quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Professores, segredo de Justiça e baston(incendi)ários!


1 - Elucidativa a confirmação em como, nem o PCP, nem o BE, levarão a questão das carreiras dos professores à mesa das negociações com o Governo sobre o Orçamento. É que, estando a aproximarem-se as eleições e tendo em conta a imagem negativa que se vai associando a essa classe profissional junto da maioria dos portugueses, dissociar-se dela constitui aparentemente uma estratégia de contenção de danos depois de a eles se lhes terem excessivamente associado. Os votos que podem ganhar de um lado, podem não compensar os que possam perder pelo outro...
2 - 520 mil alunos receberam manuais escolares gratuitos neste início do ano escolar. As escolas passaram a ter uma maior liberdade de definirem os projetos pedagógicos que queiram aplicar aos seus alunos com a entrada em vigor da flexibilidade curricular agora generalizada a todo o universo das escolas públicas depois de ter sido anteriormente testada em experiências-piloto. E as moradas falsas deixaram de ser problema nas matrículas.
Três exemplos muito positivos, que contrastam com o que era a realidade do início do ano escolar, quando o ministro chamava-se Nuno Crato. Estranhamente um sujeito, que Mário Nogueira nunca destratou como agora o faz para com o atual titular da pasta...
3 - E apreciaram a forma como o mesmo Nogueira embatucou quando lhe pediram para comentar o Relatório «Education at a Glance», que demonstra ascender a mais de 35% o que os professores portugueses ganham em média acima dos demais trabalhadores qualificados?
Há números que, por si mesmo, substituem calhamaços de argumentos!
4 - Nos últimos dias as direitas deram sinais de conhecerem informações em segredo de Justiça relativamente ao roubo de armas em Tancos e não hesitaram em agitar-se com o oportunismo do costume. E Marcelo também não enjeitou a hipótese de ter sido contemplado com as fugas propiciadas pelos procuradores incumbidos do caso.
Só as esquerdas parecem nada saber do que se supõe estar em causa. O que não se estranha: a partidarização dos subordinados de Joana Marques Vidal tem sido tão óbvia, que compreende-se bem o nervosismo das direitas perante a forte possibilidade de a verem removida de um cargo, que não dignificou.
Em nome da necessidade de voltar a apartidarizar o Ministério Público essa substituição é uma questão de higiene cívica...
5 - Outro incendiário, que bem dispensaríamos de ver a atear fogos onde eles não existem é o bastonário da Ordem dos Médicos que, aproveitando a demissão dos diretores clínicos do Hospital de Gaia, quis lançar o pânico afiançando que, a partir do dia 6 de outubro, eles abandonariam os cargos, deixando a instituição entregue ao caos generalizado. Afinal os médicos em causa já o vieram desmentir, prometendo ficar até lhes arranjarem os substitutos.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Aprender a não se ser bonzinho demais!


