domingo, 10 de dezembro de 2017

As práticas difamatórias da TVI

No raspar do tacho para ver se ainda dele se pode conseguir alguma coisa, que substitua a mais do que esgotada novela em torno dos incêndios ou do desaparecimento do material militar de Tancos, a TVI foi buscar um suposto envolvimento de Sonia Fertuzinhos com uma associação onde a gestão dos dinheiros é mais do que nebulosa. Muito embora a deputada socialista tenha julgado esclarecida o seu não envolvimento no caso, a «jornalista» da TVI Ana Leal - não esqueçamos que era uma das mais diletas colaboradoras de Manuela Moura Guedes! - explorou essa ligação enlameando a reputação da difamada. Na realidade a deputada terá aceite a deslocação para participar como convidada numa conferência cuja organização - como lhe cabia fazer! - terá pago todas as despesas à associação em causa que, ao contrário do afirmado na reportagem, não teve qualquer encargo com tal iniciativa. Não houve, pois, qualquer fundo de verdade na sugestão de haver políticos socialistas a passearem-se por esse mundo fora com despesas pagas a partir de um orçamento, que deveria servir para o apoio a doentes com doenças incomuns.
Para a estação cuja direção da informação continua confiada a Sérgio Figueiredo - também não esquecer que foi quem «despediu» acintosamente o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto santos Silva, quando ali produzia comentário político - todos os argumentos são bons para manter acesa a guerra contra o Partido Socialista. Razão para ainda dele podermos esperar pior se a TVI acabasse entregue à Altice e servisse de arma de arremesso contra um governo cujo líder já evidenciou no Parlamento o escasso apreço, que ela lhe merece…
Não deixa de ser curioso o afã com que as várias televisões exploram pistas mais do que ténues de situações que possam envolver a maioria parlamentar e insistam em esquecer casos bem mais consistentes como o são a Tecnoforma, o caso dos vistos que envolve Miguel Macedo e Marques Mendes ou as tentativas dilatórias  de Duarte Lima para adiar o mais possível o regresso à pildra!

A palavra aos leitores

O texto intitulado «Dois aspetos de uma entrevista em que Catarina Martins tem razão» mereceram comentários de alguns dos nossos habituais leitores dos quais destaco, para já, três.
Carlos Sobral confirma o progressivo distanciamento, que se vem notando nas suas posições a respeito do governo de António Costa, que desejaria mais ambicioso em medidas efetivamente socialistas. Pessoalmente não é por andar mais devagar, que ponho em causa a bondade da ação governativa, porque tenho presentes os muitos condicionalismos, que se lhe opõem. E, como engenheiro que sou, sei bem quanto o atrito representado pela oposição das direitas (nas várias vertentes, desde a de Belém á da comunicação social) e pelas circunstâncias (os fogos, a seca)  pode obstar à ligeireza do movimento. O primeiro-ministro afigura-se-me pois como aquele que busca, em cada momento, o melhor lubrificante para fazer com que as coisas avancem.
Aqui fica o texto desencantado do Carlos Sobral:
O PS não tem vontade política de alterar a legislação laboral, como não tem vontade política de acabar com o regabofe dos privados na Saúde, como não tem vontade política de renegociar a dívida. O PS não tem vontade política de fazer políticas verdadeiramente de Esquerda. Ainda pensei que com António Costa isso fosse possível, mas já vi que o PS não renega o seu ADN de partido de direita.
O José Manuel Pereira concorda com a generalidade do que o texto aborda, mas discorda da relativização aí feita sobre as novidades inerentes ao que Catarina Martins dissera na entrevista. Embora também lhe esteja implícita a mesma vontade do Carlos Sobral relativamente à lentidão com que as coisas vão mudando, adivinhamo-lo apesar de tudo identificado com a atual maioria parlamentar:
 De acordo com a generalidade, em desacordo com o "tal aspecto" do "nada de novo". Claro que, em se verificando que nos tais elementos "ditos repetitivos" nenhuma evolução se verificou, eles devem e tem que ser repetidos. Como diz o ditado popular "água mole...". O BE hoje como o PCP sempre, podem ser denegridos com o termo da "cassete", mas sei que qualquer deles adoraria "colocá-la" definitivamente na prateleira. Seria um sintoma de que teria perdido a actualidade, a urgência, a necessidade. Mas não. Os problemas existem, estão para durar, e oxalá a fita dure o tempo necessário, até que a "água fure". Podem caricaturar o BE de "esquerda caviar" de "socialistas radicais" ou de comunistas não alinhados". Isso não lhes tira o mérito de serem (salvo raras excepções (às vezes tontas)) de se constituírem na expressão do pensamento mais puro e reformista de que o país precisa. Francisco Louçã, Catarina Martins, e as irmãs Mortágua, tem provado ser muitas vezes as vozes e os gritos das consciências amordaçadas. Para eles o meu respeito e admiração.
A concluir fica a posição do Leopoldino Machado, que lista um conjunto significativo de concretizações operadas pelo governo para o considerar no bom caminho. Também é essa a minha opinião:
Questões pertinentes a ter em conta...não sei bem o ADN do bloco ou do PS no atual contexto...sei é que milhares de precários da função pública e autarquias vão passar aos quadros....foi reposto salários de cerca de 20% aos trabalhadores função publica. ...vão ser descongeladas carreiras profissionais com aumentos salariais efectivos para milhares trabalhadores....foram extintos impostos ou reduzidos...aumentados salários e pensões. ..pagos milhões de dinheiro emprestado para poupança juros...sinceramente depois das calamidades de incêndios... com orçamentos sem retificativos ...reversão de privatização de empresas nos transportes já aprovadas...metro...carris...TAP. ..saneamento financeiro da CGD ...problemas graves da banca resolvidos dentro dos condicionalismos impostos pela UE. ...não sei bem se será justo não dar o benefício da dúvida ao atual governo...educação foram tomadas medidas que acabaram com as medidas de nuno crato de entregar o sector aos privados com a cessação de contratos lesivos do interesse publico...e muito mais haveria por equacionar...com todo o respeito por opiniões contudentes para com medidas aprovadas por AC e o seu governo ...eu pessoalmente penso que as coisas estão num bom caminho...questão de pessoas para mim não é importante...políticas que mexem com bem estar do povo isso para mim é o mais importante.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Dois aspetos de uma entrevista em que Catarina Martins tem razão

