segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Quando Angela Merkel diz o óbvio!

 

Não deixa de ser paradoxal que os mediatizados sucessos ucranianos em territórios anexados pela Rússia - e que poderiam indiciar uma efetiva vitória do comediante de Kiev! - coincidam com o comprometido silêncio do governo alemão a respeito da sabotagem dos gasodutos do Nord Stream no Mar do Norte,«. É que a autoria dessas explosões está a ser atribuída aos Estados Unidos por vozes absolutamente insuspeitas de simpatias putinistas. O texto de Albrecht Müller, hoje citado por Ricardo Cabral na sua crónica do «Público», indicia essa possível reorientação dos obscuros interesses, que têm atirado cada vez mais óleo para a fogueira ucraniana: “Estamos realmente cientes do que isso significaria? O nosso principal aliado, que a maioria dos alemães e da Alemanha oficial consideram um amigo na política e nos media, destruiu a infraestrutura de transporte da nossa fonte de energia mais importante e com isso uma importante base da atividade industrial no nosso país. E fez isso por transparente interesse próprio!”

Então talvez comecem a ouvir-se com outra seriedade quem desconfia de quem mais tem beneficiado com essa guerra: quer com a subida abrupta do dólar, quer com a angariação de cliente bom pagador para a sua indústria de armamento, quer enfim com o benefício de novos clientes para a sua produção de gás de xisto.

 Angela Merkel intuiu-o e, por isso, é dos que mais erguem a voz para uma nova arquitetura da segurança europeia, que inclua a Rússia com quem considera imperativa a negociação. 

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