quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O crepúsculo de dois deuses menores


É uma chatice ver chegado o final de um mandato em funções a termo e saber-se à beira de procurar novo modo de vida.  No entanto, enquanto é possível, esbraceja-se, estica-se o corpo na ponta dos pés, faz-se os possíveis por arranjar quem interceda em seu favor.
Nos últimos dias esse tipo de situação repetiu-se com Francisco Assis e com António Filipe Pimentel.
O primeiro foi um notório opositor à opção do Partido Socialista em coligar-se com os partidos à esquerda, sendo-lhe conhecidas afirmações enfáticas em como seria lícito que, após as eleições de 2015, fosse Passos Coelho a liderar o governo com a abstenção ativa do que seria o principal partido da oposição.
Pode-se imaginar como teria involuído o país se a vontade de Assis tivesse sido satisfeita? Agora, estando em vias de perder as mordomias do precário cargo, desdobrou-se em entrevistas lançando a António Costa o insólito recado: ele que liderara a lista socialista nas europeias anteriores, predispunha-se a abdicar dessa primazia conquanto fosse considerado para lugar elegível.
António Costa fez orelhas moucas à cantilena a lembrar uma canção do Sérgio Godinho («Arranja-me um emprego!») e dispensou a oferta do camarada a quem não deixará de agradecer pelo «contributo» desenvolvido nos últimos anos.
Com o ainda diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, acontece algo de semelhante. Nos últimos anos ele tem participado ativamente na contestação à política ao governo socialista a quem exigiu aquilo que nunca obtivera, quando estivera em funções o anterior de quem era assumido simpatizante. Aliás, foi notória a sua passagem por um cenáculo do CDS, há um par de anos, em que exagerou nas críticas à tutela vindo logo penitenciar-se, quando compreendeu o risco de ver acelerado o processo de ser devolvido à procedência.
Agora, com a intenção do governo em lançar um concurso internacional para a indigitação de um novo diretor para a instituição, anunciou-se indisponível para continuar num cargo para o qual teria de se bater, de igual para  igual, com outros candidatos e multiplicando as críticas ao Ministério da Cultura. Lamentavelmente a RTP prestou-se a servir de altifalante ao iminente desempregado, dando-lhe o ensejo de dizer-se disposto a continuar se lhe satisfizessem todas as birras.
O caso lembra o da antecessora, Dalila Rodrigues, cuja substituição pelo governo Sócrates motivou críticas de Cavaco Silva e manifestações no jardim da Rua das Janelas Verdes. A exemplo do que sucederá a António Filipe Pimentel, a então diretora era elogiada pelo trabalho feito, que a tornariam imprescindível. O resultado viu-se: quase nove anos depois quem ainda se lembra que Dalila existiu?

Gente infeliz com lágrimas


Fórum de viúvas do passismo. Foi a fórmula assassina utilizada por Carlos César para classificar o encontro promovido pelo chamado Movimento Europa e Liberdade, que merecerá bem mais atenção dos media do que justificaria o valor dos seus participantes. Quase, ou senão mesmo todos, gente medíocre, que só a determinação arrivista possibilitou alguma notoriedade mediática. É sina do país ter de arcar com quem falha em engenho e arte, criando desnecessários entraves a quem efetivamente os possui.
Adivinhando o quanto as orelhas lhe ficarão a arder, Rio pôs-se de fora. António José Seguro e Francisco Assis foram convidados. e aceitaram aparecer mas, quando se deram conta do papel de idiotas úteis, que lhes estava reservado, puseram-se de fora. Marcelo gostaria muito de ir e chegou a ponderar o envio de mensagem simpática, mas compreendeu a inconveniência de se lhes colar numa altura em que o preocupa o segundo mandato. Por muito que execre as esquerdas, ainda não é para si o tempo de as enfrentar como lhe ditaria o instinto.
É claro que se adivinham os conteúdos dos discursos tão vazios de ideias concretas para o país, quão ocas andam aquelas cabeças incapazes de se reformatarem para algo de diferente das costumeiras fórmulas testadas e esgotadas. Nenhum dos convivas quer reconhecer que as mãos invisíveis evaporaram-se e os mercados se tornaram tão disfuncionais, que o caos espreita ao virar da esquina como o seu efémero herói - Macron - anda a constatar.
Alheados de tal premissa, os telejornais abundarão em extratos do que se dirá na Culturgest com destaque para quem aposta na quadratura do círculo: exigir mais investimento nas funções do Estado e, ao mesmo tempo, reduzir os impostos, eliminar as propinas ou satisfazer as indecorosas pretensões corporativas. Aquela gente infeliz com tantas lágrimas de crocodilo pelos que fizeram sofrer, e de cuja má sina fingem agora compaixão,  deve julgar que nos toma a todos por parvos...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Os corruptos incorruptíveis


