terça-feira, 9 de setembro de 2014

Porque será que as televisões não mostram os milhares que apoiam António Costa?

Impossibilitado de acompanhar as notícias televisivas durante a noite, cheguei à madrugada e liguei para a SIC Notícias para ver como abordariam o jantar de apoio a António Costa, que decorrera entretanto no Terreiro do Paço.
Porque será que não fiquei surpreendido com a forma como o canal de Balsemão abordou o assunto?
Primeiro mostrou Seguro, rouco, em Valongo, a dizer as banalidades do costume e só depois mostrou Costa, exatamente no mesmo tipo de enquadramento fechado, apenas com o palco e o orador, a discursar para uma plateia, que as câmaras escusaram-se completamente a revelar. Para os diretores de informação daquele canal parecem causar incómodo os 1200 participantes no evento do Páteo da Galé, que se somam aos mais de 2000 em Matosinhos ainda na véspera.
É claro que os donos dos jornais e das televisões, todos ligados umbilicalmente à Direita, estão a ver a dinâmica da candidatura de António Costa pôr um ponto final nas ilusões, que pudessem ter quanto à possibilidade de virem a ter Seguro como vice-primeiro-ministro de um elenco ministerial com aquilo que gostam de designar como os «partidos do arco da governação», e em que, parafraseando o Príncipe Salinas do «Leopardo» de Lampedusa, alguma coisa parecesse ter mudado para que tudo ficasse na mesma.
Mas essa entorse quotidiana á verdade também conheceu insólita expressão com um dos jornais do angolano Álvaro Sobrinho - onde Luís Osório acabara de ser empossado como diretor adjunto - que despachou para a primeira página a versão segurista das primárias, onde o davam como perdedor da maioria das Federações, mas onde supostamente os seus candidatos teriam recolhido mais votos.
Essa falácia, que permite aos brilhantes e aos belezas ainda semearem ilusões por mais alguns dias, cai logo pela base com o sucedido no Porto, onde os cerca de 4750 votos de José Luís Carneiro foram contabilizados integralmente como seguristas, quando na realidade essa lista resultara de uma negociação entre aqueles e os apoiantes de Costa, pelo que nunca caberiam integralmente a um dos lados. Mas mais eloquente ainda terá sido a expressão da abstenção - mais de 75% dos militantes! - que fizeram exatamente o que eu próprio faria se morasse no distrito: por muito que se tratasse de uma aparente «lista de unidade» nunca me contaria entre os votantes do presidente da câmara de Baião, tendo em conta o seu papel na ascensão do ainda secretário-geral.
Que ainda sobre no campo segurista quem queira acreditar em tal falácia, diz tudo sobre o estado de alma de que se mostram reveladores. Depois dos insultos, das difamações e das mentiras, já sobram poucos truques para manter viva a chama que esmorece dia a dia. E, nas imagens colhidas em Vialonga, Seguro pode ter ensaiado mais uma tática primária: depois das pieguices e dos queixumes, que a tantos já fizeram lembrar Calimero (que coitado bem pode reclamar a injustiça de o associarem a tal réplica!), apareceu rouco, quase incapaz de discursar!
Se a sua cara metade não fosse farmacêutica ainda se poderia compreender o lado doentinho por conta da negligência do seu staff. Mas sabendo-se como lhe bastaria colher conselho em casa para nunca chegar ao estado quase afónico é caso para nos questionarmos se, sem nada de particularmente motivador para dizer, não quererá imitar Jerónimo de Sousa que, há alguns anos atrás, suscitou um insólito movimento de simpatia por comparecer a um debate televisivo sem conseguir articular quase nenhuns sons. É que , só nesta semana, serão duas as ocasiões em que os portugueses poderão ver frente-a-frente a sua inconsequência em comparação com a solidez e o discurso substantivo de António Costa!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Será que eles já terão aprendido alguma coisa?

