segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Aumentar ou não aumentar … não é a questão (pelo menos de momento!)

Se marques mendes anuncia o aumento do IVA ao sábado e passos coelho o desmente ao domingo, que quer isto dizer?
Houve quem visse no episódio uma súbita zanga entre quem dá a notícia e quem a anuncia, mas essa não é ideia que partilho.
A presença semanal de marques mendes na SIC tem objetivos diferentes das dos demais comentadores televisivos: estes, de marcelo rebelo de sousa e José Sócrates, passando por Francisco Louçã, têm agenda própria e não estão ali para outra coisa que não seja darem a sua opinião pessoal de acordo com as ambições que legitimamente alimentam. Pelo contrário, mendes faz semanalmente o papel de bufo do que se passa nos bastidores do governo, pré-anunciando o que está quase a decidir-se ou, como agora foi exemplo, lançar um isco para ver que tipo de reação suscita.
Esta estratégia terá também três objetivos fundamentais segundo os estrategas da comunicação do governo:
· por um lado criar na opinião pública a ideia de que não será assim tão verdadeira a argumentação da oposição em como só podem esperar aumentos de impostos da ação governativa de passos coelho e de paulo portas. Não faltarão ingénuos a pensarem e a verbalizarem em filas de espera das finanças (aconteceu-me algo de semelhante esta semana na da Costa da Caparica!) que afinal o governo não é tão mau como o pintam e só faz aquilo a o obrigam a bancarrota da «responsabilidade dos socialistas»;
· por outro lado permite dar a ideia de que paulo portas e passos coelho não são tão unha com carne quanto parecem, abrindo a possibilidade de, depois das eleições legislativas do próximo ano, pelo menos um deles ser imprescindível para a coligação com os socialistas obrigando-os a manter o rumo austeritário, que lhes está no sangue;
· e enfim, «limpar» um pouco a imagem do «comentador» porque, revelando-o aparentemente distanciado do governo, lhe permite devolver a eficácia, quando, nas próximas vezes, ele lançar as mensagens pretendidas pelos que rodeiam passos e que não se revelem tão inócuas.
É provável que, nesta altura, passos coelho e maria luís albuquerque já possuam a anuência de Bruxelas para superarem o valor do défice a que estavam obrigados, até porque, por exemplo a França dificilmente o respeitará, obrigando a União a complacência maior do que quando só são os países do sul a violá-los. E por isso poderão apresentar um orçamento retificativo do tipo melhoral (nem faz bem, nem faz mal), depois de todos os danos já provocados.
Temos, assim, um «não caso» que apenas serviu para animar um fim-de-semana particularmente deficitário em notícias mais atrativas. 

domingo, 24 de agosto de 2014

É claro que nos teríamos de lembrar dele!

É paradigmático como os mercenários, que andam nas redes sociais a coberto de identidades falsas, não procurem sequer negar aquilo que a jornalista Cristina Figueiredo do «Expresso» identificou claramente como referências a António José Seguro quando, na entrevista desta semana, António Costa lembrou que:
· “Há pessoas que fazem a sua vida política toda fugindo de eleições, nunca perdendo mas também nunca ganhando”. Quando acusa Costa de só ter vindo a jogo nesta altura, Seguro nunca explicou porque andou a intrigar e a explicitar o seu desacordo com José Sócrates e nunca contra ele concorreu apesar de sabermos (vide a biografia do antigo primeiro-ministro por Eduarda Maio)como, desde a juventude, o considerou o seu grande rival. E, no entanto, aproveitou esses anos para percorrer as secções de norte a sul para multiplicar cumprimentos e abraços, convencido de que a função de secretário-geral teria muito mais a ver com a pose de relações públicas do que com a de um estratega visionário capaz de encabeçar políticas ousadas e orientadas para o progresso dos cidadãos. Infelizmente, após as eleições legislativas de 2011, os socialistas estavam suficientemente atordoados com a vinda da troika para se terem deixado cair em tal logro.
· “Há pessoas que vivem os processos democráticos com uma enorme crispação, porque acham que isso resolve toda a sua vida. E que nunca aceitam desafios difíceis e fazem toda a sua vida procurando não deixar marca, nem como deputados nem como ministros ou secretários de Estado. Andam anos na política e ninguém se lembra de nada que tenham feito.” E, de facto, os seguristas bem tentam multiplicar améns sobre a honestidade do seu guru sem nunca conseguirem invocar uma única conquista que os portugueses tenham conseguido a propósito da sua ação política ou, pelo menos, um sucesso curricular, que atestasse o seu valor;
· “Não estive estes três anos na sexta fila da bancada parlamentar a aguardar pela minha hora, a fazer planos para a minha vida, a comprar votos ou a ressuscitar mortos para poderem votar, como outros fizeram.” E, apesar dos factos extremamente graves constatados com os cadernos eleitorais ou o pagamento de quotas em Coimbra ou em Braga respetivamente, os seguristas fazem como se eles não existissem, porque sabem ser essa a sua cultura: a da chapelada, a da fraude como forma de procurarem vencer.
“Não sei porque se lembrou dele” é, em definitivo, a frase da semana, no que tem de inteligência sibilina a propósito de quem, pelo contrário, só vem revelando uma lamentável infantilidade na forma como procura desqualificar o seu concorrente às Primárias.
Mas a entrevista ainda deveria merecer dos seguristas outras reflexões pertinentes como a de explicarem como foi possível ao Partido Socialista ter 52% nas autárquicas em Lisboa e só 32% nas europeias.
A esse respeito não podem sequer invocar que António Costa já se declarara disponível para ser a solução desejada pelos socialistas e pelos portugueses. Da mesma forma como não podem explicar como, entre essas mesmas autárquicas  e as europeias o PS tenha perdido 4% de votos quedando-se nos 31% donde não tem progredido desde então.
Trata-se de uma das grandes mentiras de Seguro - e nem sequer a mais grave - a tese de um PS que estava a abeirar-se da maioria absoluta e terá sido António Costa a inviabilizar essa tendência. Os números provam o contrário, o que faz de Seguro um caso muito sério de quem tem problemas com as verdades mais óbvias. 

