domingo, 7 de dezembro de 2014

A grande mentira sobre a TAP

Quer marilu albuquerque, quer pires de lima têm pretendido justificar a urgência em privatizar a TAP com a impossibilidade em nela investir dinheiro do Estado. Trata-se de uma grosseira mentira apenas destinada a fazer os portugueses aceitar o inaceitável. Na realidade a União Europeia aceita o recurso a dinheiro estatal desde que não se viole o seguinte principio: “a empresa não pode ser resgatada e reestruturada mais do que uma vez a cada dez anos”.
Ora a última vez em que a TAP teve de recorrer ao acionista Estado foi nos finais dos anos noventa do século transato, então com um auxílio, repartido por várias tranches, que rondou os 180 mil milhões de escudos (cerca de 900 milhões de euros).
Nada justifica, pois, que se vá entregar a nossa transportadora aérea a quem nunca satisfará os interesses específicos de tantos portugueses obrigados a viajar para destinos facilmente abandonados quando vigorar exclusivamente a lógica do lucro de quem a possua.

As inquietações da direita quando confrontada com o seu próprio vazio

Às vezes somos levados a pensar que passos coelho julga ter conseguido adormecer os portugueses com a intensa manipulação da realidade, que lhes tem vendido com a cumplicidade de uns prestáveis comentadores mas ainda assim tendo a necessidade de os testar para ver até que ponto andam suficientemente ausentes para tudo lhes poder ser dito.
Vem isto a propósito do discurso desta semana em que falou de mexilhões para defender a tese de terem sido os mais abonados a sofrerem realmente com a crise.
Na generalidade dos jornais, rádios e televisões a notícia foi passada sem comentários como se até os próprios apaniguados do ainda primeiro-ministro não quisessem acreditar na barbaridade de que tinham sido testemunhas. É que eles próprios devem estar a duvidar de quanto ainda pode ir a paciência de quem já tanto foi forçado a engolir e comecem a temer o súbito despertar de uma mais do que justificada indignação!
O grande problema da direita é saber que os portugueses anseiam por outro discurso, que não o da “pesada herança” dos governos de José Sócrates ou da responsabilidade da troika nos sacrifícios impostos nestes três anos. E, mesmo divergindo no tipo de mensagem, que pretendem passar - passos com esta absurda tentativa de se revelar mais socialista do que os socialistas ao orgulhar-se de ter imposto maiores esforços aos ricos para oferecer a “boa vida” hoje usufruída pelos mais pobres e portas sem outra bandeira do que a recuperação de um feriado já prometido por António Costa - os dois partidos do governo estão a contas com o vazio das suas ideias e das capacidades de marketing bastantes para transformar esse nada em refulgente ouro.
Não admira que tenham passado a semana a ensaiar uma tíbia resposta aos brilhantes discursos do novo secretário-geral no Congresso e em que foi notória a relevância atribuída a devolver a esperança aos portugueses. 

Violência policial nos Estados Unidos

Detestei a  única vez em que interagi com polícias nos Estados Unidos.
O «Inago», navio onde então navegava, chegou a um porto perto de Newark e o piloto local, que viera apoiar a atracação, informou-nos da existência de um Portuguese American Club em Elizabeth não muito longe dali.
Ainda inexperiente - era então um jovem oficial de máquinas com vinte anos acabados de fazer - aproveitei o facto de ter acabado o meu turno às quatro da tarde para, conjuntamente com um dos fogueiros, meter pernas a caminho.
Não nos tínhamos afastado mais do que um par de quilómetros, quando demos com um carro-patrulha estacionado à beira de uma larga estrada. Naturalmente dirigimo-nos aos dois polícias ali a descansar para que nos indicassem a direção certa para onde pretendíamos ir.
Sobranceiros, perguntaram quem éramos. Quando os informámos olharam um para o outro, como que a combinarem o que diriam, e o do lado do passeio apontou para a frente e disse:
- Por ali levam para aí uns dez minutos!
Dizendo isso, puseram o carro a trabalhar e vimo-los a desaparecer nessa mesma direção, enquanto acelerámos cientes de não precisarmos de grande esforço para alcançarmos o objetivo.
É claro que passámos dez minutos a andar e nada!  Apenas uma estrada comprida e quase retilínea onde poucos edifícios desérticos se viam. Mais dez, e nada de novo.
Às tantas demos com os néones de um motel e entrámos para questionar o empregado da receção:
- O Portuguese Club? E vieram a pé? Por esse andar nunca mais vão lá chegar!
Mas já que metêramos os pés a caminho, não era a meio que iriamos desistir. Tanto mais que na época - finais dos anos 70 - o Banco de Portugal não nos permitia aceder a mais do que 33 parcos dólares por mês nos portos onde tocássemos. Razão bastante para evitarmos os gastos com táxis!
Só ao fim de duas horas de marcha acelerada é que chegámos. Era sábado ao final da tarde e os portugueses  dos arredores iam-se ali concentrando para o baile semanal e os sorteios destinados a obras de beneficência.
Felizmente encontrávamos também quem não faltaria em apoiar-nos com boleias e jantares nos dois ou três dias que ali estivemos. Mas a nossa antipatia por aqueles polícias que bem poderiam ter prezado o seu papel de, mais do que defensores da lei e da ordem, contribuírem para o bem estar de quem deles se socorria, nunca mais se apagou.
Os filmes e as séries norte-americanas não desmentiriam a ideia que deles nos ficou na memória: dê-se uma farda e uma pistola a um polícia norte-americano e ele julga-se dono do universo. Há fortes probabilidades de não existirem grandes diferenças de escrúpulos entre eles e os verdadeiros delinquentes, que deveriam controlar
Não admira, pois, o que se está a passar nas grandes cidades norte-americanas com milhares de cidadãos a protestarem contra o comportamento prepotente e mesmo psicopata de muitos desses agentes da autoridade, particularmente ativos quando se trata de matar jovens negros por dá cá aquela palha. Com o revoltante beneplácito de uma Justiça que, lá como cá, se mostra muito aquém dos seus deveres de equidade e de respeito pelos cidadãos, tratando uns quantos privilegiados com particular complacência e todos os demais com uma severidade bem ilustrativa dos seus preconceitos de classe…
Voltei aos Estados Unidos várias vezes nos anos que se seguiram. Mas nunca mais voltei a tomar a iniciativa de esperar qualquer apoio de um dos seus polícias! 