Uma coisa esdrúxula chamada Transparência e Integridade, própria daquele tipo de gente que proclama as virtudes públicas e, quase sempre oculta, vícios privados, veio mostrar-se indignada pela reação negativa do governo ao relatório da OCDE, preparado pelo apastelado Álvaro Santos Pereira, em que denuncia Portugal como um país marcado pela corrupção e, como tal, inadequado para que capitais estrangeiros nele queiram investir.
É claro que para os apaniguados daquele candidato presidencial com cara de obstipado sacristão, que dá pelo nome de Paulo Morais, importa proclamar que a corrupção, exista em maior ou menor grau, por constituir pasto em que chafurdam em busca de alimento. Os pretensos incorruptíveis não ponderam que o gesto do autor do relatório é, ele próprio, um exemplo lapidar de corrupção, porque o que se poderá dizer de quem chegou ao seu cargo por habilidade arrivista e dele se serve para prosseguir a aplicação de uma agenda política, que já era a sua antes de integrar o governo anterior? Desonestidade intelectual é o mínimo, que se poderá dizer do relator em causa e dos seus putativos defensores locais.

Entre o indignarmo-nos e o calarmos a indignação


Não concordando com o essencial do conteúdo da crónica de Daniel Oliveira no «Expresso» de ontem em que acaba a dar o benefício da dúvida à estratégia do irmão luso do jagunço brasileiro contra o mau populismo, tenho de convir na sua razão, quando escreve: “Vivemos um tempo difícil em que lidamos com um paradoxo: quando mais nos indignamos com o indefensável mais ajudamos o indefensável.”
De facto, quando se trata de coisas inaceitáveis como o episódio ocorrido no programa do Goucha, justifica-se que nos questionemos se valerá a pena dar-lhe a importância verificada nas redes sociais, porquanto ter-se-á aqui verificado uma lógica da regra de não haver má publicidade, apenas publicidade. Ou como dizia um colaborador meu há uns bons anos: “não importa que digam bem ou que digam mal. O que importa é que de nós falem!”.
Os tempos atuais não se coadunam com o que nos dizia a experiência passada, que encontrava valimento em desprezar o que se revelava desprezível. É que as redes sociais tendem a favorecer o que é crapuloso em detrimento do ético, se não dermos particular enfoque a esta última dimensão.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Exageros aeronáuticos


Nunca deixarei de lembrar a guerra intensa que setores das direitas fizeram ao governo de José Sócrates a propósito da urgência em construir um novo aeroporto para servir a capital. Valeria a pena relembrar todas as enormidades ditas a esse respeito, desde a exequibilidade da atual estrutura aeroportuário servir a contento as necessidades durante mais umas décadas até se inventarem grandes negócios em perspetiva com terrenos na Ota numa demonstração plena de como as fake news não são apenas do tempo das redes sociais, porque o boato sempre foi arma da reação, seja por boca a boca, seja por pasquins da Cofina. Mas valeria a pena, sobretudo, que os jornalistas confrontassem algumas figuras gradas dessas direitas com as inflamadas declarações de há uma dezena de anos, solicitando-lhes comentário sobre o que pensam do que, então, disseram. Tratar-se-ia de um serviço público de mérito para quem se dispusesse a fazê-lo!
Que o aeroporto está a rebentar pelas costuras dizem-no diariamente os jornais, mas ainda sobram estarolas vestidos de ecologistas a quererem adiar o mais possível a (má) solução representada pelo Montijo a pretexto da insuficiência dos estudos de impacto ambiental. Por vontade desses iluminados por quantos anos mais teríamos de esperar por uma alternativa, que satisfizesse um crescimento de movimento de passageiros já dificilmente acomodável nas condições atuais?
Devo, no entanto, referir que o empolamento do que de negativo se está a passar em Lisboa não condiz com a minha recente experiência: voando para Amesterdão e de lá regressando, tenho de elogiar a rapidez com que embarquei, sem ter de descalçar sapatos, nem tirar o computador portátil da mochila, ou com que recebi as malas ao aqui chegar. Ao contrário do sucedido em Schiphol, em que uma e outra situação se revelaram bem mais morosas e complicadas. Vi novamente cumprida a regra hoje assumida pelos jornalistas: quando se trata de algo relacionado com o que possa atribuir-se ao governo impera o silêncio, quando se justificam os elogios e enfatizam-se as críticas se algo possa levá-los a disparar sobre a governação.
Depois admiram-se da perda de audiências ou de leitores nas (des)informações, que produzem! É que a realidade difere muito do maniqueísmo antigoverno, que grassa nos telejornais, nas rádios e nos jornais!