E se fizéssemos um exercício de ficção científica?

Já que é verão e a amenidade do clima torna propícios jogos e exercícios de entretenimento, dediquemo-nos a um bastante fácil de solucionar tão previsíveis são as variáveis que conduzem a um resultado matematicamente certo.
O problema põe-se assim: imaginemos que depois da pífia vitória nas europeias, António Costa ainda travava a manifestação da sua vontade e a de milhares de militantes que o sabem potencialmente muito melhor líder do que Seguro, e tudo continuava como há três meses atrás. Ou seja com um governo descredibilizado e sem outra estratégia, que não seja o corte de rendimentos dos pensionistas e dos funcionários públicos e o aumento de impostos, e uma oposição liderada por um político sem chama e meramente reativo quanto ao que as circunstâncias iriam debitando.
Tal como sucede nesta realidade presente, as europeias já estariam esquecidas, porque nem mesmo nas cabecinhas pensadoras do largo do Rato se conseguiria levar a sério a tese de se ter tratado de uma grande vitória do PS.
Porventura, procurariam colar as europeias às autárquicas, mas aí sentiriam o terreno instável de quem sabe que estas últimas só pareceram representar uma grande vitória porque os 52% de António Costa em Lisboa abafaram muitas derrotas comprometedoras.
Estaríamos assim num verão sem grandes novidades já que os incêndios ainda não começaram a aparecer e os crimes e assaltos são aleatórios, ora aumentando de intensidade, ora primando pela ausência, arriscando um vazio de notícias para o início dos telejornais ou para as capas dos jornais. Claro que há sempre a salvaguarda do sexo, mas a curiosidade já escasseia para as repetitivas abordagens dos anos anteriores.
A haverem sondagens os resultados não seriam muito diferentes dos atuais, já que a verdadeira consulta das urnas entretanto concretizada confirmou um PS à volta dos 30%, a direita com um valor semelhante e a esquerda comunista ou bloquista sem conseguir alavancar o descontentamento coletivo e sair dos limites da sua influência presente.
Cresceriam muito o tipo de respostas «Não Sabe/ Não quer responder», porque um Portugal com passos coelho em São Bento e Seguro como líder da oposição já enfarta quem procura outros rostos para personificar a esperança, que ambos não dão.
Mas imaginemos que a abulia coletiva era ainda assim levada até às legislativas e nada se alterava: teríamos um governo aparentemente legitimado pelos portugueses (mas com níveis ainda maiores de abstenção, de votos brancos ou nulos), constituído por uma direita que não reconhece o fracasso da sua aposta ideológica e por um PS já satisfeito por sentar alguns dos mais próximos colaboradores de Seguro em cadeiras ministeriais, mas sem alterarem substancialmente o tipo de políticas seguido nestes três anos.
É essa a solução do nosso exercício de futurologia:  depois deste governo, que os portugueses anseiam ver pelas costas, seguir-se-ia outro em que, parafraseando o príncipe Salinas de «O Leopardo», mudava alguma coisa para que tudo ficasse na mesma.
É certo que António José Seguro consegue não rir quando se diz esperançado em ter maioria absoluta. Lembra a esse respeito aquela velha história do rei que se passeava entre os súbditos com a sua nova camisa e não se dava conta que estava nu. Assim é Seguro: não consegue compreender como é que uma grande maioria dos portugueses não atina com a ideia de lhe atribuírem um voto de confiança que, em três anos, nunca deu sinais de merecer.
O que um governo PSD/CDS/PS (depois do tal mirabolante referendo, que Seguro se comprometeria a fazer) representaria para o país seria algo parecido com uma catástrofe, porque já se perdeu tanto tempo com o agravamento das consequências suscitadas pela inadaptação da nossa economia aos desafios do euro, do alargamento da União Europeia a leste e da globalização, que não há forma de se adiarem ainda mais as medidas exigíveis para as superar.
Bem podem arengar os apoiantes de Seguro quanto à obrigatoriedade em se cumprirem regras estatutárias (que eles mesmos promoveram para se consolidarem num poder partidário, que sabiam em risco, porque, apesar de tudo, conheciam a sua própria mediocridade), quanto à “traição” de Costa (quando a verdadeira responsabilidade dele é para com os militantes do Partido e não a um fraco líder conjuntural) ou quanto ao desrespeito pelo “caminho de pedras” supostamente percorrido nestes três anos - e que foi protagonizado, sim, pelos portugueses e não pela fraca oposição, que nada de eficaz fez para o evitar.
Perante a insatisfação de milhares de militantes, que viam o Partido a replicar a degenerescência do PASOK, que de maior partido grego quase se esfumou para a dimensão de grupúsculo, António Costa tinha o DEVER de se disponibilizar e personificar a solução de um problema gravíssimo para o futuro do Partido e para a vida de milhões de portugueses.
Porque o que as europeias demonstraram foi a vontade de punir a direita dando-lhe um resultado historicamente baixo, mas sem transferir essa perda de confiança para quem a deveria conquistar: o PS.
É por ansiarem por novos protagonistas na governação do país, que os eleitores se deixaram embalar pelo populismo de marinho pinto ou pela inconsistência do Livre.
A vitória de António Costa nas primárias de 28 de setembro e no subsequente Congresso é a grande oportunidade para virar de vez este período histórico em que o capitalismo europeu transformou Portugal no seu laboratório onde pretenderia demonstrar as virtudes da sua ideologia antidemocrática e fomentadora de maiores desigualdades na distribuição de rendimentos e fracassou.
O socialismo volta a estar na ordem do dia. E importa que quem o relançar tenha a consistência estratégica que os tempos exigem...


