quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os bons negócios que alguns fizeram nos Correios e na Saúde

Não é bonito bater em mortos, mas também sabemos que toda a regra tem exceção. E, de facto, António Borges, foi-o de facto. Tão “excecional”, tão “excecional”, que muito do que de pior aconteceu aos portugueses nos últimos anos, teve a sua participação ativa enquanto consultor contratado pela Parpública para acompanhar os processos de privatização de que foi um dos principais ideólogos.
No seu livro «Os Facilitadores», Gustavo Sampaio traz-nos de novo à memória que, mediante o pagamento de 25 mil euros mensais, fora as despesas para viagens e outras documentadas por fatura, Borges e o seu sócio, Diogo Lucena, trataram de passar algumas das joias do setor empresarial do Estado para a mão de interesses com que tinham particulares afinidades.
Será coincidência que o governo se tenha esquecido de inserir no Portal Base, onde deveria listar todos os contratos públicos, o que firmou com Borges e Lucena, julgando assim fazê-lo passar despercebido?
Recorde-se que o economista falecido em Agosto de 2013, estivera na Goldman Sachs entre 2000 e 2008, antes de seguir para o FMI entre 2000 e 2001. E entre 2001 e 2010 fora administrador não executivo da Jerónimo Martins para onde voltou ao sair do FMI. Ora não só, pouco antes de morrer, Borges tratou da privatização dos CTT, na qual a Goldman comprou uma participação de 5%, como cuidou da venda dos ativos do grupo da CGD nas áreas da saúde (Grupo HPP) e dos seguros (Fidelidade, Multicare, Cares), que concorria diretamente com o novo negócio de clínicas médicas lançado entretanto pela Jerónimo Martins - a Walk’in Clinics.
Coincidências a mais ou toda a atividade de António Borges teve por objetivo privatizar o mais que pudesse e, se possível, para benefício dos seus amigos e conhecidos?
Mas vamos a outra curiosidade relacionada com os negócios da saúde: o sócio de António Borges, o já referido Diogo Lucena, saiu da Gulbenkian onde fora administrador entre 1999 e 2013, para presidir á agora muito mediática Espírito Santo Saúde que, segundo o Jornal de Negócios, recolhia 53,8% das suas receitas no Estado.
Quer a privatização do grupo HPP, depois crismado de Lusíadas Saúde, quer dos CTT, tiveram a participação da Abreu Advogados, que, no primeiro caso, interveio em representação de quem comprou (o grupo Amil) e, no segundo, em quem vendeu (o Estado). Foi durante o contestado processo de venda dos CTT que o comentador televisivo Marques Mendes - que, em texto anterior, já víramos ter sido recrutado por aquela sociedade de advogados - o elogiou, considerando-o fundamental para “ajudar Portugal a melhorar a sua imagem junto dos investidores internacionais”.
A história não se fica, porém, por aí: viremo-la e reviremo-la e não faltam coelhos a saírem da cartola. Assim, quem é que passos coelho nomeara para liderar os CT antes de iniciar esse processo de privatização? O presidente Francisco Lacerda viera da banca, nomeadamente do BCP onde fora um dos principais apoiantes de Paulo Teixeira Pinto no conselho de administração. Ora, tal como Marques Mendes, Paulo Teixeira Pinto também é consultor da Abreu Advogados!| E, para vice-presidente, foi buscar Manuel Castelo Branco que, desde 2007, pertence à Comissão Política do CDS-PP.
Temos, pois, evidências bastantes para suspeitar que o principal objetivo de passos coelho e de paulo portas no governo não terá sido o de governarem o melhor possível para benefício dos eleitores, mas para garantirem excelentes negócios a quem os promoveu como suas marionetas no principal centro de decisão política do país.

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