Catarina Martins deu uma longa entrevista ao «Expresso» onde repete os argumentos já muito seu conhecidos, quase nenhuns sem novidades dignas de nota. Para o que verdadeiramente nos importa - garantir a continuidade da atual maioria parlamentar -  nada no seu conteúdo nos pode levar a crer na possibilidade de a pôr em causa, por muito que seja esse o desejo manifesto do deputado europeu Francisco Assis, sempre apostado em ver um termo ao que lhe tem contrariado todos os seus estafados preconceitos ideológicos. Pode desgostá-lo a ele, ao presidente da República, aos desconcertados patrões da Concertação Social e respetivas marionetas  nos partidos das direitas e na quase totalidade dos órgãos de comunicação social, mas não é crível que nada ponha em causa os acordos dos  socialistas com bloquistas e comunistas até ao próximo ato eleitoral de 2019.
A entrevista contém, porém, dois assuntos controversos em que será difícil retirar razão à líder do Bloco: a legislação laboral e a designação de Maria de Belém para a coordenação da revisão da Lei de Bases da Saúde.
A Lei Geral do Trabalho chegou a ser das mais evoluídas a nível europeu quanto ao reconhecimento dos direitos nela previstos para quem está empregado por conta de outrem, mas sucessivos governos do defunto arco da governação e a traição ativa da UGT transformaram-na numa caricatura em que se atribui aos patrões o posso, quero e mando, suscetível de todas as arbitrariedades.  Se de facto, os socialistas têm uma responsabilidade significativa nesse recuo civilizacional  os quatro anos de desgovernação entre 2011 e 2015 acentuaram em muito essa involução.
Torna-se, pois, imperiosa a reversão de muitas das alterações então impostas, se pretendermos ter relações mais equilibradas entre quem manda e quem obedece, mormente limitando a precariedade e a obstrução da ação sindical dentro das empresas. Agora que as esquerdas têm uma maioria clara no Parlamento é altura de a impor em tão importante revisão da legislação por muito que se adivinhe o papel dissuasor de um Marcelo apostado em fazer de Belém o centro nevrálgico da defesa dos interesses dos que com ele se identificam ideologicamente.
As reservas emitidas por Catarina Martins a respeito da escolha de Maria de Belém para coordenar a revisão da Lei de Bases da saúde também faz todo o sentido: como se pode pôr uma raposa a tomar conta do galinheiro? É que a referida senhora está umbilicalmente ligada aos interesses financeiros ligados ao negócio privado do setor e tudo fará para que ele não seja posto em causa pela consolidação do Serviço Nacional de Saúde. A exemplo do que sucedeu com a forma como tratou do dossier Infarmed, também nesta matéria o ministro Adalberto Campos Fernandes está a agir apenas com os pés. Ademais, como provecto militante socialista repugna-me ver premiada uma das maiores responsáveis pela forma bem mais facilitada como Marcelo se viu eleito para Belém.
A História nunca poderá demonstrar o que sucederia se, como tudo o indicava, seria o Prof. Sampaio da Nóvoa o candidato oficial do Partido Socialista, mas a provável segunda volta e um novo debate em que Marcelo voltaria a ser desmascarado na sua efetiva personalidade - como sucedeu no debate da primeira volta -  ter-nos-ia dado uma outra realidade, que não esta, marcada pelas ameaças subtis de quem se guindou ao cargo para sabotar a ação governativa da atual maioria...