Quando chega o 11 de setembro costumam-se evocar dois acontecimentos a título de efemérides. O mais recente foi o do atentado contra as Torres Gémeas, que comportou um conjunto de consequências nefastas para os tempos que se seguiram. Basta ver a facilidade com que antes nos deslocávamos entre aeroportos e as dificuldades hoje suportadas fazendo-nos sentir alvos de uma suspeição, que tanto nos impede de transportar líquidos como obriga a comparecer mais cedo à hora aprazada para voar.
O pior não foi, porém, esse efeito. Ele viria da reação estúpida de George W. Bush, que aproveitaria para invadir sucessivamente o Afeganistão e o Iraque, agravando uma perturbação, que vinha de Ronald Reagan, quando considerou o Médio Oriente e a Ásia Central como terreno preferencial de batalha definitiva da Guerra Fria. O islamismo radical da Al Qaeda foi financiado pela CIA e a sua versão estatista na Arábia Saudita continua a merecer os favores de Trump ou não tivesse ali um dos mais apetecíveis mercados para a venda de armas do complexo político-militar norte-americano. Ademais, a vinda de vagas sucessivas de refugiados para a Europa, gerando o efeito colateral de darem gás às extremas-direitas, são outra das consequências indiretas de tal episódio.
Não tendo estado na origem do conluio entre o capitalismo selvagem dos republicanos e o terrorismo islâmico nas suas diferentes versões, os atentados de 2001 só o consolidaram mesmo que de forma mais encapotada.
Prefiro, porém, ater-me ao golpe fascista, que assassinou Salvador Allende por ser aquele que melhor permite aprender as lições, que as esquerdas tardam em assimilar. Recorde-se que o presidente socialista nunca teve vida fácil, ora respondendo às sabotagens constantes dos principais empresários chilenos, ora enfrentando uma comunicação social subsidiada pela CIA e que antecipava o quanto hoje é feito entre nós pelo pasquim da Cofina ou pelo semanário de Balsemão: um empolamento constante dos aspetos mais negativos da realidade, mesmo que herdados dos governos das direitas, e um escamoteamento total dos bons indicadores resultantes da governação.
Embora não hajam condições para imitar quem um dia disse que a Revolução não é nenhum convite para jantar, o golpe de Pinochet demonstrou a ausência de qualquer escrúpulo de quem se sente ameaçado nos seus injustificados privilégios. Quando a agudização da luta de classes atinge uma dimensão próxima da rutura as direitas não hesitam em prender, torturar, assassinar e fazer desaparecer os corpos. É por isso que as esquerdas não podem ser tão passivas perante os ataques de que são alvo nesta suposta democracia, que está muito longe de o ser.  Por norma os bonzinhos demais lixam-se. E as nossas esquerdas andam demasiado boazinhas para escaparem ao constante boicote de que são objeto!!!

domingo, 9 de setembro de 2018

O que podemos concluir com as eleições suecas de hoje


As eleições suecas de hoje devem acabar definitivamente com as ilusões de quantos menosprezam a necessidade dos partidos socialistas o serem efetivamente, porque funcionaria melhor o modelo nórdico tido como social-democrata. O crescimento da extrema-direita limitará as opções de governo e nem o Partido de Stefan Löfven - presença constante, mesmo que virtual, nos mais recentes congressos do PS! - conseguirá repetir a solução atual com os Verdes, nem o bloco de direita bastará por si mesmo para ser alternativa. O risco de um grande centrão só poderá contribuir para dar maior importância aos neonazis, que se escondem no falacioso nome de Democratas Suecos.
O que se conclui por ora é a injustificabilidade de uma aceitação tão ampla quanto a verificada com emigrantes ou refugiados vindos de outras culturas, que ponham em causa a identidade dominante do país por nela não pretenderem necessariamente diluir-se. Ademais, se a criminalidade assumida por suecos de origem é minimizada, todos os episódios perpetrados por quem assim não se caracteriza, logo são empolados, dando a ideia de uma maior insegurança com eles relacionada.
Não se pode dizer que o novo partido da esquerda alemã, que se coloca numa lógica antiemigrantes, seja uma solução viável. Sobretudo por pôr em causa alguns dos valores mais queridos do pensamento da esquerda. Mas convenhamos que a grande maioria dos emigrantes de origem muçulmana - nomeadamente os turcos! - têm dado provas sobejas em como lhes é indiferente a possibilidade de se tornarem alemães, por quererem continuar a manter o pior da sua própria cultura em terra alheia.
O desafio que se coloca à esquerda é complicado, mas só pode passar por retomar o princípio da estrita laicidade como imperativo das políticas a propor, exigindo que as confissões religiosas se vivam no recato das igrejas, mesquitas e residências dos próprios, e sejam impedidas de se pronunciar nas questões sociais, sejam elas os direitos fundamentais das mulheres ou das minorias sexuais. É retomar a tese de ser a religião um ópio nefasto, que oprime e humilha quem não se enquadra nas suas idiossincrasias.
Recolocando as religiões no espaço restrito em que devem ser vividas, cabe às esquerdas focalizarem-se na denúncia e combate das desigualdades sociais, na privação à liberdade de informação inerente a ter os jornais, as rádios e as televisões nas mãos de meia-dúzia de donos que selecionam o que possam difundir e na alteração total de um sistema de justiça abastardado pela partidatização, que o leva a investigar e criminalizar todas as situações ilegítimas vindas das esquerdas (e isto tanto é válido para Portugal como para o Brasil!) como a ilibar as oriundas do campo contrário. Inclui, igualmente, devolver ao setor público todas as atividades económicas, que jamais deveriam ter sido privatizadas, mais do que demonstrada a perversidade de quem delas só quer colher os máximos lucros, sem lhes importar o significado social correspondente.
Quer nos Estados Unidos onde muitos dos candidatos democratas ao Senado e à Câmara dos Representantes mostram orgulho em defenderem os ideais socialistas, quer nesta Europa onde as extremas-direitas têm campeado nos despojos da moribunda Terceira Via, importa relevar as políticas inerentes a uma sociedade dividida em classes sociais e em que a mais abastada continua a enriquecer despudoradamente à custa de todas as demais.