Quando o discurso das catacumbas é só mais do mesmo


Uma das estratégias dos que defendem a preservação do sistema económico de exploração do homem pelo homem é o de multiplicar associações, organizações e outras entidades que, tomando nomes diferentes, convergem no mesmo objetivo: condicionarem tanto quanto possível as políticas do país na direção que almejam. Surgem assim personagens aparentemente vindas das catacumbas, como a drª Teodora ou o sr. Ferraz da Costa com o mesmo discurso de sempre, apesar de contrariado sucessivamente pela evidência dos factos.
Agora o antigo patrão da CIP veio dizer que os portugueses trabalham pouco e a riqueza é escassa para haver quem teime na generalização das 35 horas de trabalho. Ora estatísticas oficiais demonstram que os portugueses, e os europeus meridionais em geral, trabalham bastante mais horas semanais do que os setentrionais, igualmente beneficiados nos dias de férias anuais que usufruem.
Não se duvida que os patrões das várias confederações gostariam de ver replicada o exemplo húngaro na legislação laboral, que significaria a obrigação dos subordinados em fazerem muitas horas extraordinárias sem que lhes fosse garantida a devida retribuição. Mas nem mesmo os iludidos em Viktor Orban andam a prestar-se à pretensão do seu «democrático» ditador como o comprovam as concorridas manifestações de protesto em Budapeste.
As Teodoras ou os Ferrazes vão tendo minutos de antena nas televisões, mas são vozes que clamam no deserto e se ouvirão cada vez mais ao longe. Porque a produtividade tem muito mais a ver com os meios tecnológicos que a sustentem ou com a qualidade dos gestores do que com horários tendencialmente menores. Pelo contrário a realidade futura pressupõe dar cumprimento à previsão de Keynes, que antevia a implementação de horários de quinze horas semanais no decurso deste século. Com tantos algoritmos e robôs inseridos nos processos produtivos, o trabalho remanescente para os humanos terá de ser bem melhor redistribuído.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

A falta de gravitas de um inveterado populista


Durante a campanha presidencial, que levaria Marcelo Rebelo de Sousa a ocupar o cargo de mais alto magistrado da nação, uma das previsões que fazia era a da sua evidente falta de gravitas correspondendo esta a uma conduta enobrecedora da função e não a da sua descaracterização como se fosse mais uma a acumular-se-lhe no currículo enquanto professor universitário, jornalista ou comentador televisivo. O presidente não deve ser um sujeito comum, que se faz passar por bonacheirão para manter elevados níveis de popularidade, porque, em situações de crise, mais não conseguirá fazer do que carpir lágrimas abraçado aos desgraçados, ou lançar culpas para ombros alheios, traço de personalidade que lhe é, aliás, bem costumeiro. Pior ainda não deve parecer estar com o governo em tudo quanto este efetivamente faz de positivo pelo país e pelos cidadãos - como se nisso tivesse tido qualquer intervenção! - e se apresse a criticá-lo viperinamente em todas as ocasiões difíceis em que a herança de negligências passadas vem recair sobre quem sobre elas pouca responsabilidade tem.
O candidato que apoiei - António Sampaio da Nóvoa - tinha essa capacidade de inspirar confiança na forma como analisava a realidade para além da grelha de trivialidades e da fértil intriga, que Marcelo sempre personificou, e como visionava o futuro do país muito para além do que lhe ditavam as aparências do presente.
Infelizmente o país ficou a perder com a escolha que fez e daí se explique, afinal, que tenhamos como presidente quem considera Jair Bolsonaro como um «irmão» ou quem diz interromper uma reunião importante para telefonar a uma apresentadora televisiva ao sabê-la estreante no canal para onde se mudou a troco de avultado prémio.
Falso crítico do populismo, Marcelo é-o diariamente, desde que se levanta até que se deita, e por isso não vê óbice em tomar essas atitudes e muitas outras, que se vêm acumulando em lamentável sucessão nestes quase três anos de mandato.

