sábado, 24 de janeiro de 2026

Este é o tempo dos cobardolas 1 - os valentões de Aveiras

 

Este é o tempo dos cobardolas. Dos que só são valentes em grupo, dos que só ameaçam quando têm poder, dos que recuam assim que encontram resistência. Vivemos rodeados de covardes travestidos de homens fortes, e está na altura de os nomear pelo que são.

Comecemos pelos "valentões" do grupo 1143, esses orgulhosos membros de uma milícia neonazi que preparavam-se para repetir a façanha de Aveiras. Recordemos os factos: em outubro entre vinte e trinta "orgulhosos lusitanos" juntaram-se para insultar e agredir um único cidadão emigrante. Um contra vinte. Ou trinta. Eis a medida exata da sua coragem. Ou a dos que filmaram as "proezas" na esquadra do Rato para as partilhar em grupos de WhatsApp com cerca de 70 pessoas, onde se congratulavam mutuamente.

Organizam-se em células, hierarquias, estruturas — toda essa parafernália paramilitar que caracteriza os movimentos fascistas desde sempre. A violência é sempre exercida em superioridade numérica esmagadora, contra alvos isolados e vulneráveis. É o padrão que se repete: na estação de serviço de Aveiras, nas manifestações do 25 de Abril, em todas as ocasiões documentadas pela investigação da Polícia Judiciária.

Mário Machado, o líder desta organização, comanda-os a partir da cadeia. Telefona, dá ordens, instiga crimes — tudo do conforto de uma cela onde está protegido das consequências diretas da violência que promove. Manda os outros para a rua enquanto se mantém a salvo. Os seguidores obedecem, demasiado limitados para perceberem que são fantoches manipulados por quem nem sequer tem a coragem de sujar as próprias mãos.

Entre os 37 detidos na operação da Polícia Judiciária — que só peca por tardia — estão um polícia e um militar. Dois homens que vestem fardas do Estado, que juraram defender a lei e os cidadãos, e afinal integram uma organização dedicada a perseguir e agredir os mais vulneráveis. Usam o poder que o Estado lhes deu não para proteger, mas para aterrorizar. E fazem-no sempre na certeza da impunidade, sempre contra quem não pode replicar, sempre escondidos no número.

Trinta anos depois do assassínio de Alcindo Monteiro, alguns dos envolvidos naquele crime continuam ativos na mesma lógica de violência racista. A operação da PJ documenta uma estrutura hierárquica estabelecida, com distribuição de funções, ligações a grupos internacionais, financiamento através de merchandising. Não são casos isolados nem explosões espontâneas de violência — é uma organização criminosa que opera sistematicamente há anos.

Merecem acabar atrás das grades. E não por vingança, mas porque é o único lugar onde esta lógica de violência em grupo contra indivíduos isolados finalmente se inverte.

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