Mau tempo no canal das direitas atoleimadas

No «Expresso» Pedro Santos Guerreiro, seu diretor, volta aos incêndios como tema do seu editorial. Compreende-se: numa altura em que as direitas nada têm de substantivo para pôr em causa o governo, sobretudo quando Mário Centeno ganha tão significativo relevo na política europeia e o próprio António Costa é reconhecido como um dos mais influentes líderes atuais, resta aos frustrados altifalantes de quem está na mó de baixo persistir na exploração das tragédias de Pedrógão Grande e de 15 de outubro. O contínuo abuso dos mortos nos incêndios será o que resta às direitas para parecerem ter algo com que possam fazer oposição ao governo. E sabem que, nesse sentido, Marcelo tudo fará para lhes ir propiciando os abraços e selfies oportunos para manterem o tema na agenda.
No entretanto vem-nos Ângela Silva contar no mesmo semanário como Marcelo descrê totalmente de Rui Rio ou de Santana Lopes como potenciais redentores do seu partido, já que as suas esperanças andam a depositar-se em Carlos Moedas para depois de 2019. Daí que o comissário europeu mereça duas páginas desse jornal e seja dado como um convicto opositor do austericídio, ele que desempenhou tão ativamente o papel de guardião de tal política durante os anos da troika.
A mesma jornalista também foi incumbida de nos revelar que Marcelo vai manter uma firme vigilância sobre o Ministério das Finanças, sobretudo para evitar que, na ausência de Centeno em Bruxelas, Mourinho Félix & Cª criem um Orçamento para o ano eleitoral de 2019, que facilite a vitória do Partido Socialista por maioria absoluta. Ora Marcelo sabe que, a tal acontecer, pode meter a viola no saco e zarpar, porque fica privado de cumprir o seu desígnio, aquele que Carlos Carvalhas tão bem enunciou ao notar que “para os pobres e os excluídos, o Presidente da República dá os selfies e os sorrisos e favorece a solidariedade e a caridade, para os grandes faz pressão para que continuem a ter os seus milhões intactos”.
Há, porém, a constatar que a vida não lhe anda a correr de feição: até o insuspeito Miguel Sousa Tavares o dá como incompreensivelmente derrotado com a eleição de Centeno questionando se “terá Marcelo medo ou ciúmes do prestígio internacional do Governo?”.
Quem parece indiferente ao assunto já é Pedro Passos Coelho, ao que parece ocupado a escrever um livro a autoelogiar-se sobre a sua (des)governação do país entre 2011 e 2015. Nesse sentido Cavaco deixou escola ao lançar a moda de impor lamentável condenação de umas quantas árvores para que os seus relatos autobiográficos acabem a ganhar pó nos armazéns de uma qualquer desgraçada editora incumbida de lhe prestar o favor ao ferido orgulho. Mas a falta de disponibilidade de Passos Coelho não parece ficar por aí: anda ativamente à procura de emprego e já terá ido oferecer-se à consultora Deloitte para ser seu consultor. Ao que parece o possível patrão já se desmarcou de tão infausta possibilidade.
Vale ainda a pena retirar da leitura do semanário de Balsemão a enésima confirmação de dirigentes do CDS andarem continuamente a lembrar aquela fábula do sapo, que queria inchar o bastante para pedirem meças a um touro em questões de tamanho. A propósito da humilhação imposta por António Costa a Cristas no último debate quinzenal, Telmo Correia veio ufanar-se de ser o CDS o adversário principal do governo. É caso para dizer que já a formiga tem catarro!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Da cabeça oca de Cristas ao merecido PIM a Marcelo