sábado, 8 de setembro de 2018

A Chináfrica é uma realidade política incontornável?


A exemplo do sucedido no nosso país as ruas das grandes metrópoles africanas andam a ser invadidas por lojas de artigos chineses. Têxteis, telemóveis e outros artigos de consumo tornaram-se quase exclusivo de fornecedores e vendedores vindos do grande país asiático. Mas, em contraponto, o regime de Pequim vê a África como o novo Eldorado donde pode aprovisionar-se das muitas matérias-primas de que é fértil consumidor. O que justifica os receios de alguns ocidentais, temerosos de verem concretizar-se uma nova realidade geopolítica: a Chináfrica.

Olhando para o que está em questão temos um país de 9,6 milhões de km2 e 1,4 mil milhões de habitantes a interagir com um continente de 30,4 milhões de km2 e 1,2 mil milhões de habitantes distribuídos por 54 países. Outros indicadores importantes são os do crescimento - 6,6% e um PIB de 14 000 biliões de dólares para a China e 3,8% e 2 400 biliões de dólares para o conjunto africano. É, pois, notório, o desequilíbrio entre a grande potência asiática e o fragmentado continente onde está a entrar economicamente de forma acelerada.
Se há indícios da presença chinesa em África no século XVI, foi com o regime de Mao, que se iniciou uma proclamada política de ajuda ao desenvolvimento, através do financiamento e construção de grandes infraestruturas.
A chegada do novo milénio trouxe um salto qualitativo no desenvolvimento da China, transformado num ávido importador de petróleo e outras matérias-primas. A África, pródiga em riquezas naturais, transforma-se num dos seus grandes fornecedores. O Sudão do Sul, o Gabão, o Congo e Angola fornecem-lhe os hidrocarbonetos. A Zâmbia e o Congo garantem-lhe o cobre, enquanto o alumínio provém da Guiné. Da Namíbia recebe a platina, enquanto a prata, os diamantes e o chumbo seguem da África do Sul. A madeira em estado bruto provém de Moçambique, a Guiné Equatorial e os Camarões.
Em apenas quinze anos as trocas comerciais entre a China e África explodiram passando de menos de uma dezena de mil milhões de dólares em 2002 para mais de 150 em 2017. A partir de 2009 a China transformou-se no principal parceiro de negócios com a Africa com 15% desse mercado, com destaque principal para as relações com a Argélia, o Egipto, a Nigéria, a Etiópia, o Quénia e Angola. Para facilitar essa penetração os chineses andam a construir linhas ferroviárias por onde melhor poderão movimentar as mercadorias. E os empréstimos bancários tornam-se um instrumento de influência política tão eficaz, que 1/3 da enorme dívida exterior angolana está subordinada a créditos chineses. Como o pagamento é feito em barris de petróleo a queda do preço dessa matéria-prima nos mercados internacionais obrigou o governo angolano a entregar à China quantidades significativamente mais elevadas dessa matéria-prima para corresponder aos compromissos anteriormente contraídos.
Olhando noutra perspetiva para a invasão de produtos chineses nos mercados africanos os preços baixos impedem o desenvolvimento de uma indústria local, mormente na área do vestuário, constituindo um travão ao desenvolvimento. Mas, por outro lado, a facilitação das comunicações pela expansão do recurso aos telemóveis age em sentido contrário, constituindo alavanca relevante no desenvolvimento de novos negócios.
Os chineses também beneficiam de uma mão-de-obra muito barata, que os leva a construir com custos mínimos e lucros maximizados as obras que estão a fazer no continente, nomeadamente a linha de caminho-de-ferro entre Adis Abeba e Djibuti ou o gasoduto entre a região somaliana do Ogaden e aquele mesmo porto no golfo de Áden, que se transformou num dos principais entrepostos por onde se escoam matérias-primas para os navios chineses.
Olhando, igualmente, para essa mão-de-obra barata e sem quaisquer direitos sindicais os chineses polvilharam o continente de grandes zonas industriais onde, em imensos hangares, milhares de operários e operárias fabricam os produtos destinados às tais lojas de grande consumo. Comandadas obviamente por capatazes chineses, essas fábricas remuneram os trabalhadores com ordenados que correspondem a 1/4 dos auferidos pelos chineses, que os produzem no seu país. A sinistra ditadura etíope está a ser transformada pelos chineses no grande aliado para converter o país numa das suas gigantescas fábricas à escala global.
Os 15% que a China preenche nas trocas comerciais com África não são, porém, tão significativas como as havidas com a União Europeia (36%) que, se potenciasse a sua identidade continental, conseguiria concorrer bastante mais eficazmente do que o consegue ao distribuir-se entre os 6% da França, os 4% da Alemanha e a importância ainda menor dos demais vinte cinco países que a integram. Poderá ser essa realidade diversificada na segmentação dos parceiros comerciais que sirvam à África para alcançar melhores condições de negociação autonomizando-se do garrote chinês, que se procura consolidar através da via marítima da Nova Rota da Seda - que faz dos portos de Mombaça e de Djibuti dois dos seus principais entrepostos estratégicos! -, do milhão de chineses já a viverem em África e dos 2500 soldados chineses que integram as missões da ONU no Mali, no Sudão, no Sudão do Sul e na Rep. Democrática do Congo. A divulgação da língua e da cultura chinesas também estão a ser difundidas em África através de 54 Institutos Confúcio, espalhados pelas maiores cidades co continente enquanto noutra vertente os estudantes africanos a estudarem na China ao abrigo de programas de cooperação passaram de dois mil em 2003 para os atuais 50 mil num crescimento exponencial, que tende a prosseguir. Concorrendo com os franceses e com os norte-americanos o regime de Pequim pretende ter uma influência determinante nas futuras elites africanas.