domingo, 6 de janeiro de 2019

O habitual «patriotismo» dos ases que as direitas arvoram em seus heróis


Há uma dúzia de anos a condição profissional de diretor de uma empresa da área de engenharia obrigava-me à leitura da, então, fértil imprensa económica. Entre diários e revistas em papel dedicava a quotidiana hora do almoço ao seu acompanhamento. Daí que tenha visto surgir no firmamento um brilhante cometa chamado Álvaro Santos Pereira, apostado em enviar bitaites sobre a realidade política nacional, apesar de viver acantonado do outro lado do Atlântico.
Sabe-se, porém, como são os nossos empresários e gestores, quando alguém se autoenaltece com currículo estabelecido em terras do tio Sam ou delas aparentado. Saloios que continuam a ser ,deixaram-se bafejar pelas banalidades do infalível guru, sobretudo quando, como era o caso, ele excedia-se em críticas ao governo socialista então em funções. Cada artigo do farsante era recebido com a devoção dos crentes perante as homilias enfáticas dos seus pregadores. E, quando saiu uma coletânea de tais artigos era um ver se te avias nas reuniões de diretores gerais com as administrações - sou disso testemunha! - com os mais arrivistas a dela se servirem para se porem em bicos de pés para quem os houvera nomeado ou, pelo menos, ainda os ia mantendo em funções.
O que se seguiu bastou para confirmar o quão fraudulento era o pseudoeducador do patronato luso: chegado ao governo da troika depressa se confirmou como um erro de casting, integrando a lista dos recicláveis à primeira ocasião. Ainda assim deixando-nos a pérola de redimir as finanças nacionais à custa da exportação dos pastéis-de-nata.
Mas asnos foram os que nele acreditaram, julgando-o eivado de espírito patriótico, porque o verdadeiro objetivo do embusteiro era cuidar da sua vidinha, faltando-lhe para tal a inserção de uma passagem pela vida governativa no curriculum. Tão só garantida concorreu a bem remunerado cargo numa organização (OCDE), cujo propósito é dar-se ares de estipular as escolhas das nações para que melhor se adequem aos interesses capitalistas. Ora, com a prosápia antes revelada, e o cargo ministerial num executivo tão do agrado de tais mentores, acedeu ao atrativo tacho.
Nesta altura ele serve de exemplo para uma lei que se vai definindo como axiomática: quando socialistas vão sendo nomeados para cargos internacionais (Guterres, Sampaio, Centeno ou Vitorino) têm por objetivo bater-se pelo bem coletivo a nível global, jamais fazendo o que possa prejudicar o seu próprio país. Pelo contrário, quando é gente de direita, que a tais patamares se promovem (Durão Barroso ou este Álvaro trapaceiro), só o não prejudicam se não puderem. De facto, lavrando relatório com o carimbo da sua organização o antigo guru do pastel-de-nata recomenda prudência a quem queira investir em Portugal por o dar como espaço de grande corrupção, prejudicando a imagem de um país cada vez mais respeitado internacionalmente.
Se cometa foi, este arrivista tarda em desaparecer nas profundas do universo com viagem só de ida, porque os danos por ele feitos ainda muito tardarão a ser retificados.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A reconquista dos espaços públicos libertando-os dos mentirosos prosélitos


Durante uns tempos vi-me assediado pelas trupes de evangélicos, testemunhas de jeová, mórmons e outros credos similares, todos dispostos a prodigalizar-me a sua «boa nova». Fechando-lhes rapidamente a porta na cara, ou dispondo-me a ouvi-los para os confrontar com a sua ignorância e contradições, julguei-me duradouramente a salvo da sua insistência, acreditando-me incluído numa clandestina lista negra de endereços a evitar.
Acontece que, nos últimos meses, tenho-os visto voltar à carga e torna-se inevitável relacionar o facto com a estratégia gizada pelas seitas evangélicas para influenciarem politicamente os cenários em muitos países, com particular expressão nos Estados Unidos e no Brasil, em que os seus pastores foram determinantes no voto dos menos esclarecidos nos mais recentes eleitorais. Vendendo um deus ultrarreacionário, pretendem regredir os valores civilizacionais em várias décadas.
No Brasil discutem-se, nesta altura, as razões da vitória do jagunço e perfilam-se duas de monta, imputáveis às esquerdas: não só fixaram-se excessivamente nas questões identitárias, também ditas de fraturantes, esquecendo-se de as interligar com a luta de classes, como abandonaram os espaços públicos, deixando-os entregues a cultos religiosos muito hábeis na alienação de novos prosélitos. Hoje os vencedores ufanam-se de, apesar das esquerdas intentarem a defesa dos negros e das mulheres, sem resultados práticos, eles mostraram serviço: de facto, entre os seus eleitos para o parlamento estão negros e mulheres, aparentemente nada incomodados com os discursos racistas e sexistas do seu líder. E, uns e outros, influenciados pelos valores dessas seitas, não enjeitam apoiar políticas que prejudicarão seriamente os interesses dos seus iguais.
Enquanto é tempo importa que as esquerdas lusas se atenham a esse exemplo e regressem às ruas para contactarem com os eleitores, ouvindo-lhes as aspirações, informando-os dos seus direitos e de que forma estão dispostos a por eles se baterem de forma exequível, denunciando as promessas mentirosas das direitas - tão pródigas quando na oposição, quanto avaras na governação! - e lembrando-lhes insistentemente que esta sociedade está dividida em classes de interesses divergentes, com a ampla maioria obrigada a ser bem mais dinâmica se não quer ver-se empobrecida em proveito da, cada vez mais exígua, minoria.
E importa denunciar ativamente a enorme mentira de um deus superior, que a todos vigia para puni-los ou recompensa-los no inexistente Além!