sábado, 6 de dezembro de 2014

O inquisidor-mor

Nicolau Santos é, de facto, um dos jornalistas mais merecedores da nossa atenção, porquanto toma posições quase sempre em consonância com o que pensam os portugueses mais lúcidos sobre o quanto ainda padecem à conta deste (des)governo..
É também um homem de cultura como se pode constatar todos os sábados no semanário onde escreve e onde não deixa de inserir um oportuno poema, que complementa os comentários sobre a realidade.
É fazendo jus a essa sagacidade e cultura, que publicou ontem um artigo onde associa o juiz carlos alexandre ao personagem Jorge de Burgos, nosso conhecido do romance de Umberto Eco, «O Nome da Rosa».
Olhando para essa história não podemos deixar de concordar com tal comparação. Recordemos que Jorge de Burgos é um fanático decidido a consolidar a sociedade em que vive como uma espécie de vale de lágrimas donde qualquer alegria deve ser erradicada.  Por isso mesmo, dado existir quem queira ler «A Comédia» de Aristóteles na biblioteca do mosteiro, encarrega-se de matar quem a tal se chega a atrever.  O riso e a alegria são a máxima expressão de tudo quanto execra!
Para Jorge de Burgos todos os seres humanos nasceram pecadores ou não tivessem sido gerados como corolário da luxúria dos progenitores. Como tal, estavam proibidos de outro tipo de quotidiano, que não fosse o de  pagarem com sofrimento a sua condenável essência.
Ora foi com a invocação da ideia de pecado, que a direita se apossou do poder em 2011: porque tinham sido despesistas e vivido muito acima das suas possibilidades os portugueses mereciam ser castigados com todo o rol de medidas de austeridade a que nos sujeitavam os credores. Quem subira ao governo não pretenderia mais do que fazer de inquisidor dos impenitentes pecadores, sujeitando-os aos castigos devidos.
José Sócrates foi, então, erigido como o pecador-mor! Não tinha sido ele quem “iludira” esses mesmos pecadores com a Visão de um futuro muito diferente do que até então eles tinham conhecido? Não lhes prometia crescimento, desenvolvimento, conhecimento, inovação?
Nas constantes homilias aos que gostaria de transformar em carneiros, mas se vão revelando cada vez mais descrentes do que lhes querem impingir, a direita sempre cuidou de culpar Sócrates de todos os pecados possíveis e imaginários. Até concluir que as palavras emitidas do púlpito encontravam cada vez maior indiferença, senão mesmo repúdio, por parte dos que as ouviam.
Foi nesse contexto, que conseguiram encontrar o seu inquisidor-mor na figura do mesmo juiz, que se apressou a mandar prender e calar tal superpecador, quando antes se revelara tão complacente para com os ricos e os poderosos, a quem aconselhara a ficarem em casa ou a comportarem-se com discrição enquanto as memórias das suas malfeitorias permaneçam frescas.
Existe de facto um paralelismo evidente entre esse Jorge de Burgos que, para impedir a alegria, matava os que por ela e este juiz que acede a ser o títere de uma encomenda dos que querem assentar o seu poder nessa liturgia da austeridade e do empobrecimento dos seus concidadãos.
Como conclui Nicolau Santos no seu artigo o personagem de Umberto Eco acaba vitimado pelo seu próprio ódio ao decidir, em desespero de causa, incendiar a biblioteca. Esperemos que também esta forma lusa de ainda praticar a (in)justiça se atole na sua própria receita...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A centralidade do PS no espectro político nacional