Embora não tenha grandes ilusões quanto ao seu sucesso, não posso deixar de sentir uma empatia afetiva com quantos procuram melhorar o mundo com movimentos contestatários assentes no conceito da desobediência civil.
Nos anos mais recentes temos conhecido diversos equívocos sobre algumas desses tentativas de revolução não violenta, os mais evidentes com as Primaveras Árabes que, ora deram origem a ditaduras ainda mais ferozes do que as anteriormente existentes (o caso do Egito), ora permitiram o crescimento inquietante do jiadismo na Líbia, na Síria ou no Iraque.
Mesmo nos casos em que se chegaram a alimentar algumas expectativas mais otimistas - com os Occupy Wall Street ou com os Indignados da Plaza Mayor em Madrid - o fôlego inicial deu origem a uma ressaca mais ou menos brutal.
Até mesmo em Portugal tivemos algo de semelhante com a expressiva multidão, que invadiu as ruas de Lisboa em 15 de setembro de 2012, logo reduzida a um número bem menor de manifestantes na triste réplica de 2 de março de 2013.
Vem isto a propósito do documentário «Everyday Rebellion» de Arash e Arman Riahi, que acaba de estrear nas salas alemãs. Nele os realizadores abordam os diversos movimentos contestatários dos últimos anos e tentam perceber-lhes as táticas criativas destinadas a tomar a via mais expedita até à Utopia de um mundo melhor, menos desigual e mais fraterno.
A conclusão passível de retirar de tal filme - embora não seja essa a intenção dos realizadores - é a de que de bem intencionados inconsequentes está o mundo cheio. Restando assim duas alternativas: a da esquerda mais radical que olha para a Revolução como algo muito distinto de um convite para jantar, acedendo-lhe por via de uma mais do que improvável  insurreição bolchevista, ou procurar antecipa-la através do esforço transformador da ação militante na via socialista para avançar passo a passo, e evitar assim os retrocessos inerentes a arriscarem-se objetivos intangíveis no imediato.
Os portugueses têm sentido na pele as provas dolorosas da incompatibilidade entre essas duas formas de se pretenderem alcançar a sociedade sem classes: ao derrubarem o governo de José Sócrates com o alibi dos custos inerentes ao PEC IV, essa esquerda radical foi cúmplice do tremendo retrocesso social destes três anos.
Terá sido essa perspetiva intransigente perante princípios de que não pretenderiam abdicar, que garantiu todas as malfeitorias empreendidas pela Direita para reverter tudo quanto ainda sobrara da Revolução de Abril.
Em consciência poderão os comunistas ou os bloquistas considerar que terá sido melhor derrubarem Sócrates do que impossibilitarem a estratégia de quem fez de passos coelho sua marioneta para reduzir custos sociais, privatizar tudo quanto ainda poderia representar lucros quem veio às compras de empresas rentáveis e retirar direitos a quem trabalha?
Esperemos que, com o novo ciclo de mudança aberto em 28 de setembro e a expectante vitória de António Costa, essa mesma esquerda revele a inteligência de mostrar ter, entretanto, aprendido alguma coisa! Porque as mudanças a implementar também carecem do contributo dessas forças políticas e sociais! 

domingo, 7 de setembro de 2014

Corrupções, amizades e derrotas anunciadas

1. Ontem, de manhã, encontrei-me à saída de casa com um vizinho comunista. Após os cumprimentos do costume, ele mostrou-se radiante com os resultados da condenação dos arguidos no processo «Face Oculta». Parecia que, por uma vez, David tinha vencido Golias!
Não foi, porém, difícil relativizar-lhe o contentamento, quando comparando os milhares de euros envolvidos no caso do negócio das sucatas, lhe ripostei com os auferidos impunemente por Jardim Gonçalves, Dias Loureiro, Ricardo Salgado e por todos quantos à conta dos seus negócios da banca embolsaram milhões, que estão a ser pagos pelos contribuintes sob a forma de impostos e de cortes nas pensões ou nos investimentos na educação ou na saúde. Para já não falar do exemplo de Eduardo Catroga que cobra legalmente na EDP alguns milhões de euros à conta da sua participação ativa na lógica privatizadora do governo de passos coelho e de paulo portas.
É o que continua a ser lamentável numa certa forma de abordagem da realidade pelos comunistas: olham para a árvore, mas esquecem-se de levar em conta a floresta.
2. Mas quanto ao julgamento de Aveiro ainda há muito a dizer sobre o sucedido com as escutas telefónicas entre José Sócrates e Armando Vara: o coletivo de juízes, que anda a ser incensado por alguns pela mão pesada com que penaliza os crimes de colarinho branco, não deixa de ser aquele que cometeu voluntariamente um crime ao desrespeitar a ordem do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça para a destruição desses registos e as manteve em lume brando de forma a possibilitar a continuação da campanha dos «pistoleiros do costume» no anseio nunca refreado de  enlamear a estatura moral do antigo primeiro-ministro.
A expressão entre aspas foi a por ele utilizada no seu regresso ao programa de comentários semanais na RTP e no qual pode denunciar, uma vez mais, essa campanha insidiosa dos pasquins do patrão da Cofina ou do angolano Álvaro Sobrinho, a mando de interesses muito mais vastos ainda por clarificar.
Mas  tal campanha prosseguiu na própria RTP que, em manifesto desrespeito pelo seu comentador, agendou, igualmente para ontem, uma peça «jornalística» sobre a figura do ex-agente da Judiciária responsável pela recolha das escutas e  em que continua a afiançar aquilo que o próprio coletivo de juízes de Aveiro nega: que elas tivessem o que quer que fosse de comprometedor para com o foco do seu evidente ódio de estimação. Esse ex-polícia é a face visível da campanha denunciada por Sócrates continuando a prestar-se ao papel de assassino a soldo, que dispara e se presta a continuar a disparar em função da sua enviesada noção da realidade.
3. Da Opinião de José Sócrates ainda dois apontamentos adicionais, que importa sublinhar: confirmando aquilo que já dele se sabia - o valor inestimável do conceito de amizade -  não quis deixar de enviar uma mensagem pessoal de apreço por Armando Vara e Paulo Penedos.
Políticos mais calculistas e menos confiantes em si mesmos, calariam essa tomada de posição ou apressar-se-iam a colar-se ao coro dos justiceiros. Pelo contrário, Sócrates age de acordo com a sua consciência, confiando na inocência de ambos e na forte probabilidade de lhes vir a ser feita justiça.
Quanto às Primárias do Partido Socialista ele reitera aquilo que só os seguristas não querem ver, mas já é compreendido pela maioria dos portugueses ouvidos na sondagem da Aximage: que a Direita teme seriamente a possibilidade de António Costa vir a liderar a Oposição no período em falta para as eleições legislativas. E por isso não tem hesitado em denegri-lo ou menoriza-lo. Sem sucesso, tanto quanto se consegue perceber dos sucessivos indicadores e notícias, que vão surgindo no dia-a-dia. Nomeadamente quanto à indisfarçável derrota de Seguro nas eleições internas deste fim-de-semana.
4. Procurei evitar qualquer comentário sobre a entrevista de António José Seguro a Fátima Campos Ferreira, mas a revisão de alguns dos seus momentos mais eloquentes pelo «Inferno» do canal Q permite concluir que se o ridículo matasse só António Costa chegaria vivo a 28 de setembro.  Porque nem o ainda secretário-geral do PS, nem ninguém da sua corte, consegue discernir que aquele tipo de «boneco para iludir palecos» já não cola. E só confrange quem é obrigado a reconhecer que, ainda por mais algumas semanas, tem-se naquele cadáver adiado o suposto máximo representante do principal partido de oposição!