1. Segundo contam os que já conheceram o conteúdo da carta endereçada por Cristas aos portugueses, ela pede-lhes ideias e opiniões, que a ajudem a criar aquilo que manifestamente não tem: uma Visão minimamente coerente para o futuro do país. Não espanta que, no debate parlamentar desta semana, António Costa a tenha achincalhado com elegância, ditando-lhe a impossibilidade de ser tida ou achada para o que quer que seja, tendo em conta a sua conduta continuamente mal educada, quase sempre ofensiva para com os que assumem as responsabilidades governativas.
Irresponsável e incompetente como ministra, Cristas prossegue na rampa descendente da sua irrevogável nulidade.
2. É uma das mais elucidativas demonstrações do que significou o fervor privatizador das direitas entre 2011 e 2015: desde a data da sua entrega aos acionistas privados os CTT já perderam metade do seu valor em Bolsa. O serviço anda péssimo, o banco tem-se revelado um flop e os portugueses perderam um ativo, que não só lhes garantia significativos dividendos anuais, como veem afundar-se uma empresa cujos serviços nunca deveriam ter saído da esfera pública.
Como sempre sucede em muitas situações da vida, atirar abaixo uma empresa desta dimensão é muito fácil. Reerguê-la dificilmente poderá vir a tornar-se num projeto nacional tendo em conta os custos inerentes a tal recuperação.
3. Já se compreendeu que a decisão do PS em infletir na questão da taxa sobre a produção de eletricidade por energias renováveis ameaçaria os interesses nacionais de uma forma que os bloquistas decerto entendem, mas que fingem assim não ser por mero tacticismo eleitoralista.
Para que a conta da eletricidade baixasse um pouco poderia o país arriscar-se a ver afastarem-se investidores estrangeiros fazendo subir significativamente as taxas de juro? Um sinal desse tipo causaria danos significativos na globalidade dos interesses dos cidadãos, gerando riscos desnecessários.
A proposta do Bloco faria sentido numa sociedade ideal, mas naquela em que nos inserimos só um irresponsável trocaria alguns trocos imediatos por imprevisíveis prejuízos futuros.
4. Tenho amigos que me criticam por serem os raros os dias em que aqui me poupo ao exercício da má-língua relativamente a Marcelo Rebelo de Sousa: bem pode ele fazer isto ou aquilo em nome de todos os portugueses, que de mim ele não leva nenhum mandato para me representar no que quer que seja. Para além de nunca ter simpatizado com a criatura - que coloco nos antípodas do tipo de personalidade desejável para o cargo que infelizmente ocupa -, ele será sempre o culpado por o País ter perdido a oportunidade de ter por mais alto magistrado alguém da dimensão cívica e cultural de Sampaio da Nóvoa.
No entanto, a criatura vai-se denunciando dia-a-dia por quanto vai fazendo e agora soma mais outra atitude elucidativa sobre quem é: ao ter contratado para seu assessor o capanga Zeca Mendonça, que todos conhecemos das imagens televisivas de o vermos pontapear um jornalista, Marcelo mostra-se fiel aos seus amigos arranjando-lhes bons empregos. O Palácio de Belém está transformado em coio onde se abrigam chusmas de gente conotada com o PSD ou o CDS de acordo com a visão muito peculiar de Marcelo quanto à retórica mentirosa de assim melhor representar todos os portugueses. Neste caso em concreto cumpre-se o provérbio: diz-me quem nomeias, dir-te-ei quem és...
Se Almada Negreiros em tempos idos consagrou o Dantas com todos os desqualificativos de que o julgava merecedor, Marcelo merece igualmente um similar e vibrante PIM!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Há-de Marcelo ser quem não é? Um Democrata, entenda-se...

Sobre a eutanásia e o suicídio assistido a minha posição é muito clara: totalmente a favor. O que significa que, sendo o único dono do meu corpo, pretendo ter o direito de, assim a saúde - ou a falta dela! - a tal me obrigue, quero ter o direito de decidir sobre o momento de morrer, poupando-me a sofrimentos desnecessários. E que não me venham com a história da evolução dos cuidados paliativos, porque a questão não se prende apenas com o deixar de sentir dor, mas sobretudo com a impossibilidade de colher da vida quanto ela hedonisticamente me possa oferecer.
Posso admitir que terá sido exagerada a atitude contada por um colega meu de profissão, que perdeu um dos avôs debaixo de um comboio na linha de Sintra por ter perdido a capacidade de ereção e deixar, assim, de ter o prazer sexual a que se dera gratamente durante décadas, mas se o senhor via nisso o seu verdadeiro sentido da vida, quem somos nós para o condenar? Em tal situação teria sido preferível poupar-lhe a forma terrível e, decerto extremamente dolorosa, como morreu e ter-lhe facilitado a solução química adequada para dizer adeus sem grande dor.
Vem isto a propósito de mais uma marcelice: se havia quem tivesse esquecido o seu nefasto papel no adiamento por vários anos da aprovação da interrupção voluntária da gravidez a muitas mulheres, assim condenadas a, por vários anos, recorrerem às parteiras de vão de escada, pondo as suas vidas em perigo - infelizmente nem  ele, nem António Guterres foram intimados a responderem pelas mortes das mulheres que terão desaparecido em tais circunstâncias nesse hiato trágico! -  o selfieman já vai avisando que, qualquer dos previstos três diplomas a serem em breve apreciados no Parlamento sobre aquelas matérias não terão dele apenas uma apreciação jurídica. Por outras palavras, Marcelo prepara-se para voltar a demonstrar a sua essência preconceituosa contra a vontade de uma significativa percentagem de portugueses, que se estão borrifando para a forma como gente religiosamente motivada queira morrer, mas exigem que não se intrometam numa decisão, que lhes cabe a si por inteiro.
Temos, pois, mais uma demonstração dos motivos porque nunca deveríamos ter de aturar um filho de salazarista como presidente da República. Porque, como se canta num tema de Sérgio Godinho, há-de-alguém ser quem não é? Marcelo mostra que está longe de ser um democrata no que isso significa respeitar as opiniões alheias quando elas contradizem as suas sectárias convicções.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Uma eleição promissora

