com um domínio imperturbável da sua expressão, estraçalhou a argumentação oposta proveniente de Miguel Macedo e de Carlos Moedas.
Estivesse estado Sócrates a esse nível e a história das próximas eleições teria começado a ser ditada a seu favor a partir de agora,  Assim, terá de manter um enorme esforço de persuasão nestes quinze dias, que faltam para que muito do nosso futuro fique definido...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O PSD ofende quem se esforçou a certificar competências!

Será justa a crítica de Pedro Passos Coelho ao Programa das Novas Oportunidades através do qual tantos portugueses têm reencontrado o caminho da aquisição de novos conhecimentos?
Não o é, e como muito bem realçou o Partido Socialista, o que o PSD fez foi insultar milhares de portugueses, que viram nesse programa a possibilidade de ganharem auto-estima e sentirem capacidades para poderem ir mais longe.
Ao condenar um modelo, que o estudo da Universidade Católica, dirigido por Roberto Carneiro, elogiou, o PSD está, afinal, a confirmar a forma como vê a sociedade: existem as elites dotadas de todos os direitos e benefícios, e depois há que marginalizar a enorme massa de pessoas, que não puderam ou não quiseram estudar e se viram condenadas a percursos sociais bastante desfavorecidos.
O que o programa das Novas Oportunidades veio abrir foi a possibilidade destes últimos reagirem a um determinismo, que os cinge à mediocridade das possibilidades de realização pessoal e profissional, que se lhes abrem.
Quantos aproveitaram para certificar as suas indesmentíveis competências e decidiram, a seguir, partir para objectivos ainda mais ambiciosos?
Uma vez mais, Passos Coelho dá um tiro no pé. Porque é apanágio dos que ascendem socialmente adoptarem perspectivas políticas conservadoras. Ao estigmatizá-los, Passos está a perdê-los para o seu lado da trincheira.

domingo, 15 de maio de 2011

DEMAGOGIAS E BANHOS DE MULTIDÃO

A crónica de Miguel de Sousa Tavares desta semana volta a ser elucidativa em relação a muito do que se vai passando a nível político. Entre as suas considerações recorda que governos anteriores aos de Sócrates também contribuíram para o défice a que chegámos,  apontando para os casos concretos de dois acérrimos opositores do primeiro-ministro: Pina Moura, por exemplo, «ofereceu» aos contribuintes o Autódromo do Estoril. E Manuela Ferreira Leite inventou os 3% de défice criativo, vendendo a um banco e à consignação créditos fiscais do Estado, integrando como receita os fundos de pensões dos CTT de que se apropriou, vendendo ao desbarato à Brisa trinta anos de portagens da CREL, antecipando receitas do ano seguinte e protelando despesas, além de cultivar também a tão criticada desorçamentação (cuja proibição, agora, imposta por Bruxelas, serviu para o PSD acusar o Governo de ter deixado o défice de 2010 em 9,1 e não nos anunciados 6,8%).
Provavelmente, porque não se deixam enganar pela demagogia da oposição, o eleitorado reflecte nas sondagens um apoio progressivamente crescente ao Partido Socialista, como se confirmam nos banhos de multidão por que passou José Sócrates neste fim-de-semana em que viajou pelo norte do país.
O que deverá estar a enervar bastante os estrategas do PSD.

CONTRARIADOS, MAS CONSCIENTES...

Apesar de sermos obrigados a tolerá-lo, se não mesmo a sofrer-lhe as consequências, o programa da troika presidida pela Comissão Europeia merece uma veemente rejeição por parte dos portugueses. Porque, até ver, nunca a sua vontade de eleitores coincidiu com a cartilha neoliberal, que está subjacente a todas as medidas preconizadas.
Não admira assim, que José Sócrates tenha sido obrigado a enveredar pela solicitação do apoio financeiro em causa, enquanto a Oposição de direita não podia mostrar maior regozijo com esse súbito factor de inversão da ordem política criada com a Revolução de Abril.
Embora o capitalismo não esteja a apresentar melhores soluções do que as existentes anteriormente com o comunismo, os técnicos do FMI, do BCE e da Comissão Europeia vêem em toda a participação estatal na economia uma ingerência inaceitável e ordenam respeitar a regra do mercado absoluto e incontestado.
Por isso mesmo, se eles dizem mata, os ultra-liberais comandados por um imaturo Passos Coelho logo propõem ir naus além, acertando contas revanchistas com quem constituiu uma perigosa ameaça aos interesses de quem ele se propõe representar: a alta burguesia...
Que importa se algumas das actividades estatais têm um valor estratégico para a população no seu todo como o é a gestão dos recursos hídricos? Como contém potencialidades de lucro para os oligarcas, que deles se apoderarem, dá-se como desejável a marginalização do Estado, que deverá ser reduzido à mínima expressão.
E o mesmo com a actividade bancária: não é a CGD um negócio demasiado apetitoso para os particulares para persistir no domínio público? Privatize-se-a então, mesmo que fiquem potencialmente em risco a capacidade reguladora do Estado, essencial numa época de crise financeira como ainda é realidade.