sábado, 6 de setembro de 2014

Ganha uma batalha, vamos lá à vitória definitiva!

Hoje é o dia de celebrarmos a excelente vitória de Ana Catarina Mendes para a Federação Distrital de Setúbal.
Ela é tanto mais saborosa quanto ocorrida numa das poucas estruturas  federativas que, quando chamadas a pronunciarem-se para a possibilidade de se anteciparem as Diretas e o Congresso - evitando-se esta penosa espera de quatro meses! - tinha votado maioritariamente pelo não.  Embora já então a relação de forças entre quem apoiava o ainda secretário-geral e quem defendia a mudança quase se igualasse!
Recordemos que, por essa altura já um número muito significativo de Federações tinham votado pelo sim, embora sem conseguirem totalizar o número suficiente de apoios para que a Comissão Nacional decidisse em sentido contrário.
Constatou-se, assim, que essa maioria conjuntural a favor de António José Seguro já não correspondia ao sentido pelos militantes do distrito. Que, desde então e sempre que surge a oportunidade para manifestar o apoio a António Costa a nível nacional e a Ana Catarina Mendes para a Federação, têm comparecido às centenas.
E se há tanto a fazer por todo o distrito para que o crescimento económico e a criação de emprego possam contribuir para a alavancagem de um processo destinado a transformar Portugal e a libertá-lo do ciclo de pauperização imposto pela Direita em aliança com a troika.
Muito embora ainda desconheçamos o resultado das votações nas demais Federações - embora na FAUL em Évora e em Leiria também tenham sido os candidatos em sintonia com António Costa a ganharem! - é crível que esta onda de mudança e de reencontro do Partido Socialista com a sua matriz histórica tenha expressão em quase todo o país.
Tenho esperança em que José Luís Carneiro, no Porto - e só porque concorre em lista única! - seja uma das poucas exceções a tal regra, por muito que as irregularidades em Braga, em Coimbra e em Santarém tivessem procurado evitar esta viragem qualitativa.
Mas, depois das comemorações das próximas horas, não é altura de baixar a guarda. Porque, se a tendência para a colagem aos vencedores possa influir positivamente para o resultado de António Costa no dia 28, haverá igualmente que contar com os que nada têm a ver com o Partido Socialista e ouviram Marcelo considera-lo como o adversário mais perigoso para a Direita, para alguns se apressarem a recensearem-se como simpatizantes a fim de dificultarem ao máximo aquela vitória anunciada.
Temos, pois, três semanas pela frente para não deixarmos escapar a oportunidade histórica de darmos ao país a garantia de um governo forte e competente!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A mudança que se vai anunciando de todas as direções

