terça-feira, 13 de outubro de 2026

A casamentos não se vai sem convite

 


Diz o povo, que raramente erra nestas matérias, que a casamentos e batizados não se vai sem ser convidado. Rita Matias, deputada e líder da Juventude Chega, quis pôr a sabedoria popular à prova, e a Associação Académica de Coimbra serviu de igreja.

Comece-se pelo protocolo. Desde fevereiro que a Assembleia Magna, a casa dos associados, vedou ao Chega a entrada no edifício. Ainda assim, a RUC convidou o partido para o debate das juventudes, com Livre, JS, JSD e IL, só que por via remota. O Chega recusou, por achar que o formato não garantia igualdade. Convite feito, convite declinado: a convidada avisou que não ia.

Na segunda-feira, às 9h30, foi. A deputada Rita Matias, a colega Madalena Cordeiro e dezassete jovens do partido entraram no estúdio, pegaram num microfone, e a emissão em direto parou. Disse depois a deputada que só queria “contribuir para o debate”, expressão admirável de quem chega ao banquete sem convite, senta-se à cabeceira e oferece-se para fazer o brinde. Saíram quando chegaram três agentes da PSP, e a Académica acrescenta que ainda visitaram os gabinetes da direção. Resta saber se os noivos já tinham feito a lista de presentes.

O gosto vem de longe. Em março, na Faculdade de Letras de Lisboa, o diretor não a quis receber, e a deputada forçou o encontro mostrando à PSP o cartão de deputado, esse livre-trânsito que serve para o Parlamento e nunca serviu de convite a casamentos alheios. A Comissão de Transparência da Assembleia concluiu que houve utilização abusiva do cartão e recomendou-lhe que se retratasse junto da faculdade. A boa educação, ao que parece, também se lê no regimento.

A queixa fica à vista: dizem-se “canceláveis” e cancelados, mas ninguém cancelou quem nunca bateu à porta. Para entrar, bastava tocar à campainha e esperar que lhe abrissem, regra elementar da boa vizinhança, que nenhum cartão de livre-trânsito dispensa.

A Académica, essa, tem mais com que se ocupar: as propinas que o Governo quer descongelar e um ensino superior que se quer universal, gratuito e de qualidade. Convite, esse, ninguém lhe passou.

1 comentário:

  1. Vai a Dona Rita e a camarada alentejana. Sabem elas que ninguém as quer por lá, mas não interessa. O que interessa é a peixeirada. Noutros tempos, tempos do tenebroso patriarcado que ningúem quer de volta, a Dona Rita e a camarada levavam uma valente comedia a toque de pau de marmeleiro. Mas isto é ilegal e não pode ser. Sugestão: uma delegação lgbti a recebê-las. Podem fazer maravilhas,;que mais não seja pela soltura de linguagem. Para peixeira peixeira e meia.

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