Há uma
exasperação nova nas direitas extremas portuguesas. Não é a exasperação de quem
perdeu — é a de quem julgou que tinha ganho e descobre que isso não chegou para
o que pretendia.
Passos
Coelho “apresenta” livros. Dois em poucos dias, o que num país de leitores
escassos é uma cadência admirável para quem não tem currículo. Os ex-primeiros-ministros
sem agenda declarada têm gostam muito destes eventos — é a regra do género. A
questão é se a agenda é a sua ou a de quem o aplaude na primeira fila.
Cavaco
Silva publica nova homilia no Observador. Cavaco descobriu tardiamente o
jornalismo de opinião com a regularidade de quem tem muito a dizer e ninguém
obrigado a ouvi-lo desde que saiu de Belém. As homilias têm o tom
característico: a gravidade de quem foi chefe de Estado, a nostalgia de quem
recorda os seus governos como idade de ouro, e a irritação mal disfarçada de
quem vê o país a não seguir os seus conselhos. O Observador acolhe-as com a
deferência devida a um ex-presidente que pensa como a casa.
Ventura
tem pressa. Sempre teve, mas agora a pressa tem nome e calendário: quer rever a
Constituição enquanto a janela está aberta, porque sabe que vem aí outro
carreiro. Daí tratar a política como corrida de obstáculos onde o mais temido
não é a esquerda mas o tempo. A Constituição que quer rever é a mesma que em
abril de 1974 custou sangue e coragem a construir — ele trata-a como burocracia
inconveniente que lhe atrasa os planos.
O que une
este trio é a exasperação de quem quer mais do que o momento dá. Passos quer
influência sem responsabilidade. Cavaco quer reverência sem contraditório.
Ventura quer poder sem os limites que a democracia lhe impõe. São impaciências
diferentes com a mesma raiz: a convicção de que o país lhes deve mais do que
tem dado.
O país,
entretanto, vai pagando as contas, esperando nas urgências e perdendo voos em
aeroportos que ninguém quis modernizar a tempo. Está ocupado a sobreviver e tem
pouco tempo para as impaciências dos que se sabem em risco de perderem a
oportunidade.

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