1. Uma das evidências, que o Partido Socialista precisa de inculcar na mente dos eleitores é o facto de, ao contrário do pretendido pelos partidos da ainda maioria e pela generalidade dos telejornais, não ter virado à esquerda no seu recente Congresso.
Quem for minimamente honesto terá de reconhecer o facto de o PS continuar a defender os seus princípios de sempre contra a deriva radical da direita para o ideário económico dos seus gurus mais extremistas. Não terá sido, pois, o PS a afasta-se do centro do espectro político, mas o PSD e o CDS a penderem resolutamente para a ponta extrema da direita.
Por isso mesmo quando paulo portas anda a defender a recuperação dos feriados como estratégia de ocupação de um espaço entre o PS e o PSD, bem pode vir de carrinho… ou num dos seus ainda bem mais adorados submarinos! É que, a todo o momento quer ele quer os seus deputados na Assembleia  denunciam-se como se verificou ontem com nuno magalhães a congratular-se com a queda do governo socialista sueco pela conjunção de forças da direita com a extrema-direita racista desse país escandinavo!
Anteontem ao falar no Plenário Vieira da Silva insistiu nessa ideia de consolidação do espaço político ocupado pelo partido: “O desafio do PS não nos desloca do nosso espaço, não nos esquerdiza nem radicaliza. Estamos onde sempre estivemos: no espaço da liberdade e da justiça, no espaço da radicalidade da defesa da dignidade humana e da igualdade”.
E um bom exemplo desse posicionamento estava precisamente em discussão nessa altura: a abstrusa ideia do «quociente familiar», que beneficia bastante mais as famílias abonadas do que as de rendimentos mais baixos e com o mesmo número de filhos.
2. Um outro bom exemplo de como existe um Partido em consonância com os anseios da maioria dos portugueses e uma direita apenas orientada para os mais ricos, é o do direito à saúde.
Recentemente pôde-se comprovar, mediante o caso dos vitimados com a bactéria da legionella, que em situações de maior gravidade e de emergência não são as instituições privadas a surgirem como solução, mas os hospitais públicos. Por isso mesmo, ainda que empurrados indecentemente para esse indecoroso negócio dos seguros de acesso aos hospitais e clínicas privadas, os portugueses anseiam por um Serviço Nacional de Saúde muito mais eficiente.
E, no entanto, um estudo agora conhecido demonstra que estão a gastar cada vez mais dinheiro para cuidarem de si mesmos. O governo de passos coelho reduziu os custos com a saúde para uma percentagem do PIB, que equivaleu à de 2005. O que paulo macedo tratou de cortar explica que em 2012,, enquanto cada cidadão da União Europeia gastou 2,9% dos seus rendimentos com bens e serviços de saúde, o português foi forçado a despender quase o dobro: 4,7%.
Precisa-se urgentemente de outro governo e de outra política!


Nós detestamos o antigamente, mas há quem para lá nos queira fazer voltar!