A incompatibilidade do capitalismo com este planeta azul


Há um par de semanas tive de me deslocar a Lisboa por duas vezes para sítio onde arrumar o carro costuma ser tarefa ciclópica. Recorri assim ao comboio entre a estação dos Foros da Amora e Entrecampos constatando em ambas ocasiões o mesmo facto: quando dantes era comum ver parte significativa dos passageiros a lerem livros ou jornais, encontrei-os agora focalizados nos ecrãs dos telemóveis.
Associando a essa observação a de quão longínquo vão os tempos em que o proletariado sentia uma urgente vontade em se informar e ganhar novos conhecimentos - o notável trabalho das Universidades Populares ou da Voz do Operário - começa a intuírem-se as razões para a normalização de um discurso fascista no nosso quotidiano. Porque quem trabalha por conta de outrem foi manipulado para se perder em mil e uma distrações e perder a vontade de melhor se instruir para compreender o funcionamento deste mundo, que tende a frustrar-lhe o direito à felicidade. O regresso de ideologias criminosas, que comprovaram ser fonte de infelicidade para a grande maioria dos que as padeceram, só se explica pela crescente ignorância dos que delas se fazem porta-vozes.
Nesse sentido o capitalismo tem sido muito hábil a impedir os que explora de lhe abreviarem o merecido desiderato. Começou por lhes prometer uma sociedade de bem estar, pervertendo o verdadeiro significado da social-democracia (onde até passaram a caber partidos assumidamente de direita!). Iludiu-os com uma sociedade de consumo em que até o mais miserável poderia converter-se em bem sucedido acionista das sempre florescentes bolsas de valores.
Quando as crises do petróleo ou a falência dos bancos deram sinal de existir uma riqueza finita em que os mais abonados operam para abocanhar bolo sempre maior, criaram novos meios de alienação, quer sob a forma de centenas de canais televisivos impossíveis de a todos acompanhar, ou com a promoção do futebol à condição de uma espécie de circo romano eivado de paixões irracionais. O que poderia ser utilizado positivamente em prol do bem coletivo - o audiovisual como escola permanente ou o desporto como instrumento ao serviço da saúde e do bem estar individual - foi prostituído ao serviço do anseio dos donos disto tudo para assim se eternizarem.
Neste milénio  essa mesma prostituição de ferramenta potencialmente benigna em maligna vem ocorrendo com a internet e as suas redes sociais. A possibilidade de uma maior rapidez na difusão de ideias progressistas e de se terem infinitas enciclopédias sempre à mão, foi substituída pela disseminação de fake news, de fofocas idiotas ou de ocos entretenimentos. O resultado é o da criação de conveniente desorientação dos imaginários coletivos. Mantem-se o desejo de encontrar a porta franqueadora da felicidade plena, mas o corredor tornou-se tão longo e as hipóteses de erro tão infinitas, que os confusos cidadãos acreditam nas mensagens mais sonoras, que os instam a abrir este ou aquele caminho. E, infelizmente, os tais donos disto tudo têm os recursos para fazerem sobressair as vozes dos que lhes servem de marionetas e sugerem soluções à medida da estratégia de as coisas continuarem a ser como são.
Mesmo quando algo parece transformar-se no sentido da História - e ele é o da maior justiça e igualdade, que o iluminismo setecentista canonizou! - tem havido a habilidade dos poderosos replicarem o intento do príncipe Salinas, favorecendo a aparência de algo mudar para que tudo fique na mesma.
O maior falhanço das esquerdas nas últimas décadas tem sido o de permitirem ao campo contrário o uso e abuso das ferramentas, que deveriam ser prioritariamente suas . Um audiovisual  que forme e informe em vez de embrutecer, um universo cibernético dominado pelas suas discussões e propostas em prol de um mundo melhor. E, em complemento, um consumo mais regrado dos recursos não sustentáveis, acelerando o advento de uma sociedade que faça do decrescimento económico e populacional a matriz para um planeta perenemente azul.