Alguns portugueses que não se recomendam...


1. Uns «notáveis» da cidade do Porto terão lançado um abaixo-assinado para exigir a imediata resolução do problema da ala pediátrica do Hospital de São João. Curiosamente nenhum deles pareceu disposto a avançar com dinheiro numa eventual iniciativa de crowdfunding, que ajudasse a resolver o problema financeiro de tal obra.
Que bom reivindicar, quando não está em causa o próprio bolso, conquanto seja a teta coletiva a pagar  o que tanto se deseja! Esse símbolo de ética, que é o Pinto da Costa até lançou o anátema sobre os governantes, que continuarão a dormir na paz dos anjos sem se inquietarem com a má sorte dos petizes!
2. Um aldrabão tuga conseguiu sessenta mil euros como indemnização dos seus prejuízos inerentes ao incêndio da Torre Glenfell, onde nunca vivera. Resultado: vai passar os próximos três anos na prisão, pena exígua para os danos, que terá causado aos compatriotas junto dos ingleses numa altura em que o brexit ainda agita emoções dos que pretendem correr das ilhas quem não for britânico.
Uma burla cometida no século XVI por uma missão diplomática do reino de Portugal a Roma ainda faz da expressão “Fare ll portoghese” uma alusão nada simpática para nós junto dos transalpinos. Razão para considerar que criar uma boa imagem lusa junto de outros povos leva séculos a conseguir, mas o contrário também implica ainda mais tempo a diluir...
3. Se ter uma Assunção nas notícias é mau tendo em conta o ruído cacofónico, que suscita, ter outra ainda mais polui o nosso ambiente mediático. A Assunção em causa é professora catedrática na Faculdade do Porto e conseguiu iludir a instituição a facultar-lhe uma sala para, durante este fim-de-semana, organizar uma sucessão de charlas de uns estarolas apostados em provar que não existem alterações climáticas com que nos devamos preocupar.
Apesar da denúncia de dezenas de cientistas escandalizados com esta associação da Universidade do Porto a tão absurda iniciativa, ela parece que decorrerá sem mais consequências. Ora uma catedrática, que se faz porta-voz de falácias tão anticientíficas, merecerá prosseguir o seu afã antipedagógico junto de sucessivas gerações de estudantes?