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

É a economia, estúpido!

Voltemos ao verão do ano transato, quando paulo portas teve a sua irrevogável decisão revogabilizada e pareceu ganhar algum ascendente com a substituição do apastelado álvaro pelo prometedor pires de lima na Rua da Horta Seca.
De repente o cenário começou a brilhar de tão azul e os milagres económicos eram anunciados como evidências que só a maledicente oposição não queria ver.
A tentação foi grande para declarar a estratégia da troika um sucesso e se as ofertas de emprego não começavam a multiplicar-se como pãezinhos era porque a economia assim destinava: primeiro acertavam-se as variáveis macroeconómicas e logo as que se reportavam às da economia real viriam atrás.
Essa propaganda conseguiu algum sucesso: não se vislumbraram condições para protestos equivalentes aos de 15 de setembro de 2012 apesar de não faltarem razões para tal. Embora desabonados na carteira, os pensionistas, os desempregados, os funcionários públicos e os precarizados em empregos cada vez mais mal pagos entraram numa abulia muito por culpa do principal Partido de oposição, cujo “líder” ia sempre perguntando qual era a pressa para se tornar mais afirmativo na contestação ao governo.
Na altura passos coelho e maria luís albuquerque tinham a desonestidade intelectual suficiente para se vangloriarem de crescimentos nas exportações completamente falaciosos, porque dependentes da entrada em serviço da nova unidade de refinação em Sines, que fora implementada como fruto de uma decisão do governo de José Sócrates.
Hoje essa falácia já não rende e os números vão confirmando o desastre desta política apostada numa austeridade cega. É assim que o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, ao publicar quanto se importou e quanto se exportou na primeira metade deste ano, traz uma realidade confrangedora: o défice da balança comercial nesse período aumentou 953 milhões de euros o que significou um agravamento de 759% em relação ao verificado em 2013, quando ele se traduzira em 111 milhões.
E de pouco valeu o aumento de 10,2% nas receitas em turismo ou os 4,2% em bens alimentares (já comprometidos para este semestre tendo em conta as sanções da Federação Russa) já que o diferencial entre as vendas e as compras de produtos e serviços entrou numa espiral descontrolada.
Não admira que no mesmo período a dívida pública portuguesa tenha subido para os 134% do Produto Interno Bruto (PIB), crescendo mais 1,6% do que se verificava no final do primeiro trimestre. Na ótica de Maastricht a dívida pública atingiu os 223 270 milhões de euros.
Perante a demonstração do fracasso total das suas políticas, pires de lima já quase desapareceu em combate, apenas surgindo aqui e além na pose triste de quem já não consegue articular desculpas para não ter conseguido melhores resultados do que o antecessor. E compreende-se que uns quantos comentadores tenham comparado o discurso de passos coelho na Quarteira com o de Vasco Gonçalves em Almada em 1975. Num e noutro caso dois políticos embaraçavam-se nas labirínticas palavras de quem não vislumbra qualquer futuro à sua frente.
(Ressalve-se que a comparação em causa é injusta para o general cuja impossibilidade em levar por diante a sua utopia não excluía uma probidade intelectual que passos coelho nunca revelou!)
Estamos, assim, perante a expetativa de uma pesadíssima herança para ser enfrentada pelo próximo Governo. Mais uma razão para votar em António Costa nas Primárias de 28 de setembro, já que só um político com sobejas provas dadas no seu currículo, com a determinação de quem não se atarda em reflexões ou em referendos estéreis, e com a capacidade de mobilizar as vontades do alargado espectro social e político, que não se revêem nesta austeridade fundamentalista, poderá levar a bom porto uma agenda capaz de dar a Portugal um novo rumo.
Nota final  - o título desta prosa lembra a célebre frase «It’s the economy, stupid», inventada por James Carville para ser utilizada na campanha de Bill Clinton contra George H. W. Bush.