O sempre justificado regresso do Operário Letrado


Com frequência costumo chamar em minha ajuda o personagem do operário letrado, concebido por Bertolt Brecht, por o sabermos com silenciadas respostas óbvias para as perguntas feitas em alta voz, incitadoras de serem respondidas por quem as ouve.
Ao quarto dia deste ano de 2019 há três, que se justificam por traduzirem algumas das singularidades deste incerto tempo, ora a pender para um lado (o do jagunço brasileiro), ora para o outro (o da maioria democrata no Capitólio de Washington).
A primeira tem a ver com Marcelo Rebelo de Sousa: mesmo entre os seus mais indefetíveis apoiantes haverá alguém capaz de encontrar a mínima justificação para ter ido a Brasília avalizar a tomada de posse de um idiota preconceituoso, tão grotesco quanto o que ainda se vai aguentando na Casa Branca? O nosso suposto presidente não se envergonha por ter-se feito fotografar com tal cromo? Nem de o ter considerado merecedor de fraterno tratamento, como se, acaso traduzido no ambiente de uma família tradicional, esse dito «irmão» não tivesse sido já despachado para o manicómio, ou, no mínimo, trancado à chave num quarto dos fundos enquanto se receberiam as visitas?
A segunda pergunta tem a ver com o convite de Goucha a um confesso criminoso nazi para «abrilhantar» o seu programa com as mais soezes alarvidades salazarentas. Que mais será preciso para avançar com profunda merecida barrela nas televisões, que dão tempo de antena a quem não merece, porque nenhuma liberalidade deve ser concedida a quem é contra a Liberdade? Na guerra pelas audiências não há justificação que baste para se escolher a normalização do inaceitável.
A terceira pergunta tem a ver com a réplica lusa do ministro justiceiro do jagunço: sabe-se agora que Carlos Alexandre não viu qualquer conflito de interesses em ser juiz de um caso em que o advogado de um dos réus era o ex-procurador, que lhe emprestara os famosos 10 mil euros e ainda dele os não recebera. Será que o Conselho Superior da Magistratura continuará a meter a cabeça na areia a propósito de quem tão desajustado se mostra quanto à competência para exercer funções para as quais não demonstra as imprescindíveis características éticas? O herói das direitas tem demonstrado em sucessivas ocasiões a identificação com o provérbio, que tem São Tomás como referência: considera que os outros devem comportar-se como diz, mas sem olharem para o que, manhosamente, faz...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Quando se quer criar escândalo com uma justíssima opinião!


Entrevistada pelo «Público», Inês de Medeiros respondeu com solidez às perguntas sobre este ano de liderança autárquica em Almada, mas deu o flanco numa questão, que os jornalistas escolheram maliciosamente para título da peça, demonstrando a intenção premeditada de se agarrarem ao que mais impacto pudesse ter nos populistas das redes sociais, atentos aos falsos argumentos, que lhes justifiquem o seu ódio à Democracia. Por isso enfatizaram a opinião, mais do que justa, da conveniência de se darem aos ex-deputados o acesso ao subsídio de emprego.
Vamos lá racionalizar: se eu for contratado para uma empresa e, passados uns anos, ser dela excluído, quer por falência, quer por mera extinção do posto de trabalho, ninguém porá em causa, que me habilite ao apoio social previsto para o período entre empregos. No entanto parece haver aí grande alarido por se poder vir a respeitar o mesmo princípio, se a interrupção do vínculo contratual acontecer por eleição para a Assembleia da República, e concluído o mandato, o emprego em causa já não existir. Será justo que fique socialmente desprotegido quem se dispôs a cumprir um imperativo de cidadania? Só gente asquerosamente reacionária, que execra políticos por não confessado desejo de uma ditadura, pode sentir-se incomodado com o reparo de Inês de Medeiros.
Os que tanto falam em «transparência», e não disfarçam o sotaque provinciano de quem se inspira no biltre de Santa Comba!  -, deveriam antes preocupar-se com a possibilidade dos deputados em causa se inquietarem com o risco de saírem do parlamento sem meios de sobrevivência para os meses subsequentes de regresso ao anterior percurso profissional e se sintam tentados por lobistas, que lhes pretendam vender a sua agenda política.
A entrevistada tem toda a razão, quando sugere que os políticos se deem, efetivamente ao respeito, não colaborando com quem os pretende desqualificar. Porque a sociedade torna-se mais sã se os cidadãos sentirem pelos seus representantes políticos o devido apreço.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Quando se manda no Estado e se atiram as culpas para costas alheias


Uma das notícias de hoje foi a da morte de seis passageiros de um comboio dinamarquês atingidos por objeto desprendido de outro com que se cruzara na travessia de uma ponte.
Não se viu aparecer o rei em pontas de pés a sugerir a culpa do Estado como forma de, cobardemente, imputar manhosamente a culpa ao primeiro-ministro.
Sorte teve António Costa em que o caso não tenha ocorrido em Portugal, porque logo teria Marcelo, em tom condoído, a sacudir a água do capote - ele que é o Chefe do referido Estado - a endossar-lhe rival a responsabilidade pelo sucedido, esperando ver-se logo acompanhado pelo coro de Cristas e de Rio, que se lhe colam o mais possível por nada mais terem que replicar.
E ainda há quem não acredite na preocupação do selfieman em atacar o governo sempre que para tal encontra ocasião! Raramente com alguma razão, quase sempre manipulando a verdade para que a pareça ter.