Conhecemos de sobejo a apetência dos apoiantes de António José Seguro pelas sondagens dos institutos de opinião em vez das que realmente foram colhidas nas urnas, seja nas autárquicas, seja nas europeias.
Não era uma das suas mais tenazes argumentações a de que, antes de António Costa se declarar disponível para disputar a liderança do partido, o PS já se abeirava da maioria absoluta?
Que me lembre nunca nenhuma atribuiu mais do que 36% ao PS - o que, convenhamos, ainda significaria uma distância relevante desse objetivo - mas nenhuma delas contemplava as alternativas representadas por marinho pinto e pelo Livre enquanto opções de protesto para quem não estava satisfeito nem pela coligação PSD/CDS nem pelo PS de Seguro. Os resultados eleitorais dos últimos meses, acabaram por revelar-se fatais para as pretensões de António José Seguro em vir a ser primeiro-ministro.
A sondagem agora publicada no «Jornal de Negócios» e da responsabilidade da Aximage só vem confirmá-lo, porque não só Costa supera claramente Seguro no confronto direto (60,9% vs. 26,4%), mas também é o único capaz de vencer passos coelho.
Colocados perante a alternativa entre passos e seguro, os inquiridos preferiram o ainda primeiro-ministro (42,6% vs 40,1%), mas quando passa a contemplar o mesmo passos a António Costa, este ganha com 63% contra 32%.
Estes números demonstram eloquentemente o acerto de António Costa na interpretação do que estava em causa depois das europeias e o incitou a avançar.
É perante a mudança iminente que há tantos seguristas em pânico, porque ocupam ou esperavam vir a ocupar empregos decorrentes da sua associação ao ainda secretário-geral. Agora sentem-nos seriamente em perigo e lembram uma conhecida citação de Bertrand Russell, segundo a qual “o medo coletivo estimula o instinto de rebanho e tende a provocar a fúria para com aqueles que não são vistos como membros do rebanho” . Daí que inundem as redes sociais com insultos, difamações e mentiras de um tal primarismo, que dá para pensar se, no seu perfeito juízo, acreditam deveras nessas enormidades.
Por culpa de António José Seguro - que impôs quatro meses de permeio entre o desafio de António Costa e as eleições primárias - ainda continuaremos a prosseguir nesta disputa interna, apesar de, à nossa volta termos 55% dos desempregados sem subsídio de desemprego ou o Estado já ter comprometido no resgate do BES o equivalente a 2,9% do PIB. Exemplos de questões sobre as quais o principal partido de Oposição deveria assumir posições com discursos mais contundentes do que a cinzentude inócua dos proferidos pelos quase anónimos personagens, que Seguro tem mandatado para comentar em seu nome a realidade política quotidiana.
E, no entanto, todas as circunstâncias estão a mudar por muito que passos coelho ou António José Seguro pareçam não dar-se conta disso. Um deles vai ao encontro de um dos pilares da mudança anunciada por António Costa: apesar do desagrado de Schauble e do pupilo deste no Bundesbank: Mario Draghi está a criar as condições para a tal flexibilização do Tratado Orçamental, que permita o fim da deflação e do incipiente crescimento que ameaça gripar a locomotiva europeia.
O que só valida as propostas de António Costa como sendo as mais consistentes! 

Os obstáculos que terão de ser vencidos!

Há uma dificuldade a ser contrariada pelo novo governo socialista que esperamos ver eleito em 2015 e liderado por António Costa:  os comissários e o presidente do Conselho Europeu, que procurarão perdurar o ideário schaubliano nas instituições comunitárias e de que vítor gaspar, maria luís albuquerque e carlos moedas têm sido porfiados arautos.
Para que a economia portuguesa retome o crescimento e a competitividade perdidas desde o início do século, haverá que contar com ventos de mudança já percetíveis, mas contrariados pela visão fundamentalista dos cultores da austeridade.
No seu artigo de opinião desta semana no «Económico», João Galamba constata que “quando  vemos Maria Luís Albuquerque dizer que ‘enfrentámos ao longo deste três anos a maior crise dos últimos 80 anos’ percebemos melhor o que se passa. Mais do que o dogmatismo ideológico de Vítor Gaspar, a atual ministra das finanças decidiu apagar da sua memória a verdadeira crise, a que começou em 2007/8, e inventou outra, que terá começado algures em Junho de 2011.”
Quando nos espantamos com o fanatismo dos que, em nome da religião, degolam jornalistas no Iraque, assassinam mulheres à porta das clínicas de aborto americanas ou bombardeiam civis inocentes em Gaza ou no Afeganistão, encontramos a mesma linha de pensamento dos que, no governo de passos coelho e de paulo portas, têm conduzido as políticas económicas de conluio com os enviados da troika. Em todos eles encontramos a mesma cegueira em interpretar racionalmente a realidade. Voltando ao mesmo artigo de Galamba, “Maria Luís Albuquerque não percebe que vivemos uma crise que é da exclusiva responsabilidade de quem, como ela, insiste em pôr em prática políticas que são tão absurdas e irracionais que até o BCE as contesta.”
Quem ainda continua a apoiar o PSD e o CDS poderá pensar que existirá aqui algum exagero ao associarem-se responsáveis políticos deste governo com quem vê as mãos manchadas pelo sangue das suas numerosas vítimas. Mas, se pensarmos em quantas pessoas se têm suicidado nestes três anos por terem perdido empregos e casas e se veem completamente abandonados por lhes serem negados os mínimos apoios sociais, poderemos concluir que as diferenças entre esses fanatismos só existem na aparência, porque, na realidade, saldam-se pelos mesmos efeitos. Para não falar do muito desespero, que se esconde por trás do silêncio pesado das paredes ou nos vultos adormecidos à noite na estação do Oriente ou nas avenidas da capital.
É por isso que em 2015 será fundamental erradicar tais desvairados da política nacional, valendo para tal um Partido Socialista forte e unido como o que António Costa promete reconstruir a partir do dia 29 de setembro. Por isso um dos seus pilares estratégicos passará por combater arduamente as tentativas de donald tusk e de comissários como carlos moedas para manterem as teses criminosas de hayek, o guru que lhes move todas as sinapses cerebrais.
Tem sido tenebrosa a herança, que passos coelho está a tratar de legar a quem lhe sucederá: para além da situação social calamitosa, da dívida soberana descontrolada e da estrutura produtiva de bens e serviços desajustada dos desafios do presente, ainda deixa para trás quem tudo fará para travar o rumo determinado pelo qual os portugueses quererão libertar-se do estigma do subdesenvolvimento para o qual   estes três anos os quiseram condenar…
Perante a nomeação desse carlos moedas - que se adivinha como um dos principais culpados ideológicos por tudo quanto os portugueses têm sofrido - só podemos lamentar as cenas tristes a que António José Seguro se sujeitou ao validar com a sua presença inócua e com a não confirmada expectativa de algum consenso, o processo dessa designação inquinada á partida pela arrogância ignorante do ainda primeiro-ministro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

