domingo, 19 de outubro de 2014

A regra é a de sempre: sacar, sacar … e sacar!

Uma oportuna gripe possibilitou que a Opinião de José Sócrates fosse coparticipada pelo bem mais assertivo João Adelino Faria (JAF) do que pela habitualmente intrusiva Cristina Esteves. Dessa forma o antigo primeiro-ministro teve a oportunidade para melhor desenvolver o seu discurso estruturado em evitando os cortes abruptos causados pelo excessivo intervencionismo da apresentadora.
Ainda assim faltou tempo para que Sócrates desenvolvesse com maior profundidade aquela que trazia como uma das novidades «escondidas» do orçamento para 2015: a previsão de um valor de mais de 5 mil milhões de euros para empréstimo ao Fundo de Resolução da banca, que tem tido a suposta incumbência de apoiar o Novo Banco.
Para que não subsistissem dúvidas Sócrates até referenciou a página do documento em que essa verba aparece inscrita. Pena que não tivesse margem para comparar esse valor com os 700 milhões previsivelmente cortados na Educação.
Outro momento interessante da rubrica aconteceu quando JAF quis forçar o entrevistado a definir com quem António Costa se deveria coligar depois das próximas legislativas ou que propostas alternativas deverá apresentar para a atual (des)governação.
Serão essas as duas estratégias previsivelmente escolhidas pela direita para, nos próximos meses, causar na candidatura socialista o desgaste bastante para lhe impedir a maioria absoluta. Agitar o papão comunista, que marco antónio já começou a ensaiar com a conotação de António Costa com a extrema-esquerda e repetir milhentas vezes a inexistência de propostas alternativas a ver se faz caminho no eleitorado, a exemplo do que sempre tem sido assumido pelos comentadores próximos da coligação ainda no poder.
Que essas estratégias estão condenadas ao fracasso parece óbvio: já nas Primárias tinham sido exploradas até à náusea pelos apoiantes de António José Seguro com o resultado conhecido.
Igualmente foi colocada a questão das supostas virtudes da Fiscalidade Verde, tão entusiasticamente acarinhada pelos que já suam as estopinhas à conta do que a viragem política do país lhes poderá tolher enquanto objetivos de vida.
José Sócrates rejeitou liminarmente, que se trate de legislação bem intencionada para alcançar os nobres objetivos de combater a poluição. Porque se trata única e exclusivamente de um móbil economicista: sacar dinheiro onde for possível. Como haverá quem acredite na correlação entre o aumento dos combustíveis e a promoção dos transportes públicos, quando se adivinham aumentos significativos nestes últimos tão só o governo cumpra o objetivo de privatiza-los na totalidade. De uma ou de outra forma isto significa retirar ainda mais dinheiro dos esvaziados bolsos de quem vive nos subúrbios das grandes cidades e para elas se tem deslocar diariamente devido à localização dos respetivos empregos.
Autêntico logro será também o quociente familiar no IRS, que prevê uma redução de 100 milhões de euros aos contribuintes depois de os ter espoliado em mais de 3 mil milhões.
No Orçamento José Sócrates só viu duas novidades positivas: a devolução de parte do corte imposto aos funcionários públicos e o fim da Contribuição de Solidariedade nas pensões dos reformados e pensionistas. Mas tais “benesses” surgem a contragosto do pretendido por passos coelho e maria luís albuquerque já que mais não resultam do que de imposições do Tribunal Constitucional.
Em síntese: José Sócrates chumba o orçamento em (quase) todo o seu conteúdo.

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