Agora que uns quantos - de Marcelo Rebelo de Sousa a Carlos Costa, de Marques Mendes a Passos Coelho, sem esquecer Teodora Cardoso -, já deverão estar a recuperar da crise de azia, que lhes terá suscitado a eleição de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo, e que muitos apreciadores da maioria parlamentar terão reagido com o entusiasmo, que terá faltado às direções políticas do Bloco de Esquerda e do PCP, é altura de olhar para aquilo que o ministro das Finanças português se compromete a cumprir no novo cargo: “Questionar, encontrar os erros, trazer mais abertura a estas discussões”.
Dificilmente, pois, encontrarão os paladinos da austeridade um terreno fértil para darem como inquestionáveis axiomas o que demonstrou ser um erro de palmatória, se não mesmo um crime indesculpável para quem lhe arcou com as consequências, sobretudo os povos grego, espanhol e português.
Revelando a sua experiência enquanto secretário de Estado, que terá vivido o período mais difícil de demonstração da bondade da alternativa proposta pelo novo governo contra essa miopia schaubliana, Fernando Rocha Andrade prevê o alcance da mudança na titularidade da coordenação dos ministros das Finanças da zona euro: «As decisões do Eurogrupo são enquadradas e condicionadas pelas posições da tecnocracia, que são verdadeiras opções políticas para a zona euro disfarçadas de verdades técnicas. À maioria dos políticos, mesmo ministros das Finanças, falta muitas vezes a capacidade de questionar essas opções. Mário Centeno, que tem a competência para as discutir, e aplicou com sucesso uma alternativa, está agora na posição de confrontar essa tecnocracia e de lhe perguntar, relativamente a cada uma dessas opções: “Porquê?” Isso é bom para Portugal — e é bom para a Europa.» (Público, 5/12/2017)
Daí que confie na mudança representada pelo facto de «de as reuniões do Eurogrupo passarem a ser dirigidas por alguém que aplicou com sucesso uma política que visa garantir não só finanças públicas sustentáveis, mas também um euro socialmente sustentável.»
Nos próximos meses Centeno poderá ser determinante para intervir positivamente no possível alívio da dívida grega, nos planos de reforma da zona euro e nas mudanças nas instituições e nas regras orçamentais europeias.
«O que nós agora ganhámos foi a possibilidade de trazermos [para o debate sobre a construção europeia] um conjunto de princípios que são do PS, estão no programa de governo, e em que nada prejudicam a condução da política do Governo», disse na conferência de imprensa subsequente à sua eleição.
Aquilo que Dijsselbloem, mais do que não saber só sabotou -  fazer do euro uma ferramenta essencial na convergência real das economias que partilham essa moeda - poderá vir a ser concretizado por Centeno, através da harmonização fiscal, impedindo que alguns países como a Irlanda, o Luxemburgo ou a Holanda prossigam com o dumping, que justifica a deslocalização de grandes empresas para os seus territórios. Assim como poderá ganhar expressão o financiamento europeu de parte dos subsídios de desemprego em caso de crise num determinado país.
Avanços decisivos nessa direção  suscitarão um novo élan no entusiasmo pela União Europeia. Algo, que se perdeu nas últimas décadas.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

E se, a exemplo da Al Qaeda, também o Daesh constitui uma invenção ocidental?

E se o discurso anti-Daesh dos Estados Unidos não fosse mais do que uma farsa destinada a escamotear uma estratégia, que foi criada durante os mandatos de Obama e tinha por objetivo acabar com um dos poucos regimes laicos ainda existentes no Médio Oriente? De facto não se compreende como os países da NATO têm diabolizado Bashar al-Assad e, ao mesmo tempo, se têm mostrado tão complacentes com regimes que, nessa mesma região, não lhe ficam atrás no recurso à violência para manter o poder. Pelo contrário são tratados com todas as mesuras pela Casa Branca e pelos principais vendedores de armamento na União Europeia, mormente a França e a Alemanha. Como poderia a Casa Branca denunciar os muitos crimes da ditadura saudita se ela se revela tão boa cliente do seu complexo industrial-militar?
As fundamentadas dúvidas sobre as estratégias norte-americanas na Síria e no Iraque tornam-se ainda mais elucidativas quanto se sabe ter sido sob proteção dos seus militares, que os dirigentes do Daesh e suas famílias saíram incólumes de Raqqa, quando a capital do califado foi tomada pelas forças curdas. Que justificação poderá haver para que criminosos de tal gabarito tenham conseguido escapar ao merecido julgamento por quanto terão ordenado, organizado e concretizado de forma a terem deixado um saldo macabro de milhares de vítimas? Até que ponto serão críveis as notícias de que alguns desses terroristas terão encontrado facilidades de regresso aos países de origem na Europa com o objetivo de ali organizarem atentados, possibilitando mais poeira para os olhos distribuída pela propaganda norte-americana, assim capaz de manter viva uma retórica antiterrorista, afinal por si mesma financiada? E que achar do enorme arsenal encontrado pelas forças sírias e seus aliados russos em zonas conquistadas ao Daesh, e constituídos por armas ainda por estrear de origem norte-americana e israelita.
Não precisamos de ler John Le Carré para saber que muitos dos acontecimentos na política internacional constituem aparências sem nexo com o que a clandestina realidade impõe como verdade dos factos. O Pentágono, a CIA e outras agências dos EUA têm sido especialistas em criarem contrainformação destinada a iludir milhões de crédulos quanto à justeza das suas atividades.
Cabe-nos recorrer ao método dos antigos sofistas e colocar as perguntas, que nos possam alertar para leituras alternativas às que nos querem impor como inatacáveis...

