quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um debate definitivo


Está a ser confrangedor o nível dos comentadores políticos chamados pelas televisões nacionais para opinarem sobre os assuntos do dia-a-dia. Ontem, quando terminou o debate entre Hollande e Sarkozy, esperar-se-iam debates interessantes entre quem a ele assistiu, até como justificação pertinente da importância do acontecimento, que até mereceu transmissão em direto em, pelo menos, dois desses canais. Mas ninguém arriscou um veredicto óbvio!|
Quem vimos a emitir lugares comuns sobre um evento, que tanta mudança poderá suscitar na política europeia nos próximos meses? Vasco Graça Moura, Jaime Nogueira Pinto, Luís Amado e Teresa de Sousa.
E, no entanto, as conclusões são consensuais na imprensa internacional: na melhor das hipóteses, o ainda inquilino do Eliseu conseguiu um empate. Muito embora não seja essa a minha opinião traduzida em dois pormenores, que acabam por ser reveladores do resultado final desse debate: num deles, quase no fim do programa, e sentindo-se incapaz de infletir o rumo dos acontecimentos, Sarkozy fez sair sem qualquer motivo a carta Dominique Strauss Kahn. Puro disparo de lama a procurar manchar o adversário!
Resposta de uma inteligência fina de Hollande: a haver quem soubesse do comportamento equívoco do antigo diretor do FMI seriam os serviços secretos sob a alçada de Sarkozy! Porque o socialista seria incapaz de se interessar mesquinhamente pelo comportamento privado dos seus amigos…
O outro pormenor tem a ver com a sucessão de propostas, que Hollande enunciou começando sucessivas frases com «Eu, Presidente da República …».
Hoje já um tema tecno com essa frase era difundido de forma viral por todos os meios de comunicação francesa validando a vitória certa de Hollande no domingo… que só aqueles comentadores não quiseram ver...

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