quarta-feira, 14 de março de 2012

Let's change the world

Porque está a ser tão importante da exposição de tanta gente anónima nas redes sociais?
Gente desinteressante, que nada de excitante tem para contar aos outros, mas que vive na obsessão de se revelar em fotografias ou nas rotinas entediantes de cada dia? E que vegeta no grau zero do pensamento elaborado?
Para o sociólogo Francis Jauréguiberry o actual afastamento das utopias dá lugar a um presente a ser reconquistado pessoalmente. Nada se espera colectivamente do futuro, pelo que importa a realização pessoal no presente.
Será o dobre de finados pelas Utopias? Ou não estarão elas à espera de encontrarem o seu próprio caminho através dessas novas vias de comunicação?
Não estou tão certo de se justificar uma crítica negativa a toda a baralhada de informação inconsistente, que se produz na net.
Quem sabe se, de súbito uma ideia mobilizadora faz o seu caminho até aos mais aparentemente néscios e os ilumina com necessidades e reflexões para que nada os pareceria indiciar?
Para a filósofa Eléanore Dispersyn o hiperindividualismo degenerou, vendo-se tudo pelo filtro do “eu”, perdendo-se recuo, todos passando a ser especialistas porque se têm sentimentos. Todos se consideram legitimados a falar de tudo desde que passe por si mesmos.
A dúvida ganha um maior ênfase se pensarmos, que este hiperindividualismo tem a ver com esta financeirização da sociedade, que procura ostracizar os sentimentos e as emoções das pessoas.
Se pretendemos o regresso a uma organização social mais humana não deveremos, pois, cultivar essa subjectivação da realidade e a sua subordinação a pontos de vista, que neste momento só podem ser de insatisfação com a falta de empregos, de qualidade de vida decente, de capacidade de gerir por nós próprios a vida que nos resta? Não reside nessa insatisfação, que os facebooks, os blogues, os twitters tenderão a amplificar, a esperança de um ressurgimento do colectivo na exigência de uma outra forma de socialmente nos organizarmos?
É nesse sentido que disserta a etnóloga Emmanuelle Lallement que considera haver a tendência para denunciar o individualismo dessas pessoas que se manifestam na net, mas a sua ambição não é tanto a de se tornarem em alguém, mas a de pertencerem a um grupo, para participarem num acto social.
E esse acto social poderá assumir a dimensão de uma nova revolução emancipadora.

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