E as salas enchem, enchem!!!

É perfeitamente compreensível o nervosismo que  os apoiantes de António José Seguro vão demonstrando nos últimos dias ao constatarem como a dinâmica da campanha das primárias e das eleições federativas vai correndo nitidamente em seu desfavor.  As intervenções de António Galamba e de Maria José Gonçalves revelam o típico desespero dos que se vitimizam para sensibilizar eventuais corações piegas, mais propensos a pensarem com as emoções do que com a razão.
Enquanto a campanha do ainda secretário-geral vai prosseguindo sem chama nem acontecimentos que chamem a atenção do circo mediático, a de Costa mostra-se competente na forma como vai apresentando dia-a-dia novas demonstrações da sua força: ao apoio de quatro dirigentes históricos, seguiu-se o da maioria dos autarcas socialistas e já aí se anuncia a presença de José Sócrates num dos próximos eventos.
Compreende-se, assim, que na noite passada, tenham sido centenas os militantes e simpatizantes os que compareceram ao jantar na Costa da Caparica, sendo necessário extravasar para o terraço mais de metade dos presentes por não haver espaço físico suficiente na sala de jantar do hotel onde se verificou.
Socialistas históricos como Fernando Costa (o militante nº 3 do PS) e Edmundo Pedro corroboraram a ideia de que todos quantos contribuíram para o riquíssimo património do Partido com as lutas de há trinta ou quarenta anos estão com Costa.  Mas também estão os jovens da JS, cujo entusiasmo e empenhamento tanto enriquecem o Partido enquanto símbolos da sua permanente renovação. E também  pessoas de todas as idades e formação académica compondo um microcosmos muito representativo da realidade sociológica do país.
Foi para todos eles que o futuro primeiro-ministro de Portugal apresentou as suas ideias claras e bem estruturadas, que integram uma estratégia indispensável para fazer sair o país do impasse em que caiu nestes três anos.
Num momento do seu discurso António Costa  referiu aquilo que se sente: o Partido Socialista está a reencontrar os seus melhores momentos ao mobilizar-se no sentido de uma mudança que se revela indispensável.  A exemplo de outros grandes debates internos do Partido sobre a sua estratégia para o futuro, este ficará registado como um dos mais determinantes.
Simpaticamente para Seguro, Almeida Santos agradecera-lhe o facto de ter liderado o Partido neste período de transição. Mas a verdadeira transição começa a 29 de setembro, quando o Partido se unir para encetar a concretização da agenda para a década definida por António Costa. Contrariando a tese segurista em como, depois de tudo quanto ocorreu nos últimos anos, seria muito fácil governar a partir de 2015,  os desafios dos próximos anos serão exigentes e requerem competência e capacidade de gerar consensos alargados.
A meio da próxima década alguns dos que hoje estiveram na Costa da Caparica hão-de reencontrar-se  e recordar com nostalgia estes dias. É que eles representam o embrião de um processo que, então, já terá demonstrado plenamente a sua pertinência.
“Lembras-te como então tudo nos parecia tão difícil de virmos a conseguir?”, diremos uns aos outros.  E sorriremos de regozijo pelo orgulho de, na  medida das nossas possibilidades, também termos estado comprometidos nesse sucesso...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

