quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Um tempo perdido

O campo de refugiados de Kawergosk ainda existia há escassas semanas e já Pierre Schoeller estava a percorrer as suas ruas enlameadas batidas pelo vento. O realizador não estava ali para rodar um filme de ficção, mas um documentário - o seu primeiro - sobre o quotidiano dos refugiados curdos fugidos da Síria. O projeto passou por apostar na entrega da câmara a alguns dos refugiados, convidados a filmarem em bruto a forma como decorrem as suas noites e os seus dias. Desesperadamente iguais uns aos outros, sem neles se encontrarem indícios de uma qualquer improvável esperança.
Vemos homens, mulheres e crianças transformados involuntariamente em vagabundos da História. Nada de semelhante com os personagens, que Schoeller já criara para os seus filmes anteriores: «Versailles» (2008) e «L’Exercice du Pouvoir» (2011).
Neste «Tempo Perdido» reencontramos o carinho que o realizador pode demonstrar pelos seus personagens nas cenas quotidianas bem elucidativas quanto à dignidade com que os habitantes do campo de Kawergosk enfrentam o infortúnio. E é, uma vez mais, um apelo à indignação coletiva por prosseguirem conflitos armados, que inibem o direito universal das pessoas à felicidade…
Muito embora este e outros filmes sobre campos de refugiados sejam eloquentes quanto à excelência do trabalho de António Guterres para lhes minorar o sofrimento...

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