A ESQUERDA À PROCURA DO SEU DISCURSO

Em boa verdade, pertenço àquele núcleo de simpatizantes da esquerda, que deseja a confirmação ideológica da falência do capitalismo, mas teme as consequências dessa demonstração.
Não tenho quaisquer dúvidas que se a fase actual de degenerescência do sistema já engendra dramas terríveis, traduzidos no desemprego, nas grandes migrações de fluxos humanos e no crescimento de uma xenofobia protagonizada por forças políticas de extrema-direita, a sua definitiva superação basear-se-á em revoluções violentas aonde os mais fracos tenderão a protagonizar involuntariamente o papel de vítimas indefesas. E, já entrando aceleradamente na terceira idade, essa será doravante uma das minhas incontornáveis realidades.
De qualquer forma, mesmo vendo esse comentário com tais cautelas, não posso deixar de achar bastante imaginativa a metáfora ontem emitida pelo Daniel Oliveira, quando comentava na SIC o debate entre José Sócrates e Paulo Portas: as soluções para a crise impostas pela troika do FMI/BCE/CE equivalerão ao tipo de situação, que se colocaria ao comandante de um avião em queda de altura e que, para aliviar o peso, deitaria fora os pára-quedas.
E, de facto, se a economia deveria ser gerida de acordo com a obrigatoriedade de gerar condições de felicidade (ou seja, de consumo) para a maioria das pessoas de uma sociedade, o que as receitas actuais do capital fazem é estreitar ao máximo o número dos que podem aceder aos bens essenciais, deixando os restantes submetidos a um quotidiano de privações e de frustrações, que os tornarão sensíveis aos discursos demagógicos dos populistas com que contam então os seus exploradores, para impedirem o crescimento dos focos de contestação.
O que mais deveria importar à esquerda nesta altura seria a forma de conseguir desviar essa atracção perversa dos desvalidos pelos populistas, que nada lhes dão, e os fizessem militar numa mudança positiva para a maioria deles...

Será que o PSD quer mesmo ganhar as eleições?

Eduardo Catroga, que se responsabilizou pelo programa económico do PSD, foi mandado para férias depois de uma semana de atitudes lamentáveis, que justificaram a crítica justa doutro Eduardo (Ferro Rodrigues):  Neste PSD sobram os ataques pessoais e falta clareza de ideias!
Para além do lamentável episódio dos pentelhos, Catroga revelou-se assaz inconveniente, quando estabeleceu para o primeiro-ministro e para o povo português, que nele tem votado, comparações inaceitáveis. Comenta Fernanda Câncio a tal respeito no «Diário de Notícias»: o indivíduo Catroga não se limitou à sordidez de comparar Sócratesa Hitler; insultou de igual modo a democracia e os portugueses, o que lhe deveria valer reacções indignadas de todos os quadrantes. Mas não: a menos de um mês das eleições, parece aceitável a todos os adversários do PS sugerir-se que a maioria que elegeu o governo em funções é uma cambada com simpatias nazis e que a democracia portuguesa é outra palhaçada.
Não admira assim o teor da notícia de hoje no mesmo jornal: Direcção do PSD respira de alívio por o coordenador do programa eleitoral do partido ter ido de férias.
E conclui Nuno Saraiva: Eduardo Catroga tem 69 anos e muitos cabelos brancos. (…) Mas isso, era o que faltava, não pode servir de caução para que diga todos os impropérios e produza os mais variados insultos que lhe vierem à cabeça só porque lhe apetece. Ou, como é moda dizer-se, porque é politicamente incorrecto e é um livre pensador.
De episódio em episódio o PSD vai descendo nas sondagens e vê cada vez mais afastada a possibilidade de voltar ao poder ao fim de tão ansiosa espera. É que o tal pote, que julgava cheio, está tão vazio, que tantos erros sucessivos dão que pensar: será que os seus estrategas eleitorais são só incompetentes ou receberam a incumbência de convencer os eleitores a votarem novamente em Sócrates enquanto as finanças não se reequilibrarem?
Questão que fica por responder...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

And the winner was... José Sócrates

De todos os debates previstos para estas legislativas, o confronto com Paulo Portas adivinhava-se que viesse a ser o mais difícil para José Sócrates. É que se há políticos hábeis na forma como criam sound bytes e manipulam factos, o líder do CDS-PP é um deles.
Afinal, a montanha pariu um rato: Sócrates derrubou completamente o discurso do adversário, primeiro pela sua postura (olhando-o olhos nos olhos e, no final, dirigindo-se directamente para as câmaras, quando se tratou de passar uma mensagem final para os espectadores), e depois por aquele momento emblemático em que mostra uma pasta completamente vazia a simbolizar o programa político do adversário. Esse vazio de propostas incomodou seriamente Paulo Portas, que não disfarçou o agastamento ao fugir continuamente ao olhar do antagonista.
O que ressaltou deste frente-a-frente foi o traquejo inigualável do primeiro-ministro face a quem continua sem conseguir explicar porque provocou a crise política ao rejeitar um PEC ulteriormente aceite face à troika.
E, paralelamente, todas as sondagens vão demonstrando o que já se adivinhava: á medida que se aproxima a data das eleições, o PS vai subindo e o PSD descendo.
O que torna muito provável a possibilidade de, depois de já ter conhecido seis presidentes laranjas, José Sócrates não esteja muito longe de ser apresentado ao seguinte!