As direitas em queda e o Bloco a lamber as feridas do caso Robles


As sondagens valem o que valem, mas a da Aximage confirma o Partido Socialista a reabeirar-se dos 40%, deixando o PSD a mais de quinze pontos de distância. E, se Cristas pode peixeirar por conta de ter chegado ao 3º lugar, o 1,5% que ganhou não chega a metade dos que o partido de Rio perdeu. Resultado: a soma das direitas passou de 34,9 para 33,3%, representando apenas um terço do eleitorado.
Curiosa terá sido a queda abrupta do BE, provavelmente como resultado do caso Robles, enquanto a CDU estagna. O que significa que, num e noutro caso, o seu pendor mais reivindicativo, mormente associando-se às reivindicações corporativas dos professores nada lhes tem valido junto dos que se propõem votar nas novas eleições.
Os resultados indiciam uma provável repetição do atual compromisso das esquerdas parlamentares, o que vai sendo intuído por Marcelo como uma inevitabilidade que ele, nem com o seu habitual uso da intriga conseguirá evitar. Tanto melhor assim...

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O medo de ter Trump na Casa Branca


O livro só sai no dia 11 de setembro, mas algumas das suas páginas mais apetitosas já são conhecidas e confirmam o dano que podem causar ao atual titular da Casa Branca.
Se Bob Woodward - um dos mais prestigiados jornalistas norte-americanos desde que protagonizou a denúncia do caso Watergate, que faria cair Nixon! - não conseguiu entrevistar o próprio Trump, conversou com muitos dos seus mais próximos colaboradores. São eles a classificar de casa de doidos o que se passa no nº 1600 da Avenida da Pensilvânia em Washington D.C., e a considera-lo idiota, ignorante e impulsivo, razão bastante para esconderem-lhe documentos ou saírem rapidamente do Gabinete Oval antes que sejam incumbidos de decisões irreparáveis.
Entre as revelações está a da reação de Trump às notícias de um ataque com armas químicas na Síria, que o levou a dar ordens para matar o máximo de alvos possíveis, incluindo o próprio Bashar al Assad. Não fosse o travão imposto pelo seu chefe militar, Jim Mathis, e a situação poderia ter-se tornado completamente descontrolada.
Quanto às relações comerciais também se fica a saber como os colaboradores o terão impedido de, num dos seus impulsos protecionistas, rasgar inopinadamente o acordo comercial com o Canadá e o México, devido à lentidão inerente à sua renegociação. Irritara-o a intransigência do primeiro-ministro Justin Trudeau, que recusa a supressão dos tribunais arbitrais e da exceção canadiana, que impede as grandes corporações do vizinho em abocanharem a posse dos jornais, rádios e televisões canadianos.
Embora o livro não chegue para que a queda de Trump se consuma, poderá contribuir seriamente para que ela se torne mais próxima...

E ele disse que sim...


Há dias comentava aqui a pertinência da tese de Alfredo Barroso quanto à intenção do PCP em desvincular-se da convergência das esquerdas, recorrendo para tal à sua tropa fandanga sindical. Mas, agora, na RTP, Jerónimo de Sousa não só elogiou a solução governativa desta legislatura, como manifestou a disposição do seu partido em integrar o próximo executivo, saído das eleições de 2019.
Parecemos, pois, estar numa espécie de situação bipolar das esquerdas, que ora nos descontentam com promessas de divórcio, ora nos esperançam com a expetativa de perenizarem a ostracização das direitas por muitos e bons anos.
Entre uma e outra hipótese não sobram dúvidas sobre qual prefiro. A atual conjuntura da luta de classes, não só no âmbito nacional, mas sobretudo internacional, exigem um claro separar de águas entre os que querem apressar a falência de um sistema ideológico falido e os que intentam prolongar-lhe o estertor definitivo.
Eu, que andei décadas a desejar a convergência das esquerdas, anseio por que ela se viabilize e potencie nos anos que, enquanto sexagenário, ainda possa esperar viver...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

À falta de notícias de jeito, a Joana é recurso que não falha!