Pela remoção do lixo nazi nos expositores das livrarias


Dias atrás um amigo queixava-se, que da visita a uma das maiores livrarias lisboetas, o chocara a profusão de livros nos expositores com suásticas na capa. Por essa altura, no «Diário de Notícias», João Céu e Silva rastreava como sendo seis os títulos recentemente publicados com essa «característica», um deles declaradamente pró-nazi, os outros cinco mais comedidos quanto à suposta benignidade dos seus personagens, quer fossem reais, quer fictícios.
Recordei, então, o incómodo também sentido há uns tempos atrás, quando, numa livraria do Forum Almada, deparei com o destaque conferido ao «Mein Kampf», quando acabado de editar. Na altura fiquei-me pelo despique com um dos empregados, que alegava a liberdade dos livreiros em colocarem à venda o que quisessem, muito embora tivesse ponderado o pedido do Livro de Reclamações por considerar o abjeto/objeto como ofensivo para com parte representativa dos potenciais clientes do estabelecimento. Não o fiz, mas penalizo-me pelo comodismo, porque é tempo de dinamizar um sentimento declaradamente antifascista no espaço público, devolvendo ao lixo aquilo que dele nunca deveria ter reemergido. Daí a relevância de número substantivo de consumidores assumirem uma postura ativa contra a atividade culturalmente terrorista, assumida por editores, distribuidores e livreiros, que fomentam a disseminação de viperinas conceções da vida em sociedade, como se elas se equivalessem, em legitimidade, com as defensoras do espírito das Luzes com as suas liberdades fundamentais consagradas na Declaração dos Direitos do Homem, essas sim dignas de enfáticas promoções.

Menos democracia, mais Democracia


Nos últimos anos ruíram diversos dogmas, que pareciam à prova de bala. Hoje já poucos arriscarão defender que a gestão privada dos vários setores de atividade é mais competente, menos corrupta e produz melhores resultados do que se eles estivessem na órbita estatal. A mistificação, que nos quiseram vender a respeito da suposta genialidade dos Bavas, dos Rendeiros ou dos Salgados só serviu para que, por imposição de Bruxelas, tudo se privatizasse, espoliando-se as finanças públicas dos lucros oriundos de tais empresas, impondo aos governos, que se dedicassem a gerir um Estado mínimo com os impostos passíveis de serem por si coletados. Os CTT são apenas um exemplo de referência para um tipo de empresa, que dava lucro e foi vergonhosamente entregue a interesses privados. É por isso que, quando as direitas exigem menos impostos, e, em contraponto execram sequer a possibilidade de reversão de muitas das nacionalizações do passado, só estão a pretender que as funções do Estado na educação, na saúde ou na segurança social, se convertam num negócio chorudo para os patrões que representam.
O facto de, em sucessivos atos eleitorais, a extrema-direita chegar ao poder através do exercício formal da aparente democracia em que temos vivido, justifica que se coloque uma de duas hipóteses: ou não é a menos má forma de organização das nações como defendia Churchill - porque nunca por ela os Hitlers, os Trumps ou os Balsonaros deveriam ter acedido à desgovernação dos seus povos - ou não pode ser apenas aferida como existindo pelo facto de estar instituído um conjunto reduzido de aparentes liberdades - a de expressão, a de imprensa, a de existirem múltiplos partidos, etc.
Sabendo-se que essas falaciosas liberdades apenas estão ao alcance de quem possui o capital - vide o controle da informação dos vários jornais, rádios  e televisões pelos interesses dos que são seus proprietários - podemos considerar que o sistema em que vivemos seja mais democrático do que nos execrados regimes do Leste Europeu da segunda metade do século transato, onde os cidadãos eram convidados a participarem ativamente nas organizações ditas comunistas? Alguém negará que, tendo em conta o número imenso de militantes nos partidos em causa, havia então mais participação dos cidadãos nas políticas dos seus países do que hoje sucede com os seus netos ou bisnetos? E alguém se atreverá a considerar que a Hungria ou a Polónia de hoje são mais democráticas do que quando nelas mandavam os partidos ditos comunistas?
Se a Democracia é o poder do povo, para o povo e pelo povo, não se pode restringir ao gesto—, fútil como agora se constatou nos EUA, no Brasil ou na Andaluzia! -, de uma maioria manipulada de eleitores de quatro em quatro anos. A Democracia tem de ser muito mais do que isso, envolvendo uma participação cívica com sentido crítico e escrutinador dos atos de quem recebe mandato para assegurar a gestão dos interesses coletivos. Ora, nas décadas mais recentes, através da ilusão consumista assente nas modas ou da transformação de instrumentos mediáticos com vocação formativa em instrumentos de manipulação deformadora das mentes, os cidadãos foram impelidos para a abulia ou para se converterem em mentecaptos prontos a iludirem-se com coisas tão inócuas como selfies ou abraços.
Chegamos a uma fase crítica da História em que o desafio coloca-se entre esta falaciosa democracia, que nos querem vender como desejável, e a Democracia com maiúscula, onde cada um sinta o dever de participar ativamente nas dinâmicas coletivas devidamente estruturadas nas organizações para tal vocacionadas, sejam elas os partidos políticos, os sindicatos ou as associações de todo o tipo, que trabalhem em prol do bem público.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Uma exploração espacial que não chega a tempo de salvar o capitalismo