1. Uma carta para o «Diário de Notícias» e as visitas de António Guterres e de Fernando Gomes mantêm José Sócrates na linha da frente dos protagonistas dos nossos dias. O que é excelente, porque vai a contracorrente dos que o pretenderam calar.
Já o sabíamos, mas é sempre bom comprová-lo: quem quis humilha-lo sem sequer ter fundamentados os motivos para o acusar, não adivinha com quem se meteu.
Quem vai testemunhando sobre o seu estado de alma dá conta de uma força de carácter, que condiz com os motivos porque tantos o admiram. Porque não há quem o consiga quebrar e muito menos coartar na determinação em virar o feitiço contra o feiticeiro, criando as condições para levar ao pelourinho quem abusa do poder e julga possível recuperar comportamentos similares aos do antigamente, que tanto execramos!
2. Nunca apreciei rui rio e detestaria quase tanto ver o país por ele governado como por passos coelho.  Muito provavelmente os mais desfavorecidos continuariam a ser prejudicados em favor dos que sempre lucram em todas as circunstâncias, sejam elas de crise ou de “vacas gordas”. E quanto à Cultura, por aquilo que se viu durante os seus mandatos no Porto, o panorama não seria muito diferente do atual.
Tenho, porém, de reconhecer que, pelo menos em ética, o antigo autarca do Porto deixa o seu presidente de partido a muitas léguas de distância. Quando diz “não posso aceitar esta permanente violação do segredo de justiça. Chamar a comunicação social para assistir a uma detenção e depois continuar a fazer a reportagem e depois pôr peças que estão em segredo de justiça na comunicação social é absolutamente inadmissível. Digo isto seja para quem for”, rui rio demonstra que, mesmo à direita, nem todos os políticos são iguais..
E só podemos subscrever o que ele diz ao denunciar o circo montado em torno da detenção de José Sócrates: “A Justiça é um assunto de Estado, não é um show. A Justiça não é para concorrer em audiências da TV com futebol ou com o Big Brother, a Justiça é um assunto sério e é um assunto de Estado”.
Conviria que juízes e magistrados adotassem a sobriedade aconselhada por este relevante nome da direita portuguesa.
3. Um bom exemplo de como surge de várias direções a tentativa de voltar ao antigamente está na decisão do Governo em demitir o conselho de administração da RTP.
Não é que Alberto da Ponte e os seus vogais tenham sido exemplares na forma como assumiram a gestão da televisão pública durante estes quase três anos na titularidade dessas funções.
Até mesmo a decisão de gastar dinheiro na Liga dos Campeões, quando seria bem melhor aplicado em transformar a RTP numa verdadeira ferramenta formativa, quer do conhecimento, quer da cidadania dos portugueses, merece alguma circunspeção. Mas o que está em causa é outra forma de ver a questão: quando miguel relvas nomeou esta administração tinha por objetivo apressar o processo da sua privatização.
O mérito de exigir e garantir uma RTP pública e independente dos ditames do governo não cabe a esta administração, nem aos seus atuais diretores - pelo contrário bastante obsequiosos para com passos coelho e os seus comparsas - mas reconhece-se-lhes a aspiração em viabilizarem financeiramente a continuidade da televisão pública mesmo com a asfixia financeira imposta pelo governo. A contratação da Liga dos Campeões pode ser entendida nesse sentido: é claro que a SIC e a TVI ficarão privadas de receitas publicitárias bastante significativas, mas são essas que poderão sustentabilizar o futuro da RTP enquanto ela continuar a ser vista como um patinho feio a estrangular o mais rapidamente possível.
O que fica definitivamente desmascarada é a pseudo autonomia da RTP em relação ao governo pela forma como o conselho “independente” nomeado por poiares maduro se comportou em toda esta questão.
O governo poderá sempre dizer que não terá corrido com Alberto da Ponte e a sua equipa, mas que se terá limitado a seguir a orientação desse CGI. Mas não haverá quem se deixe enganar por mais uma tosca manobra para querer iludir as evidências. Tanto mais que até a ERC, quantas vezes disposta a fazer fretes ao governo através da maioria conseguida à custa do voto do seu presidente (carlos magno), aprovou desta feita um parecer que deixa mal na fita quer poiares maduro quer os seus domesticados conselheiros “independentes”.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Urgente reequilibrar a relação de forças entre os vários poderes

Confesso que ontem de manhã ainda quis acreditar no Pai Natal, o que se traduziria pela ordem do Supremo Tribunal para que José Sócrates fosse libertado.
É certo que o advogado João Araújo desvalorizara o pedido de habeas corpus apresentado pelo jurista de Vila Nova de Gaia, mas poderia dar-se a hipótese de estarem no coletivo destacado para o apreciar, juízes sensatos e com o sentido de equidade, que carlos alexandre já demonstrara não ter.
Ao fim da manhã já a CMTV anunciava o veredito apesar dele só estar prometido para a parte da tarde, confirmando uma vez mais a cumplicidade promíscua entre alguns agentes da justiça e a tal imprensa tabloide, que lhe serve de arma contra os socialistas.
A aposta continua a ser a de humilhar José Sócrates por tanto tempo quanto possível. Poderão nunca vir a ter argumentos para o acusarem, mas enquanto fizerem perdurar o seu encarceramento em Évora, julgam consolidar no imaginário coletivo a ideia de que ele é culpado. Por muito inocente, que o tenham de vir a reconhecer!
É por isso que o próximo governo terá de ser suficientemente forte para conter esta apetência do poder judicial para fazer vingar um tipo de Estado onde a sua vontade se imponha sem freio.
O reequilíbrio entre os três poderes está a revelar-se cada vez mais urgente para que não se possa repetir o tipo de infâmia a que José Sócrates tem sido ignobilmente condenado. 