Ainda não se sentem, mas sinais de mudança sopram de além-Atlântico

No Libé o seu diretor, Laurent Joffrin, comenta o pacote legislativo agora aprovado pelo Senado e, em breve, pela Câmara dos Representantes, pelo qual Trump consegue enriquecer ainda mais os plutocratas norte-americanos, facilitando-lhes ademais o já maleável acesso aos paraísos fiscais, e corta nos programas de apoio aos mais pobres, condenados por isso mesmo a afundarem-se no seu desespero. Quão longe vão as promessas eleitorais de afrontar o Sistema e quem com ele beneficiava para criar novos empregos onde essa empobrecida classe média pudesse sentir-se prioritária numa América orgulhosa de si mesma.
Decididamente o populismo é o método mais eficaz para enganar o povo, conclui Joffrin.
A notícia coincide com um documentário sobre os contornos assumidos hoje em dia por aquele que foi qualificado como o sonho americano. Desde mães de família obrigadas a acumularem empregos ganhando assim o bastante para alimentarem a família e pagarem a estadia em motéis manhosos, operários despedidos porque as fábricas fecham a norte para reabrirem a sul, em Estados onde não existe o «incómodo» dos Sindicatos ou gente, outrora pertencente à quase extinta classe média a (sobre)viver em tendas dispostas em parques de estacionamento na periferia das cidades, tudo serve para mostrar realidades mais consonantes com o Terceiro Mundo do que com aquela que ainda vende de si a ideia de quase única superpotência.
E será que tal realidade é tão diferente da nossa? É-o porque subsistem mecanismos de contrapoder às grandes empresas, que as impedem de exercer o posso, quero e mando, como parece regra no outro lado do Atlântico. Mas convenhamos que a realidade quotidiana de milhares de precários não se afasta muito dessa.
Há, no entanto, outro comentário a fazer: quando vemos esse cenário de horror percebemos melhor o que Passos Coelho pretendia quando defendia a necessidade de tornar o país mais competitivo mediante o empobrecimento das classes médias e baixas. Ou porque Paulo Portas se entusiasmava tanto com a redução do número de funcionários públicos ou a privatização das empresas dos transportes por ver em tais medidas a forma de partir o resto da espinha, que resta ao movimento sindical.
Compreendemos também porque Bernie Sanders teve um sucesso tão estimável ao apresentar um programa socialista ao eleitorado: é que as condições sociais estão a agravar-se de forma tão obscena que, perdidas todas as ilusões com quem lhes prega o conformismo nas igrejas ou lhes vende banha-da-cobra em comícios republicanos e democratas, será tempo dos norte-americanos abrirem os olhos e ponderarem bem na matriz ideológica que o velho senador do Vermont lhes propôs como batedor de uma nova época por se afirmar...

Quando só os populistas prometem o pão inteiro a quem nem migalhas tem conseguido