Na segunda temporada da série «Marte», produzida pela National Geographic, a viúva de Carl Sagan dizia muito claramente isto: enquanto não soubermos viver pacifica e sustentavelmente no nosso planeta, não temos qualquer legitimidade para irmos explorar qualquer outro. Porque só o iríamos estragar em vez de o sabermos apreciar e estudar de forma a melhor nele se encontrarem formas equilibradas de garantir a colonização. Por muitas décadas ainda se viverá segundo a premissa fundamental de termos de cuidar desta azulada casa comum, por não existir outra para que nos possamos mudar.
O que a série norte-americana demonstra é a obscenidade sem escrúpulos do capitalismo selvagem, que age em função do rápido retorno do investimento dos acionistas, assegurando-lhes lucros maximizados. Por isso são admissíveis todos os golpes baixos e justificam-se os riscos mais insensatos. Até que se constatam consequências trágicas para quem apostou em tal estratégia.
No fundo o mesmo que se passa com a indústria petrolífera dos nossos dias, que olha gulosamente para as reservas de hidrocarbonetos nos fundos marinhos do Ártico e anseia por que se tornem mais facilmente exploráveis à medida que o aquecimento global vá amenizando as condições meteorológicas da região. Já não falando nos ursos polares ou nos narvais, que têm extinção cada vez mais iminente, esses responsáveis pela emissão acelerada de carbono para a atmosfera almejam os lucros dos anos mais próximos, mesmo que eles signifiquem a sua impossibilidade num futuro subsequente, caracterizado pelo cataclismo planetário por razões ambientais. Quando quase ninguém sobreviver num planeta infecto, as empresas que o terão destruído acabarão inevitavelmente falidas.
Mas o que o pato bravo da Casa Branca ou o jagunço do Planalto representam hoje em dia é essa forma de capitalismo selvagem em riscos de rutura a curto prazo, porque, esgotada a capacidade de manter crescimentos económicos com a globalização, só lhe restaria a alternativa de prosseguirem noutro planeta a rapina dos recursos minerais, que neste começam a escassear. Ora a possibilidade de abrir as primeiras prospeções mineiras em Marte não se adivinham possíveis senão daqui a uns trinta anos, quando este estado comatoso do sistema económico, substituto do feudalismo medieval, já tiver sido suplantado por algo de novo, que - é esse o meu desejo! - corresponda a um desenvolvimento atualizado do ideário marxista.
A expansão espacial não ocorrerá a tempo de salvar os conglomerados económicos dos plutocratas por muito que os patrões da Tesla ou da Virgin se mostrem tão empenhados em consegui-lo. Não tarda que a humanidade compreenda que a sua sobrevivência passe por substituir a obsessão com o crescimento da economia pelo seu fundamental decrescimento controlado.

O lobo que nunca existiu e o sapo que não chegou a vitelo


Quando se trata de política em Portugal é inevitável encontrar nas fábulas infantis, e nos provérbios populares, recursos oportunos para caracterizar os atos e as palavras dos que lideram as direitas. Passos Coelho protagonizou a sua própria versão de «Pedro e o lobo», apenas mudando de mau da fita: em vez do mamífero canídeo invocou tantas vezes a iminente chegada do Diabo, que depressa nele desacreditaram os crédulos dispostos a darem-lhe efémero benefício da dúvida.
Agora, à distância, fico a saber que, a pretexto das mensagens de Natal, normalmente emitidas pelos titulares dos principais órgãos de soberania, também outro Pedro, decidiu criar a sua em filme com oito minutos de duração, que tomava como imaginário interlocutor o primeiro-ministro.
Não sei quem teve a pachorra para desperdiçar esse tempo com o patético arrivista. Tantos anos passados, ele continua a ser o mesmo teleopinador que, convidado semanalmente a debater a realidade da semana com José Sócrates - quando ambos ainda não tinham liderado governos! -, pedia a quem cumpria moderar o confronto de opiniões para deixar ao socialista a despesa de iniciar a disputa, ciente de encontrar que dizer quando lhe ouvisse pronunciar substantivos argumentos, e pudesse utilizar a habilidosa retórica de advogado, embora sem jamais convencer quanto a possuir fundamentos bastantes para lhe ser dada qualquer razão.
Querendo medir-se com António Costa, este Pedro aliancista lembra  a estória do sapo disposto a tudo fazer para se vir a assemelhar a imponente boi. Fica, porém, a convicção de que, por muito que inche, nunca este anódino invejoso chegará sequer a comparar-se a humilde vitelo.