Para acabar de vez com a mistificação de não haver direita nem esquerda

Na Conferência da SIC Notícias, passos coelho terá proferido mais uma das suas reconhecidas «pérolas», demonstrativas da falta de escrúpulos, que o norteiam: “nas reformas estruturais não há esquerda nem direita - há bom e mau governo”.
Durante os últimos anos a direita quis vender, através da repetição goebbelsiana, a estafada mentira em como as diferenças entre a esquerda e a direita deixaram de existir, e que as próprias ideologias teriam claudicado a uma mixórdia mais ou menos disforme onde importaria sobretudo o pragmatismo  perante as supostas «reformas», apenas aplicadas para benefício dos suspeitos do costume.
Muito embora Tony Blair e a sua sinistra Terceira Via, ou Schroeter com a forma como limitou gravemente os direitos dos trabalhadores alemães. tenham contribuído bastante para tal mistificação - atualmente ainda assumida por Manuel Valls em França - os anos mais próximos terão de ser os de uma tenaz recuperação da diferença bem demarcada entre quem pretende uma sociedade mais justa e igualitária e os que chegam ao poder para apenas fazerem o frete às oligarquias de que se sentem confortáveis marionetas.
A conjuntura atual exige que a direita seja denunciada por todos os efeitos terríveis causados pelo neoliberalismo de que se fez bandeira sem qualquer pudor.
É tempo de nos orgulharmos dos valores socialistas e aclamá-los como os únicos capazes de trazerem esperança e melhor condição de vida para quem deles tanto precisa...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A irrelevância dos que insistem em negar a realidade

Não deixa de ser curioso que quem ainda há uns meses defendia António José Seguro como estando à esquerda de António Costa e por isso mais facilmente dialogaria futuramente com o PCP e com o Bloco de Esquerda, venha agora para os jornais criticar a suposta “carga ideológica”, mais próxima desses partidos. E já conta com Francisco Assis como o seu líder putativo, o que me desagrada muito particularmente por ter sido seu apoiante para o Congresso de setembro de 2011.
Ricardo Gonçalves e outros dos socialistas do Porto, que costumam estar associados a José Luís Carneiro, andam a lavrar em dois erros de palmatória:  o primeiro é o de considerarem estática a tendência do eleitorado em privilegiar quem mais se aproximar do que seria a mediana probabilística dos posicionamentos políticos. O PS teria assim, de acordo com Francisco Assis, de privilegiar uma aproximação ao que pensa a direita para que o eleitorado mais facilmente optasse por nele votar.
Ora nestes três anos o PSD e o CDS radicalizaram-se de tal forma à direita, que a mediana está colada ao PS e afastada significativamente quer do PCP e do BE para um lado quer do PSD e do CDS para o outro.
O que passos coelho disse hoje ao inaugurar um hospital privado no norte do país é, a esse título, bastante significativo: seria necessário que a oferta em termos de serviços privados crescesse para que o Serviço Nacional de Saúde deixasse de fazer sentido.
Dentro da mesmo fanatismo ideológico fez aprovar em sede de IRS a possibilidade das empresas transformarem parte dos salários dos seus funcionários em cheques-ensino para que haja mais alunos nos colégios privados enfraquecendo o mais possível a escola pública.
Estas posições demonstram bem o quanto o PSD escolheu, sob a égide de passos coelho, uma ideologia de um neoliberalismo extremo, muito próximo do «Tea Party» norte-americano e que precisa de ser intensamente combatido com a denúncia do que pretende atingir e com a apresentação das alternativas em que a grande maioria dos portugueses se reconhece: a defesa dos princípios constitucionais da saúde e da educação públicas para todos os cidadãos.
O segundo erro dos seguristas mais inconformados com o peso da sua derrota tem a ver com o facto de não compreenderem o quão alargado pode ser hoje o tipo de mensagens políticas, que António Costa pode  subscrever: quando tanta gente de direita já se dissociou de qualquer identificação com as linhas políticas subscritas por passos coelho, seria estulta a atitude de só falar para elas e para os setores sociais, que representam, quando há tanto apoio eleitoral a conquistar à esquerda, tanto mais que os comunistas, por mais rejuvenescidos que se reivindiquem, continuam cristalizados nos labirintos do seu pensamento único, e os bloquistas acabaram de dar mais um passo em frente para o abismo da sua total irrelevância.
Bem podem as feliciascabritas e os correiosdamanhã persistirem em lançar lama para o Partido Socialista, a pretexto ou não da infâmia cometida contra José Sócrates, que estão criadas as condições para alcançar uma grande maioria absoluta nas legislativas de setembro de 2015.
Seria positivo que os seguristas portuenses tivessem a mesma inteligência de Álvaro Beleza, capaz de pôr o Partido à frente de qualquer ferida, que o processo das Primárias lhe tenha intimamente causado. Mas convenhamos que, a exemplo dos bloquistas, essas vozes internas dispostas a alimentar  o tipo de clima em que se viveu nas secções e nas concelhias entre maio e setembro, estão condenadas ao fracasso. Quem esteve no pavilhão da FIL neste fim-de-semana e ouviu o clamor de entusiasmo com que foram ouvidos Ferro Rodrigues, Manuel Alegre, Sampaio da Nóvoa e António Costa sentiu bem o sentimento de esperança e de determinação com que os socialistas irão enfrentar os combates dos próximos meses. 

