Há
políticos que cabem num só lugar. Sebastião Bugalho recusa-se a esse
desperdício de espaço: está em Bruxelas e em Lisboa, é eurodeputado e porta-voz,
fala pelo Parlamento Europeu e pelo governo português, tantas vezes sem que
ninguém lho tenha pedido.
Nasceu em
1995, o que lhe dá a vantagem estatística de ter tempo para tudo e a
desvantagem moral de já querer tudo antes de tempo. Foi, ou tem sido, comentador,
cabeça de lista às europeias, eurodeputado, vice-presidente, porta-voz — uma
escalada tão vertical que dá vertigens a quem apenas assiste, quanto mais a
quem sobe.
O talento
maior não é a ambição, que é banal em política, mas a incapacidade de a
disfarçar. Outros escondem-na sob modéstia performativa; ele publica-a em
fotografias com legendas de duas estrelas, respondendo a quem lhe recorda não
haver protagonismos no partido. É uma ambição sem pejo, quase honesta na imprudência
— o que a torna, ironicamente, mais suportável do que a dos hipócritas do
costume.
O
problema é a distância entre o cargo e a voz. Fala de imigração como quem
decide políticas migratórias, intima antigos primeiros-ministros como quem tem
esse poder, comenta o Chega com a autoridade de quem o vai extinguir por
decreto — e é, na verdade, apenas o porta-voz de um partido, ele mesmo
dependente de outros para tudo o resto. Confunde amplificação com jurisdição, e
a confusão rende-lhe tanto aplausos como gargalhadas, por vezes na mesma frase.
Garante
ser "demasiado irrequieto" para esperar a vez, o que é a explicação para
o simples facto de ter pressa. Corre entre Bruxelas e Lisboa como quem julga
que a ubiquidade ainda não foi inventada apenas porque ninguém a tinha tentado
com suficiente convicção.
Há nele
qualquer coisa do jovem impaciente que quer ser tudo antes dos trinta e
descobre, entre uma sessão plenária e uma conferência de imprensa, não haver
tempo para ser mais do que a soma impaciente dos cargos.
Um dia,
talvez, pare — não por sabedoria, mas por esgotamento de títulos disponíveis no
PSD. Até lá, continuará a falar em nome de instituições que não o mandataram,
com o entusiasmo de quem acredita, sinceramente, que a ligeireza é uma forma de
competência.

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