sábado, 7 de agosto de 2021

Enquanto em França se ouvem vozes negacionistas

 

Por esta altura uns milhares de franceses manifestam-se nas ruas de diversas cidades francesas para contestarem o certificado digital comprovativo da vacinação. Sobretudo mobilizados pela extrema-direita, mas também pelo partido de Jean Luc Mélanchon (aquele com que o nosso Bloco de Esquerda se identifica), esses contestatários invocam os seus direitos a um tipo de liberdade que está muito para além do respeito da que aos outros diz respeito. E constitui o estertor anunciado do movimento dos coletes amarelos, que conheceu uma pífia réplica lusa sempre incapaz de chegar ao tipo de vandalismo conhecido além-Pirenéus.

Felizmente que não existem entre nós tantos negacionistas inspirados por teorias da conspiração fomentadas pelo QAnon. A Ciência é respeitada tendo passado à clandestinidade os que andaram a pôr em causa a importância das vacinas. O que não invalida a imprudência de Marcelo ou de Gouveia e Melo em quererem forçar a Direção Geral da Saúde a aprovar a sua aplicação a crianças entre os 12 e os 15 anos, quando nenhum estudo científico demonstra a superação dos benefícios nesse grupo etário em comparação com os riscos em causa.

Mas, mesmo que essa hipótese venha a ter respaldo científico não faz sentido que seja concretizada antes de toda a população adulta estar vacinada. E, mesmo no caso dos franceses e alemães, que se preparam para desrespeitar as orientação da Organização Mundial da Saúde, defensora da vacinação em massa de toda a população mundial, superando as desigualdades entre os países ricos do Norte  e os países pobres do Sul - única forma de evitar novas variantes, que venham a pôr em risco a eficácia das atuais vacinas! - existe uma irracionalidade só explicável por mera estratégia política dos dirigentes respetivos cujo futuro se torna incerto nas eleições do próximo ano.

Congratulemo-nos por estarem em extinção os nossos militantes antivacinas e o governo prosseguir a estratégia, que tem minimizado muito significativamente os contaminados pelo SARS-COV e aqueles que acabaram por a ele sucumbir. Do que a equipa liderada por António Costa não precisa é de um presidente armado em oráculo inconformado por não ser levado a sério e um vice-almirante deslumbrado pela notoriedade que o seu cargo lhe está a facultar.

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