A reunião dos socialistas europeus em Lisboa trouxe até nós gente muito estimável, mas não pareceu avançar significativamente numa questão essencial: como contornar os discursos populistas e conseguir que as populações mais desfavorecidas voltem a sentir-se seduzidas pelos discursos de esperança das esquerdas afastando-se decisivamente dos que nelas têm instigado o ódio contra os supostos culpados, sejam eles os refugiados, os muçulmanos, os negros, os judeus, os ciganos, os homossexuais ou quaisquer outros alvos da mesma estratégia fascista.
Há pouca ideologia hoje em dia nos discursos dos líderes socialistas e daí falhar-lhes uma Visão clara que tipo de futuro pretendem oferecer aos respetivos eleitorados. Por exemplo, Trump ganhou Estados decisivos por prometer empregos a quem os tinha perdido. Por isso a lógica ditaria, que os Democratas fizessem agora ativa campanha a demonstrar como essa eleição fora um embuste, porque não só Trump terá agora garantido que os muito ricos irão pagar menos impostos, como esses miríficos empregos não apareceram, nem voltarão a acontecer. Por isso mesmo o desafio para os Democratas - ainda demasiado atónitos para reagirem devidamente ao seu fracasso eleitoral! - seria a reaproximação a esses ex-operários brancos desiludidos e dar-lhes a conhecer um programa viável e concreto de como os poderá fazer sair da miséria em que caíram.
Se na Europa a situação de catástrofe não é tão óbvia como a vivida em certos condados do Ohio ou do Michigan, os socialistas europeus não podem limitar-se a pegar no exemplo português para demonstrar como uma governação concertada à esquerda pode garantir uma bem melhor gestão das finanças públicas sem porém colocar em causa muitos dos axiomas neoliberais em que a União assenta todo o seu funcionamento.
Se os resultados conseguidos pelo governo português são bons, o eleitorado já deu mostras, nalgumas das suas mais reivindicativas corporações em como nunca se satisfará com migalhas, querendo antes o pão inteiro. O que dará azo a greves e outras lutas sociais confrontando António Costa com um dilema fundamental: manter o rumo sensato seguido até aqui, mesmo à custa de muitas reportagens televisivas a darem a ideia de se viver num caos social, ou forçar os parceiros europeus a serem menos dogmáticos nos princípios, que os tratados definiram.
Nos próximos anos o sucesso das esquerdas lusas estará indissoluvelmente ligado aos das congéneres no continente: se estas souberem encontrar o discurso certo para se tornarem maioritárias talvez haja motivos para justificado otimismo. Se, pelo contrário, vigorarem cópias mais ou menos convincentes dos figurões da tristemente célebre »Terceira Via» só poderemos esperar o pior. Porque já não são apenas os bloquistas ou os comunistas a constatarem que o nosso potencial de crescimento está seriamente bloqueado pelos constrangimentos ditados pelos burocratas de Bruxelas...

domingo, 3 de dezembro de 2017

E o grupo Sonae a dar-lhe!

É sabido que o grupo SONAE tem uma dolorosa pedra no sapato contra José Sócrates a quem imputa uma das maiores responsabilidades por não ter conseguido levar por diante o controlo da Portugal Telecom. Muito embora o antigo primeiro-ministro negue essa influência negativa no negócio, Paulo Azevedo tem-se referido a ele de forma acintosa, tomado de certezas que nenhum documento conhecido até agora permite confirmar.
Vem isto a  propósito de o «Público» ter trazido este domingo para tema de primeira página a ligação de José Sócrates ao grupo Lena de quem seria uma espécie de embaixador oficioso, mesmo depois de ter terminado o mandato de governante. Vai-se ler a peça jornalística de Nuno Ribeiro e o que se constata? Nada mais do que a transcrição do longo texto da acusação do processo resultante da Operação Marquês sem nela operar o devido contraditório. Que até nem era difícil: se se pode dar algum elogio à equipa de Rosário Teixeira e de Paulo Silva é o de ter sido formada por gente que aqui manifesta uma vocação falhada, a de escritores. Andamos nós a importar literatura de cordel, mas extremamente apelativa - Dan Brown e seus sucedâneos! - e afinal temos entre nós gente com igual gabarito em imaginar enredos tão bem urdidos a partir de uma ponta aqui e outra acolá!
Os procuradores envolvidos no caso podem esbarrar no insucesso quanto à condenação ao réu, mas aconselhava-os a ambicionarem alcançar patamares de sucesso similares ao de John Grisham, que fez dos tribunais matéria excitante para os seus romances vendidos como pãezinhos. Porque quem se quer convencer da culpabilidade de Sócrates lé cada uma das linhas citadas por Nuno Ribeiro e só pode ir comentando para consigo mesmo «eu bem sabia!», «bem me parecia!» e outras interjeições do género. No entanto, aos que desconfiam das intenções premeditadas do Ministério Público e têm da política a noção de que fazê-la é também manter mecanismos de network, que possibilitem alavancagens de exportações graças à imprescindível diplomacia económica (tarefa a que Paulo Portas se entregou também sem o mesmo interesse dos subordinados de Joana Marques Vidal), a questão que se coloca é simplesmente esta: aonde é que, em tão vasto texto se encontra a evidência de que José Sócrates recebeu um euro sequer de quem se suspeita ter sido seu corruptor?
Se é só isto que o Ministério Público tem para mostrar, podemos seguir o ditado italiano em como se non è vero , è ben trovato, mas o busílis da questão é que, em tribunal não bastam as aparências. Têm de se confirmar o que nelas possa subsistir de concreto. Que até agora parece reduzir-se a uma mão cheia de nada... 

