terça-feira, 21 de outubro de 2014

Os extremos que não se tocam

1. Até pelo facto de ir aumentando o número de países dispostos a pôr em causa a livre circulação de pessoas prevista pela legislação comunitária torna-se urgente mudar as políticas nacionais de modo a interromper o fluxo contínuo de portugueses para o estrangeiro. De facto três dos principais destinos dos nossos compatriotas obrigados a ir além-fronteiras buscar solução para a sua sobrevivência - Reino Unido, Suíça e Alemanha - já andam a estudar as formas de travarem a entrada de cidadãos estrangeiros, mesmo de países já integrados na União Europeia.
Razão de peso para eleger um novo governo, que seja capaz de promover a qualificação dos seus cidadãos e criar-lhes condições para se realizarem profissionalmente no nosso país. Contribuindo para o tal crescimento de que estamos tão carecidos.
2. Em Espanha decorreu agora a Assembleia constitutiva do novo partido Podemos, que surgiu qual cometa na política espanhola para dar resposta ao movimento dos Indignados, afetando seriamente a votação do PSOE nas recentes europeias.
O curioso é constatar que a extrema-esquerda não consegue superar muitas das doenças infantis, que a têm impedido de ser influente. O sectarismo, que facilmente costumam dividi-la em frações capazes de se odiarem mais do que à direita teoricamente considerada como o seu inimigo de estimação, voltou a revelar-se no Palácio da Vistalegre, de Madrid, demonstrando aquela que se evidencia como uma regra basilar dessa área política.
Ainda assim o líder do Podemos, Pablo Iglésias, citou Karl Marx de forma muito pertinente: “o céu não se toma por consenso, mas por assalto”.
E, de facto, quem possui o capital utiliza meios tão violentos para combater os que se limitam a vender a força do seu trabalho, que a agudização da luta de classes a nível global dá relevância a tal receita. Afinal, não foi assim que chegámos ao 25 de abril?

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