As tecnologias da socialização

Sobre o fenómeno dos meets - que ainda se mantiveram na ordem do dia com a condenação de dois dos jovens transformados em arguidos na sequência dos incidentes do Centro Comercial Vasco da Gama - a abordagem jornalística mais interessante foi a subscrita por Daniel Oliveira no «Eixo do Mal» da SIC Notícias e no «Expresso» de sábado, onde analisou o fenómeno como resultado de uma mudança civilizacional cujos efeitos ainda estamos a descobrir: “Hoje graças à internet e às redes sociais, a socialização faz-se a tempo inteiro. Nunca se está só. A recusa da invisibilidade, a incapacidade de parar de comunicar e, ligada às duas coisas,  a morte desse luxo que é a privacidade é a parte mais assustadora desta revolução cultural.
Parece que as coisas não são realmente vividas se não forem partilhadas. São mais individualistas do que nunca, mas perdemos o direito a ser solitários.”
De facto é hoje impensável olhar para os adolescentes e não os vermos com os gadgets, que facilitam o estado de contacto permanente com a tribo em que se inserem. E é paradoxal como, momentaneamente ausente o grande sentido transformador das solidariedades coletivas, o suposto individualismo que o inviabiliza, é diluído numa espécie de alienação virtual em que sobra a ilusão de se contar com muitos amigos.
É uma geração, que desconhece o valor do silêncio, da leitura sem pressas e da reflexão solitária. Acreditando na importância do eu, restringe-o ao papel hedonista de um utilizador dos produtos da sociedade de consumo, mas sem ter os meios para os alcançar à medida dos seus desejos.
A frustração depressa advirá. Porque o horizonte é feito de desemprego ou de empregos precários e mal pagos. E, nessa altura, evaporada a adolescência, fica-se condenado ao isolamento de que se quis fugir até então. A menos que se continuem a procurar os antigos membros da tribo e se os vá descobrindo, com a mesma amargura e desencanto de que se almejaria fugir.
No seu texto Daniel Oliveira restringe os seus receios a uma vertente limitada do alcance deste fenómeno, embora excelentemente descrita: “A única coisa que me assusta? Que haja uma geração inteira que esteja a crescer sem conhecer o prazer de estar absolutamente só, sem nada para dizer e sem ninguém para ouvir. De sofrer sem plateia, ser feliz sem aplauso, engatar sem registo. Crescer sem rasto. É uma mudança radical esta ilusão de estar sempre acompanhado.”
Eu acrescentaria que se trata de algo que não poderá perdurar. Se novas tecnologias trazem sempre outros modos de exploração de mão-de-obra e mudança profunda de valores, as que agora geram os meets ainda estão no estado primitivo das consequências, que comportarão.
Enquanto pessimistas na razão, poderemos sempre temer que cresçam as depressões coletivas e o sucesso imparável da venda de mercadorias de grande consumo destinadas a prender as pessoas à obsessão pela sua posse e distraindo-as do que seria o seu interesse numa sociedade diferente e mais justa.
Mas, otimistas na vontade, podemos sempre reconhecer que, com a pauperização contínua da classe média vão minguando os compradores destas ferramentas. Por isso mesmo do desajustamento entre os desejos e a sua satisfação, crescerão as condições para que possa regressar essa ambição coletiva por uma sociedade menos iníqua.
Quem se ilude a pensar que as coisas (quer dizer esta sociedade baseada na exploração do homem pelo homem!) continuarão a ser como arrisca-se a passar por grandes e futuras surpresas...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O reconhecimento de quem tem História!