Não há dia nenhum em que, nos jornais que se conseguem distanciar minimamente da condição de pasquim, que o diário da Cofina faz por merecer, não apareça alguém a fazer campanha ativa pela recondução de Joana Marques Vidal à frente da Procuradoria-Geral da República. Hoje temos Anselmo Crespo no «Diário de Notícias» e Sonia Sapage no «Público», ora a ameaçarem implicitamente António Costa com o que possa significar a substituição da dita cuja, ora invocando esse exemplo ímpar de honestidade nos negócios, que é Marques Mendes.
Os prosélitos dessa campanha - todos eles enfeudados ativamente às direitas, que intentam continuar a ver preservadas nas investigações do Ministério Público sobre casos de corrupção! - temem ver a instituição orientada pelos princípios do suprapartidarismo e da defesa do segredo de justiça, valores que foram ostensivamente espezinhados pela titular do cargo enquanto o tem desempenhado.  Mentem mil vezes a dizer que ela fez muito neste período, mas nunca justificam porque deixou passar alegremente pelas malhas das suspeitas a corja cavaquista do BPN (incluindo o seu máximo inspirador!), o negócio de Portas nos submarinos ou de Aguiar Branco nos Estaleiros de Viana ou os comprometimentos óbvios de Marques Mendes com os vistos gold.
Pela cabeça da senhora em causa nem sequer terá passado pela cabeça investigar o que terá ganho o atual Presidente da República com as amizades mais do que publicitadas com Ricardo Salgado, que o albergava nas férias e sabe-se lá em mais o quê.
A poucas semanas de se conhecer o nome de quem será o Procurador Geral da República no próximo mandato tenho grandes esperanças em que António Costa seja igual a si mesmo e, com a sua reconhecida habilidade, cuide de garantir a titularidade a quem se revele efetivamente merecedor do cargo.

Algumas teses pertinentes, mesmo que por serem indubitavelmente demonstradas


Dedico aos textos de Alfredo Barroso uma atenção não muito empenhada, tendo em conta que discordo amiúde do estilo e das ideias. Mas os que deu a conhecer nestes últimos dois dias fazem sentido bastante para colocarmos as suas teses no congelador, testando-lhes a consistência em função dos acontecimentos futuros.
Naquele que me parece mais pertinente cita um politólogo norte-americano, Sheldon Wolin, que criou o termo «totalitarismo invertido» para designar o atual momento do capitalismo caracterizado pelo investimento ativo de poderosas organizações privadas no domínio público, comprando e corrompendo os eleitos. Em vez da ditadura mais óbvia, assente num déspota individual ou na organização por ele liderada - que facilitaria a identificação de quem se deve contestar! - enfrentamos uma coisa disfarçada, mas não menos cerceadora das liberdades coletivas, em que os oprimidos quase não têm consciência de tal condição. Para o conseguirem essas organizações monopolizam a propriedade dos meios de comunicação social, de forma a restringir o mais possível as ideias por eles difundidas. Os seus mandatários chamam-se Orban, Salvini  ou Marine Le Pen, mas os verdadeiros mandantes escondem-se por trás de um anonimato, que os acautela das consequências dos eventuais fracassos.
Alguns governos europeus muito influenciados pelos preconceitos das extremas-direitas já enveredam por essa transformação, fingindo-se democráticos na forma, para melhor o não serem nos conteúdos. E da Suécia, que tem eleições por estes dias, até ao nosso país, onde Santana Lopes ambiciona juntar-se ao cortejo populista, não faltam candidatos a quem os financie e lhes dê um catálogo de «ideias» prontas-a-vestir.
Noutro texto Barroso relaciona as proclamações de Mário Nogueira com a estratégia do PCP em dissociar-se o mais rapidamente possível do atual governo, cuja continuidade teme ver traduzida na degradação da sua influência eleitoral.  O ideal para o PCP seria o regresso das direitas ao poder de forma a, pela luta social intensa, apresentar-se como a oposição de esquerda mais consequente, ultrapassando o Bloco de Esquerda, que não tolera ver com mais deputados.
A exemplo do que já sucedera na época do governo de José Sócrates, os professores mais não serviriam do que de prestáveis peões a uma manobra política, que se está perfeitamente nas tintas para os seus interesses corporativos.