As cumplicidades políticas dos banqueiros ... mas também as jornalísticas!

Há um conjunto de jornalistas em Portugal, que mereceriam ser acusados de cumplicidade com as falcatruas praticadas no BPN, no BPP ou no BES. É que as comprovadas vigarices praticadas nas instituições lideradas por oliveira e costa, joão rendeiro ou ricardo salgado não mereceram apenas o beneplácito do poder político … que, por isso mesmo era amplamente recompensado, como se viu na investigação do «Diário de Notícias», quando denunciou as verbas “investidas” pela família Espírito Santo na campanha de cavaco silva. Não haveria este de chegar a Belém, se ungido pelos dinheiros dos banqueiros, conseguia aplicar na campanha muito mais dinheiro do que Mário Soares ou Manuel Alegre?
Tudo o que se possa dizer sobre eventuais aproximações entre a banca e o Partido Socialista é uma mera cortina de fumo para esconder o essencial: os que se consideravam donos disto tudo sabiam-se (e sabem-se) bem representados pelo PSD e pelo CDS e era para esses partidos que canalizavam os seus apoios na convicção de conseguirem um retorno bastante vantajoso de tais investimentos.
Essa cortina de fumo é lançada pelos tais jornalistas, que tanto contribuíram em fazer desses mesmos salgados & Cª umas pessoas respeitáveis e gestores de génio sem os quais o país só poderia parar!
Os camilos lourenços (novamente a lançar o seu veneno na televisão estatal), os josés gomes ferreiras e uma grande parte de quantos escrevem sobre economia no «Expresso», no «Diário Económico» ou no «Jornal de Negócios» foram os cúmplices ativos de uma mistificação contínua destinada a fazer crer na bondade do capitalismo e dos capitalistas nacionais.
Devemos a eles os cortes nos ordenados e pensões, a perda de direitos e regalias que julgávamos irreversíveis na saúde ou na educação, porque a continuação do enriquecimento de uns implicava dar cabo do Estado Social aos demais. E, no entanto, eles aí continuam a fazer crer que a sua visão do mundo é legítima.
Mas é claro que não é! Numa luta de classes, que se agudiza entre os que tudo querem e os que pouco têm, eles estão do lado errado da trincheira… mesmo que muito bem pagos para continuarem a servir de tropa fandanga aos suspeitos do costume...


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Privatizar tudo e já, eis o que quer a Direita

A fúria privatizadora a Direita ainda no poder em Portugal não tem limites e procura acelerar-se à medida que se prefigura o momento de ser enviada para uma merecida travessia no deserto (de preferência sem bilhete de volta).
Qual é o novo naco apetecível para os interesses privados a quem este governo quer oferecer lucros fáceis de auferir? Os jogos da Santa Casa de Misericórdia, que hoje assume um papel fundamental em apoios sociais, mesmo se mal gerida pela clique de santana lopes.
Ora o governo decidiu criar um decreto para facilitar a transferência para privados dessas receitas. E sobre ele escreve José Vítor Malheiros no «Público»:
«(…) este decreto, contestado por toda a oposição, abre a porta à privatização dos chamados jogos de fortuna e azar, como a lotaria, o totobola e o Euromilhões, com a desculpa aldrabona de que é preciso regulamentar o jogo online e que isso passa pela sua liberalização. É falso, mas o lobby do jogo, que possui muitos milhões para influenciar vontades, não tem olhado a meios nem a despesas para enfiar esta cunha através da qual espera conseguir finalmente destruir o monopólio da Misericórdia de Lisboa e apoderar-se dos seus enormes lucros, que atualmente alimentam a Segurança Social.»