Atentados virtuais, ensaiados e concretizados

Três estórias colhidas na imprensa internacional dão-nos reflexos exemplares das inquietações atuais, sejam elas as que têm a ver com quanto se faz para ter direito a alguma notoriedade pública, as que dizem respeito ao medo enquistado de eventual atentado terrorista ou de como a lei de Murphy se continua a comprovar por muito bem preparado que esteja o putativo alvo de um atentado.

A primeira passou-se em Versalhes (França) e teve por protagonista um funcionário da Proteção Civil, que andou a colher crescente fama por se apresentar como um dos sobreviventes do atentado de 13 de novembro de 2015 no Bataclan.

Num relato vibrante ele foi acrescentando ponto a ponto ao seu conto e chegou ao pormenor mórbido de ter sido salvo por uma grávida, que havia interposto na linha de mira da arma, que lhe estava a ser dirigida. Puxando a lágrima de quem o ouvia, ele agradecia à referida vítima o ter-lhe salvo a vida.

Onde a porca torceu o rabo foi que, de entre o extenso rol de vítimas desse atentado, não figurava nenhuma grávida e analisados os dados do seu portátil o GPS dava-o como estando a trinta quilómetros do Bataclan na altura dos acontecimentos.

Resultado da tentativa de brilharete: viu-se convertido em réu de um processo judicial por tentativa de burla.

A segunda estória também ocorreu em França no comboio entre Paris e Troyes com quatro atores belgas a interpretarem um convincente ensaio da peça «Djihad» para os estupefactos companheiros de viagem. Ao chegarem à cidade de destino, onde iriam representar o espetáculo, depararam com a estação ferroviária evacuada e um impressionante dispositivo antiterrorista preparado para os capturar.

Levados para a esquadra, os atónitos belgas esclareceram ao que iam, mas a demora foi tanta, que o espetáculo previsto teve de ser cancelado. Compreenderam, porém , os perigos de suscitarem equívocos numa população, que continua à beira de um ataque de nervos, sempre na expectativa de quando rebentará a próxima bomba.

A última estória não tem final feliz, porque resultou na morte por envenenamento do irmão de Kim Jong-un no aeroporto internacional de Kuala Lumpur.

Soube-se agora que, homem prevenido, o assassinado carregava consigo o antídoto para o tipo de veneno, de que foi vítima. Ninguém o preparara, no entanto, para a rapidez com que o atentado foi executado não lhe dando tempo sequer para esboçar o recurso  ao almejado paliativo.

sábado, 2 de dezembro de 2017

É mesmo o que é: dor de corno!

Ontem o blogue O Jumento trazia um texto exemplar sobre os efeitos da provável eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo. E, de facto, desde o incómodo bem visível em Marcelo Rebelo de Sousa, de quem nunca poderemos esquecer o desplante de ter exigido ao ministro das Finanças, que lhe mostrasse os mails por si trocados com um efémero gestor bancário, até ao que decerto será o de Teodora Cardoso, que ainda na antevéspera o comparava a Salazar, sem esquecer o Costa do Banco de Portugal, cujo conhecido ódiozinhos de estimação (próprio dos invejosos e incompetentes) é bem conhecido, andará por aí muita gentinha a sentir-se tomada de raivinhas impotentes por nada poder obstar contra tão notório sucesso do atual governo. E, embora não perca um segundo com o anão de Fafe, quando faz a preleção dominical, conto que almas caridosas me deem conta do que ele dirá depois de ter andado a qualificar de anedota ou de mentira do 1 de abril tal possibilidade.
Para os portugueses talvez o novo cargo de Centeno pouco represente, embora seja indigno virem afirmá-lo à conta da experiência havida com Durão Barroso na Comissão Europeia. De facto, enquanto Centeno tem mostrado uma contínua devoção ao serviço público, sacrificando-se para lhe dar o melhor contributo, o ex-maoísta do PPD sempre teve o umbigo por horizonte e nunca desde os bancos do liceu (altura em que pessoalmente tive o desprazer de o ter por colega!) deixou de ser assim. Assim tenha meios para tal e Centeno poderá obstar à tentação fanaticamente austericida de muitos dos seus colegas naquela organização informal dos ministros das Finanças da zona euro.
Notícia foi também a morte de um dos nossos «holandeses»: Belmiro mereceu encómios com fartura e até o Presidente (de quem ele tanto mal dissera) foi prestar-se à selfie  com o cadáver (no sentido figurado, claro!). O melhor comentário ao ocorrido, li-o ao Miguel Araújo no twitter, que aventou a convicção segundo a qual, se tivesse morrido há quatro anos, Ricardo Salgado teria conseguido por certo as bandeiras a meia-haste.
Pessoalmente, e conferindo as posições tomadas no Parlamento, estou mais de acordo com a abstenção do Bloco do que com aprovação ou a rejeição do voto de pesar dos demais partidos.