Dançar o tango numa garagem de Lima

A conferência da ONU ontem iniciada em Lima parece estar a criar expectativas mais positivas do que o costume para que se se venham a tomar medidas concretas de salvaguarda das condições de vida no planeta mediante um melhor controlo das alterações climáticas. O facto de EUA e China aparecerem coligados no objetivo de reduzirem as respetivas emissões de gases para a atmosfera consubstancia no essencial essa esperança.
Mas o acontecimento político suscita-me a recordação de uma passagem pela capital do Peru já lá vão uns bons vinte cinco anos.
Ia à espreita das encantadoras e decadentes vivendas coloniais, que tinham testemunhado passados bem mais florescentes, quando, numa avenida, vi grande aparato de bombeiros a combaterem um incêndio, que já lavrava nalguns dos andares mais elevados de um prédio com outros sete ou oito.
Até aí tudo normal. A surpresa foi que, mesmo ao lado desse edifício, ficava uma garagem térrea onde reinava grande animação. Pela porta bastante ampla, onde estava quem cobrava bilhetes de entrada, viam-se casais a dançar animadamente ao som de um grupo musical sem sequer ponderarem na possibilidade de se informarem do que se estava a passar na rua. Nem a curiosidade nem uma elementar precaução de segurança os levava a abandonar o entusiasmo pelo tango,  que os fazia desenhar figuras de belo estilo.
Diria ali testemunhar uma boa metáfora sobre os tempos atuais: apesar de estarmos tão próximos do perigo há quem o ignore ostensivamente como se apenas interesse prazer colhido no instante presente.
Espero que o facto da conferência estar precisamente a decorrer em Lima não lhe associe o estado de espírito, que então ali parecia reinar. Porque os sinais de inquietação sobre a sustentabilidade da vida na Terra continuam a justificar-se plenamente.

Israel: o roubo dos recursos naturais dos palestinianos

A Suécia deu o primeiro passo e agora são vários os países europeus, que se preparam para reconhecer oficialmente o Estado da Palestina.
O óbvio já se concluíra há vários anos, mas a progressiva radicalização do regime israelita só tem confirmado a impossibilidade de dele conseguir o que a ONU há muito aprovou em forma de resolução: deverão existir dois Estados independentes e sustentáveis entre a Síria, o Líbano, a Jordânia e o Egito, com as fronteiras a separá-los de acordo com o que eram em 1967.
A construção de novos colonatos e a própria existência do muro, que os separa das populações erradicadas dos territórios abusivamente ocupados demonstra bem como a pressão sobre quem manda em Telavive tem de se incrementar. Por ora os israelitas procuram espoliar o mais rapidamente possível os palestinianos dos recursos, que possuem. Um dos melhores exemplos desse revoltante roubo provem da industria petrolífera israelita, que é uma das mais secretas do país. Quando as câmaras das televisões estrangeiras procuram aproximar-se dos locais onde operam as brocas das torres de perfuração, são instadas a afastarem-se para o mais distante que dali possam ser empurradas.
Não admira: de acordo com os geólogos palestinianos, 85% das reservas exploradas pelos israelitas ficam em território palestiniano e valem 225 mil milhões de dólares. Uma riqueza que tanta falta faz para garantir o desenvolvimento económico do novo Estado.
A exploração dos recursos palestinianos constitui hoje em dia um dos problemas a ser encarado seriamente pela comunidade internacional. Porque, depois da água, da terra e dos minerais, os palestinianos temem ver-se sem os meios necessários para garantirem a legitimidade das suas pretensões independentistas. 

O inferno das metanfetaminas

Aqui ainda não terá chegado tal flagelo, pelo menos com a dimensão aparentemente descontrolada com que sucede na parte oriental da Alemanha: os cristais de metanfetamina têm um enorme sucesso por bastarem para aguentar um fim-de-semana inteirinho sem comer nem dormir.
Estimulando o sistema nervoso central cria uma dependência muito mais acelerada do que as demais drogas que veio substituir.
Para produzir semanalmente entre 10 a 50 kgs de tais cristais - que também podem adotar a forma de pó ou de comprimidos - bastam alguns bidões, um bico de bunsen e três garrafas de gás. Vendida por 30 a 40 euros por grama é uma droga barata, que tem particular sucesso nas camadas mais pobres da população.
Um dos países europeus onde mais se produz é a República Checa onde o negócio está controlado por mafias vietnamitas. O que justifica a cooperação cada vez mais intensa entre as polícias desse país e dos estados alemães da Baviera e do Saxe para estancarem a progressão dos problemas, que causam nos respetivos sistemas de saúde pública.
Por ora há mães hiperocupadas, que caem nas malhas desta dependência para conseguirem aguentar toda a carga, que lhes cabe no local de trabalho e em casa ou quem, vivendo miseravelmente, tem de arranjar mais do que um emprego e por isso consome os cristais como forma de se manter acordado horas a fio.
Para além do lado criminoso do tráfico, que gera, esta droga está bem à medida de uma sociedade entregue ao capitalismo mais selvagem onde se encontram formas enviesadas para suportar horários desumanos, que apenas garantem com que sobreviver.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Por muito que lhes custe admitir é, até ver, um preso político!