domingo, 2 de setembro de 2018

O urgente combate à vigarice do Estado reduzido à sua mínima expressão


Tem sido despudorada a campanha de Assunção Cristas sobre as disfuncionalidades da CP, não só porque um dos mais altos quadros do CDS foi Presidente do Conselho da Administração da empresa nos últimos anos, mas também porque o governo que ela própria integrou fez tudo para que a situação se deteriorasse o suficiente para justificar a intenção de a privatizarem. Essa voltou, aliás, a ser proposta formulada pela «contestatária», quando veio avançar soluções para a situação coincidentemente empolada nos jornais e nas televisões nas semanas mais recentes.
No artigo de opinião hoje publicado no «Jornal de Notícias», Manuel Carvalho da Silva vem lembrar que esse afã das direitas enquadra-se na estratégia lançada a nível europeu pelos que têm na Comissão e no Parlamento europeu as convenientes marionetas dispostas a defenderem a abertura da concorrência privada à mobilidade ferroviária no continente, reservando para os privados as linhas e negócios passíveis de lhes garantirem avultados lucros, reservando para o Estado (ou seja os contribuintes!) tudo quanto representar prejuízo e não puder ser abandonado, mormente nas infraestruturas em causa.
Muito embora as direitas continuem a reclamar contra a fiscalidade excessiva - e é esse o mote dos partidos «liberais», que se aprestam a causar intensa poluição propagandística no espaço mediático! - as direitas continuam a apostar em espoliar o Estado de tudo quanto possa render receitas aos seus mandantes, reservando-lhe as incontornáveis despesas para que os «serviços mínimos» ainda sobrevivam, sejam eles na ferrovia, ou também na Educação, na Saúde ou na Segurança Social.
O crime que constituiu a destruição da Portugal Telecom ou, as experiências verificadas nos CTT, na REN, na EDP, na Galp ou na Banca, já foram mais do que elucidativas quanto às consequências de se privatizarem bens públicos rentáveis, condenando o Estado a ficar com o que só se aguenta com os impostos de quem trabalha.
No seu texto, Carvalho da Silva propõe a resposta a dar às falácias das Cristas, dos Rios e de todos os supostos defensores da enorme mentira que é a expressão «menos Estado, melhor Estado»: «impõe-se ampliar o poder social, exercer o poder político na sua plenitude e com propostas ofensivas. E fazer uma denúncia forte da estratégia da Direita, não se distraindo com pretensas contradições e fragilidades desta.»

sábado, 1 de setembro de 2018

A essência destrutiva dos que andaram a desmandar, a vocação construtiva dos que agora mandam!


Na vigência da atual maioria parlamentar já foram criados mais de quinhentos mil empregos, devendo-se destacar o ingresso em força das mulheres no mercado do trabalho, onde já constituem quase metade de quem nele labuta. Mas não só, porque foram quase 220 mil os enquadráveis no escalão etário entre os 55 e os 64 anos a obter uma colocação para que tendiam a descrer que lhes voltasse a estar acessível.
Segundo os números agora conhecidos se o governo de Passos Coelho e Paulo Portas tinha conseguido que mais de 510 mil pessoas perdessem o seu emprego, o atual não só já os recuperou como os superou.
Há dias um amigo meu manifestava-se enfadado com o facto de estar aqui sempre a separar as águas entre as direitas e as esquerdas. Mas como ignorar que os factos demonstram quão destrutivas são aquelas ao contrário das forças políticas atualmente maioritárias no Parlamento.
Eu sei que ainda há poucos anos surgiam uns doutos senhores a perorarem sobre já não se justificar a divisão política entre esquerdas e direitas, mas isso era o que eles pretendiam inculcar na mente dos mais atoleimados. Na realidade, num contexto em que os muito ricos vão-se reduzindo em número para que os 99% restantes fiquem com umas migalhas, faz todo o sentido denunciar as desigualdades e combatê-las ativamente. Tarefa incontornável de quem sabe crepuscular o capitalismo e o quer atirar abaixo da linha do horizonte para que outra realidade, mais justa e igualitária tenha cabimento...
É esse o sentido da luta de classes que, desde os alvores da Humanidade, sempre esteve presente em toda a sua História.