Há
arrogâncias aparecem disfarçadas de método, e a de Fernando Alexandre veste-se
com o rigor emprestado do INSEAD: o Phoenix Encounter Method, receita
pensada para reformar empresas, que ele aplica ao Ministério da Educação com a
confiança tranquila de quem acredita que destruir basta para que renasça, das
cinzas, algo necessariamente melhor. Falta-lhe, nessa confiança, a humildade de
perguntar se a metáfora resiste à travessia do privado para o público.
O vazio,
aliás, já tem inquilino com nome e fatura: a Deloitte, chamada de urgência para
resolver o caos nos exames nacionais que o próprio ministério ajudou a criar,
acumulou este ano quatro contratos com o Estado, no valor de 2,65 milhões de
euros, a que se soma um quinto ajuste direto que o ministério prefere manter em
segredo, sem data nem montante divulgados.
Não é
ineficiência pontual, é o desenho lógico do método: primeiro desmonta-se a
capacidade pública de organizar um exame, depois paga-se a uma consultora
privada para o fazer em nome do Estado, e no fim apresenta-se a fatura como
prova de modernização.
Estudantes
ficaram sem médias corretas, professores sem acesso às plataformas, provas
endereçadas às disciplinas erradas — o custo da experiência, sempre pago por
quem não tem lóbi nem contrato. A "destruição criativa" tem sempre
vítimas que a criatividade nunca chega a compensar.
Fica a
lição que Teodoro deixou, e que o ministro parece decidido a não ouvir: o
Estado pode reformar-se profundamente sem precisar de arder inteiro.
Fernando Alexandre optou pelo incêndio, e trata agora as queixas dos que ficaram queimados como resistência insignificante a um progresso que só ele, entre as cinzas, consegue vislumbrar.

Creio que exagera sobre o INSEAD. Não há cão nem gato gestor de empresa que não tenha passado por lá. Ao que li aquilo é mais um club de networking donde se sai com um cartão de visita.
ResponderEliminarSe quer que lhe diga o doutor de Harvard e de Cadiz do Chega tem de longe mais CV. Cadiz é o que é, uma universidade de província. Harvard já sabemos que foram duas cadeiras. Mas o homem parece ter mesmo um mestrado por Oxford e consta online da lista de docentes da London Business School. Espanta Tem mais ar de toureiro em dia de Campo Pequeno. Mas anda de facto pelo ensino superior britânico. E mais que o afamado Palma da IL, que não passa de Manchester.