O texto assinado pelo artista plástico Leonel Moura na edição de sexta-feira do «Jornal de Negócios» diz tudo quanto eu penso sobre o caso de José Sócrates: da forma como foi detido, acusado e encerrado em Évora em prisão preventiva, ele faz jus à memória de outros tempos, quando o salazarismo tratava de expedir sumariamente para o Aljube ou para Caxias, quem lhe caía nas garras. Sem justificação, sem direito a um tratamento minimamente justo. Na sua arrogância, carlos alexandre equipara-se aos juízes do antigo Tribunal da Boa Hora, que não precisavam de se justificar para silenciar os oposicionistas nas prisões do regime.
Compreende-se, pois, a indignação de Mário Soares perante tal infâmia. Não foi ele quem testemunhou e procurou defender os presos desse tempo de abuso policial e judicial, que julgávamos definitivamente banidos da nossa realidade?
O que Leonel Moura escreve, subscrevo-o por inteiro: “Não acredito na culpabilidade de José Sócrates. Não acredito que seja corrupto ou que tenha desviado dinheiros. Continuo também a pensar que foi o melhor primeiro-ministro que Portugal teve desde o 25 de Abril. Facto que, em parte, justifica porque foi e é tão atacado. São muitos os portugueses que apreciam a mediocridade, que odeiam quem faz e têm como única atividade o dizer mal de tudo. Infelizmente faz um género. Bem conhecido. “
E tal como ele também acredito na justeza da forma como António Costa trata este caso: os dirigentes socialistas têm a responsabilidade de resguardarem as emoções para garantir que se salvam as aparências do Estado de Direito, que aqui parece tão posto em causa.
Mas nós, os militantes de base, não podemos calar a  revolta quando ouvimos barbaridades a sair da boca desses que apenas apreciam a mediocridade e tanto se sentem confortados enquanto fossam na imundície, que lhes garante as imerecidas prebendas de quem se vende por meros pratos de lentilhas!

«Preso político», Leonel Moura, Negócios, 27/11/2014

A frase mais repetida nos últimos dias "à justiça o que é da justiça e à política o que é da política" é uma treta e não quer dizer rigorosamente nada. A justiça em Portugal é altamente politizada e a política usa e abusa da justiça como arma de arremesso partidário.
É raro o caso que não provoca "alarme social" e intermináveis trapalhadas. Casa Pia, Freeport, submarinos, Face Oculta, Vistos Dourados, só para citar alguns, mais do que casos de polícia foram e são casos de política. O sistema não parece conseguir ou querer cumprir os preceitos básicos do estado de direito e desde logo os da autonomia e imparcialidade.
As constantes fugas de informação e um segredo de justiça que não é segredo nenhum e serve sobretudo para condenar os arguidos na praça pública são a face visível do estado de degradação a que se chegou. A isto acrescenta-se o circo mediático com a escolha seletiva de jornalistas sem escrúpulos a quem é passada informação tendenciosa.
Neste contexto não se pode acreditar em nada. Ao contrário do que afirma o Presidente da República as instituições em Portugal não funcionam, não têm credibilidade e são, muitas das vezes, o principal foco de instabilidade política e pública. O país sofreu uma enorme degradação nestes últimos anos. Não só económica, mas ética. A democracia também. Portugal é hoje menos democrático do que há quatro anos. Um bode expiatório não basta para resolver o problema.
O caso de José Sócrates é mesmo uma infâmia. O ex-primeiro-ministro sofreu ao longo dos anos uma assanhada perseguição, recheada de inventonas, insinuações, intrigas que culminaram agora neste ato extremista recheado de episódios absolutamente inaceitáveis. A detenção para interrogatório, a orquestrada exposição mediática só para humilhar, a injustificada prisão preventiva.
O princípio de uma justiça isenta, imparcial e ética não passou por aqui. Até porque ao contrário do que se repete à exaustão, de forma ligeira, não somos todos iguais. Um ex-primeiro-ministro não é um cidadão comum. Mas alguém que, pela relevância nacional e internacional do cargo que desempenhou, exige um tratamento excecional. Não o da ocultação de algum ato ilícito, mas precisamente o do esclarecimento cabal e detalhado das acusações que lhe são feitas. Não se prende um ex-primeiro-ministro sem explicar muito bem e sem sombra de dúvidas as razões. Não se pode seguir a norma do prende-se primeiro e investiga-se depois. Já de si inaceitável para qualquer cidadão é inadmissível para quem foi eleito duas vezes para o cargo de primeiro-ministro pelo povo português.
O país continua assim à espera das devidas explicações. Sobretudo da Procuradoria-Geral da República. Não há nenhuma normalidade na atual situação, por muito que o repitam.
Da forma como se desenrolou este processo e perante a incapacidade dos responsáveis em esclarecer a opinião pública, José Sócrates é por isso e por agora um preso político. E como tal deve ser tratado. Daí a importância da visita de Mário Soares. Para quem já tem uma certa idade ou conhece a história deste país, não pode deixar de se recordar de outros tempos. Mário Soares, como se sabe, foi nessa época advogado de vários presos políticos.
Mas não desejo desviar as atenções do essencial. Não acredito na culpabilidade de José Sócrates. Não acredito que seja corrupto ou que tenha desviado dinheiros. Continuo também a pensar que foi o melhor primeiro-ministro que Portugal teve desde o 25 de Abril. Facto que, em parte, justifica porque foi e é tão atacado. São muitos os portugueses que apreciam a mediocridade, que odeiam quem faz e têm como única atividade o dizer mal de tudo. Infelizmente faz um género. Bem conhecido.
Dito isto, que é o que tem de ser dito, sobra o problema para o Partido Socialista. De novo, já que esta é uma história recorrente. Andou bem António Costa em não permitir a natural sublevação. O PS não pode cair na armadilha. Por muito que custe, o partido tem de seguir o seu caminho e preparar-se para conquistar o poder nas próximas eleições. Trata-se agora, mais do que nunca, de repor a dignidade nacional em toda a sua extensão. 

