domingo, 19 de outubro de 2014

A demagogia em torno das alterações climáticas

Passada quase uma semana sobre a mais recente inundação em Lisboa ainda há quem, nas redes sociais, explore a suposta ineficiência de António Costa em prevenir a fúria dos elementos!
Compreende-se! Perante o que as sondagens vão revelando, os que estão com o governo de passos coelho ou ainda alguns órfãos do segurismo agarram-se a tudo quanto podem para contrariarem o enorme capital de esperança, que nele vai sendo progressivamente investido.
Nesse aspeto, poderão contar com mais umas quantas benesses da meteorologia nos próximos meses porque, ao contrário do pugnado recentemente por um deputado comunista, as alterações climáticas estão mesmo aí para nos fustigar, não sendo propriamente uma mistificação do capitalismo para se autopreservar!
Dizem os cientistas que o aumento da temperatura dos oceanos, a sua subida de nível, a alteração do comportamento dos ventos e das correntes marinhas, entre outros efeitos, suscitarão doravante tempestades mais violentas e danos humanos e materiais mais avultados.
Se culpas há a atribuir ao capitalismo nesta matéria, devemo-las assinalar a respeito da inconsciência com que continua a possibilitar projetos de novas construções junto ao mar. Na Florida muitas das ilhas que, dantes, constituíam as primeiras barreiras de contenção aos ventos e às ondas gigantescas dos furacões estão agora cobertas de casas de luxo, de marinas e de hotéis, só porque as administrações locais só olharam para as receitas fiscais e os promotores imobiliários para os seus lucros potenciais.
Agora, perante a destruição sucessiva das praias após a passagem de cada furacão gastam-se fortunas em dragas para a transferência de areias dos fundos marinhos para a devastada beira-mar. Custos obviamente assumidos pelo Estado Federal já que quem embolsou ou continuará a auferir as receitas dessas erradas opções de ordenamento de território nada «julga» ter a ver com isso…
E que é tudo uma questão de ideologia vê-se no exemplo cubano. Apesar de diabolizado pela nossa imprensa, o regime de Fidel Castro tem algumas qualidades dignas de admiração e uma delas é decerto a qualidade dos seus serviços de proteção civil. Tudo porque o primeiro grande furacão a passar por Cuba logo após a Revolução - em 1963! - causou inúmeras vítimas e danos incalculáveis. Por isso mesmo o líder cubano ordenou a criação de um serviço de meteorologia capaz de evitar tais consequências.
Hoje a capacidade científica do regime de Havana chegou a tal dimensão que todos os verões vemos as ilhas caribenhas somarem muitas vítimas dos furacões com a honorável exceção da regida pelos Castro.
Ali perto, em Porto Rico, a capital, San Juan, é outro notável exemplo de resiliência à fúria dos elementos. Por uma razão ainda relevante: a existência de um recife coralífero a protege-la na sua frente para o mar. É ela que impede o avanço das alterosas ondas, replicando a solução outrora desempenhada pelas referidas ilhas da Flórida. O problema é que o aumento da temperatura das águas caribenhas e a poluição estão a matar esses imprescindíveis corais.
Sobre as consequências suscitadas pelas alterações climáticas - traduzidas em inundações, grandes temporais, destruição das praias, invernos secos ou verões chuvosos - impõe-se uma resposta global e a médio e longo prazo. Nada que se possa exigir de imediato a quem se prepara para ser empossado como o próximo primeiro-ministro do nosso país...

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