Adivinhávamos que Almeida Santos, Jorge Sampaio, Manuel Alegre e Vera Jardim estariam ao lado de António Costa na atual disputa pela liderança do Partido Socialista, mas a formalização desse apoio constituiu mais um dia negro para as hostes seguristas. Porque, depois de terem andado três anos a ignorarem o património histórico do Partido Socialista, dando por isso mesmo oportunidades soberanas à Direita para as confrontar com as suas contradições, essas hostes abanaram agora com a merecida resposta  de quantos fundaram e construíram o Partido durante quase quarenta anos e não o suportam ver posto em perigo por quem não os soube respeitar.
Hoje não são só os mais conhecidos de entre esses históricos, que estão com António Costa. Nas secções locais é fácil encontrar outros que, anónimos para a generalidade dos portugueses, ficaram conhecidos nas suas aldeias, concelhos e distritos por terem entrado no Partido desde há trinta ou quarenta anos, a ele deram muito do seu esforço sem esperarem nada em troca, e agora o veem tomado de assalto por quem nele veio procurar servir-se e não servir.
É por isso que o aval dos militantes mais antigos constitui poderoso estimulante para uma campanha, que sempre se orgulhou de todo o passado do Partido e, ao contrário dos adversários, não se empenhou em dissociar-se indignamente do balanço muito positivo dos seis anos de governação de José Sócrates.
Se os resultados nas autárquicas foram dececionantes e os das europeias ainda mais ilustrativos da incompetência de Seguro e dos seus apoiantes, é porque deixaram muitos portugueses cair no logro de que deveria esquecer-se tudo quanto Sócrates implementara. Deve-se-lhes a ideia ainda infelizmente muito disseminada em como a origem da crise explicava-se com as políticas internas, em vez das internacionalmente decorrentes do colapso da Lehman Brothers. Nunca se confrontaram os professores com o quanto perderam em acreditar em Mário Nogueira e em Nuno Crato e por isso votaram em massa contra o Partido Socialista tornando-se depois as maiores vítimas da sua iludida opção eleitoral. Nunca se explorou devidamente o forte argumento em como se terá devido aos governos de Sócrates a aposta em energias renováveis, que têm reduzido substancialmente o recurso a importações de hidrocarbonetos ou aumentado significativamente a sua exportação, quando já refinados, graças ao projeto visionário da nova central de Sines.
Nestes três anos assistimos a uma forma de oposição, que nos preocupava e até envergonhava, porque nunca tinha a coerência de um projeto sério de alternativa credível. Se um dia Seguro exigia a queda do governo, no seguinte já perguntava qual era a pressa. Se numa altura regozijava-se com as palavras do governador do Banco de Portugal, logo a seguir via o BES desmerecer da sua confiança e cair estrondosamente. Sem esquecer a benesse dada ao governo e ao patronato com a redução do IRC, que nem se traduziu em crescimento da economia nem em criação de novos postos de trabalho.
Deverá um líder ser tão incompetente? Poderá alguém com as características de Seguro vir a merecer a confiança dos eleitores portugueses, por muito que estejam mais que fartos de passos coelho e de paulo portas?
É por serem sábios nos seus conhecimentos e experiências, que Almeida Santos, Jorge Sampaio, Manuel Alegre e Vera Jardim quiseram expressar de forma tão clara a sua posição. E com ela ter-se-ão associado aos milhares de militantes e simpatizantes envolvidos na campanha «Mobilizar Portugal», que se batem pela alternativa de que o país tanto precisa… Um esforço que honra a tal História só por eles efetivamente venerada.


A omissão, a mentira e o antipatriotismo desta Direita

1. Na sua coluna semanal do «Expresso», Ricardo Costa formula o desejo de que o sucedido com o grupo da família Espírito Santo não se transforme numa arma eleitoral, ciente de como ela poderá ser letal para o Partido do seu patrão. E, no entanto, ele até elenca um conjunto de perguntas pertinentes, que carecem de resposta por parte do governador do Banco de Portugal:
· Porque permitiu um aumento de capital a um mês do colapso?
· Porque não forçou um pedido de ajuda ao Estado enquanto a troika cá estava?
· Porque não interveio mais cedo? Atrasou a intervenção para não prejudicar a “saída limpa”?
· Porque permitiu que a anterior administração continuasse em funções tanto tempo?
· Porque suspendeu administradores para depois os chamar?
· Em qual das decisões anteriores se precipitou?
Mas, é claro que as perguntas principais devem  ser destinadas ao governo de passos coelho, que quis atirar com o ónus da decisão para cima de carlos costa, mas não se pode eximir da responsabilidade de, ao contrário do que quis fazer crer, transferir para os contribuintes o avultado custo da sua inoperância em conter a besta financeira…
2. A mentira foi propalada repetidamente durante um dia para ver se conseguia manter-se no subconsciente coletivo por muito que não se ajustasse com a realidade palpável do quotidiano dos portugueses: a taxa de desemprego teria descido para percentagens similares às do final de 2011.
Nalgumas intervenções de ministros e de parlamentares da direita parecia verificar-se o milagre de mil empregos florirem a cada instante para gáudio de quem já desesperava em encontra-los.
Na SIC, quem na redação redigiu o texto (terá sido josé gomes ferreira?) até se entusiasmou na propaganda, afiançando já haver quem, na emigração, se estava a arrepender de não ter por cá ficado.
Mas, nesse mesmo dia, os dados do IEFP esclareciam o conteúdo falacioso do milagre: 191,3 mil pessoas estavam a frequentar ações de formação, que em nada correspondem a verdadeiros empregos. Por isso mesmo há que denunciar o recurso a dinheiros comunitários para iludir estatísticas e fazer crer que as coisas estão melhores do que parecem. Até porque, se devidamente investidos, esses fundos até poderiam contribuir para projetos conducentes ao crescimento da economia e à criação de empregos sustentáveis.
3. Mas os números continuam a mostrar que o fracasso das políticas do governo de passos coelho é mais do que uma impressão empírica. Manifestamente nem vítor gaspar, nem maria luís albuquerque conseguiram revelar o mínimo rigor nas suas previsões orçamentais. Assim, depois de tanto ter verberado José Sócrates por se ter visto obrigado a elaborar dois orçamentos retificativos em 2009, o PSD e o CDS já apresentaram oito nestes três anos. Uma vez mais cumpre-se o provérbio de passos coelho continuar a demonstrar a superioridade política e moral do seu antecessor.
Noutra vertente  o governo também vai comprovando o “benefício” das suas privatizações com o grupo francês, que comprou a ANA, a aumentar as taxas aeroportuárias por sete vezes num ano, tornando os aeroportos nacionais cada vez mais caros. O que, num país que aposta no turismo como uma das suas atividades económicas de eleição, mostra bem como a preocupação da direita é apenas a de garantir rendas avultadas para as multinacionais em detrimento dos interesses nacionais. Utilizando um jargão típico da extrema-esquerda no pós 25 de abril, mas que faz todo o sentido, temos, de facto, um governo de vende-pátrias.
Só é pena que o Partido Socialista tenha sido liderado nestes três anos por quem foi! Com uma direção competente o desagrado geral do eleitorado já teria precipitado mais cedo a inevitabilidade da desejada alternativa.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Quando o preconceito anti-russo leva a estratégias insensatas