Um brilhante discurso

Realmente é verdade: os políticos não são todos iguais!

A expressão «XX Congresso» apela a reminiscências interessantes para quem se interessa por um pouco de História. No ano em que nasci - 1956 - ocorreu o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética no qual Nikita Kruschev pôs um ponto final na linha anteriormente seguida por Estaline.
Independentemente do juízo de valor, que se possa ter sobre esse acontecimento, ele ficou na História do século XX como um dos seus mais marcantes pontos de viragem.
Transitando agora para outro XX Congresso, desta feita o do Partido Socialista, só posso congratular-me enquanto militante por ele ter excedido as minhas já elevadas expectativas. De facto, muito embora o sucedido com José Sócrates tenha estado presente na mente de todos quantos ali fomos participar como delegados ou espectadores, não condicionou de forma alguma o sucesso dos trabalhos, que representaram um passo em frente para a desejada maioria absoluta, de que o país está tão carecido. Porque só um governo sustentado numa maioria política e social muito representativa poderá concretizar as medidas necessárias para que se corrijam as desigualdades acentuadas nestes três anos e se consiga a política de crescimento económico capaz de devolver a esperança aos portugueses.
Essa foi até uma das frases emblemáticas deste Congresso, primeiro proferida por Manuel Alegre e depois retomada no discurso final de António Costa: o pior que o governo de passos coelho fez aos portugueses foi privá-los do direito à esperança num futuro melhor para si e para os seus filhos! E esse será o primeiro direito a resgatar na própria noite em que António Costa for consagrado como o próximo primeiro-ministro de Portugal.
Muito embora as televisões generalistas tenham dado uma importância imerecida às reações dos convidados dos outros partidos, que estiveram presentes na sessão de encerramento deste domingo, foi pena que não tivessem possibilitado a todos os portugueses o acesso pleno aos dois discursos de António Costa, cingindo-o apenas aos clientes das televisões por cabo. Porque essas notáveis dissertações conseguiram explicar cristalinamente as diferenças abissais entre os socialistas e a direita. Nesse aspeto, passos coelho tem absolutamente razão: «os políticos não são todos iguais!», mas em vez de utilizar abusivamente a expressão para tentar mais uma canelada traiçoeira no seu antecessor, ele deveria ter presente quanto ela faz sentido pleno se o compararmos com António Costa. Porque não tem qualquer capacidade para criar uma estratégia de saída do país, enquanto o novo secretário-geral socialista apresenta uma Visão bem sustentada em argumentos sólidos sobre os rumos a dar à boa governação do país. Porque  só se preocupa com os credores e com os que olham avidamente para as derradeiras joias da Coroa do que foi o outrora relevante setor empresarial do Estado, enquanto o seu mais do que provável sucessor preocupa-se com as pessoas, com as que não têm emprego e com as que mal sobrevivem com as pensões de miséria, com as crianças com fome e com os jovens sem emprego, com os que querem ter direito a serem pais adotivos e com as mulheres vítimas de violência doméstica, entre muitas outras carecidas de soluções para os seus problemas pessoais.
Poderíamos dizer que se trata de comparar um tecnocrata com um humanista, mas nem disso se trata: passos coelho nem àquele epíteto poderá aspirar, ele cujos traços de carácter vão sendo definidos entre a repugnante sonsice e a miopia mais absoluta.
António Costa começou agora a longa jornada para a tal manhã límpida, que nos fará sair de vez desta opaca noite onde tantos têm padecido. Nele encontrarão o rosto de uma reencontrada esperança! E esse também será um brilhante ponto de viragem na História do século em que vivemos!