A semana terá corrido bastante mal a Barack Obama ao reconhecer que, perante a ameaça jihadista no Médio Oriente, ainda não possui uma estratégia definida. Os republicanos, que utilizam todos os argumentos verdadeiros ou falsos para o atacarem ganharam um trunfo inesperado e que aproveitaram sem qualquer rebuço de pudor.
Que interessa se grande parte do que se passa hoje no Afeganistão teve origem, no republicano Ronald Reagan, quando facultou meios avultados, quer financeiros, quer militares, aos que combatessem os soviéticos, mesmo que isso significasse criar a Al Qaeda e todos os movimentos terroristas de carácter islamista, que dela derivaram?
Que interessa terem sido os dois republicanos Bush a organizarem a queda de Saddam Hussein, cujos métodos ditatoriais pouco se distinguiam dos sauditas (porém fortemente apoiados por Washington) e com a vantagem de ser bem mais laico do que tais aliados fundamentalistas?
É verdade que Obama pouco se distinguiu dos republicanos nas opções erradas quanto ao que se passa atualmente na política internacional. Quando criaram toda a manipulação mediática, que dava as sucessivas árabes como a confirmação da virtude do intervencionismo americano na proliferação da Democracia nas ditaduras do Magreb e do Médio Oriente, ali instalando agentes da CIA destinados a promover a eleição de dirigentes próximos da visão política da Casa Branca, não podiam imaginar a caixa de Pandora que estavam a abrir e que resultou para já na feroz ditadura do general Sissi no Egito ou no caos em que  a Líbia pós-Kadhafi mergulhou.
Quer o Pentágono, quer a CIA continuaram a pensar numa lógica de Guerra Fria e alienaram a possível cooperação que Putin lhes poderia agora dar. Por mero preconceito as chefias militares e da espionagem americana quiseram esmagar a Rússia e decidiram cercear-lhe o acesso ao Mediterrâneo derrubando Assad e promovendo o golpe de Estado na Ucrânia. Ou terá sido coincidência terem, quer a Síria, quer a Crimeia, as principais bases militares da Marinha Russa?
Tivesse Assad sido derrotado e o golpistas de Kiev dominado todo o país a Marinha Russa ficaria sem bases operacionais no Mar Negro e as do Báltico ficariam inoperacionais durante parte do Inverno.
Por muito que nos possa desagradar a progressiva viragem autoritária do Kremlin e os seu conúbio com partidos fascistas dos países da União Europeia, os países ocidentais mais não fazem do que repetir erros passados, quando, por exemplo, Fidel Castro quis manter boas relações com Washington depois da derrota de Fulgêncio Batista, e foi a hostilidade anticomunista de Eisenhower a obriga-lo a acolher-se aos braços protetores de Kruschev.
Para a Europa a Rússia constituiria uma ameaça bem menos problemática do que esta ascensão do terrorismo islâmico. Não tivesse alinhado com a estratégia errada dos americanos e teriam nela um aliado de peso para derrotar aquele perigo, que também lhe diz respeito. Mas, insensatamente, avançaram para uma deriva de sucessivas chantagens contra Putin. Agora têm-no a avisar que é melhor não se meterem com quem possui um tal arsenal nuclear. E ainda ele não invocou outro joker de peso: com o inverno já aí a chegar, é da Rússia que tenderá a vir o gás e o petróleo necessários para manter em funcionamento as centrais distribuidoras de energia de vários países, quando o  consumo tende a aumentar significativamente.
Assim, compreende-se bem o impasse em que Obama agora se sente: a exemplo dos japoneses que, na Segunda Guerra Mundial, tinham em Singapura os canhões apontados na direção do mar e não viram o ataque vindo pela retaguarda através da Birmânia e da Malásia, os norte-americanos preferiram manter-se fiéis ao seu larvar ódio a tudo quanto cheirasse a russo. Agora enfrentam ameaça bem mais perigosa e não sabem como enfrentá-la!