segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CIÊNCIA: O Ventre, o nosso segundo cérebro?

O que é que sabemos do nosso ventre, esse órgão cheio de neurónios, que os cientistas só agora começam verdadeiramente a estudar? Segundo essas experiências impressionantes, pode-se concluir que o cérebro está longe de ser o único piloto ao leme do nosso corpo.
Alguns anos atrás, os cientistas descobriram a existência de um segundo cérebro no nosso corpo. De facto, o nosso ventre possui duzentos milhões de neurónios que vigiam a nossa digestão e trocam informações com a nossa “cabeça”.
Os cientistas só agora estão a descodificar essa conversa secreta, apercebendo-se, por exemplo, que o nosso cérebro entérico, o do ventre, produz 95% da serotonina, um neurotransmissor que participa na gestão das nossas emoções.
Já se sabia que, consoante as nossas emoções, assim se comportava o sistema digestivo. Mas conclui-se que o inverso também é verdadeiro: o segundo cérebro também influencia nas nossas emoções.
Algumas destas descobertas abrem imensas expectativas terapêuticas. Doenças neuro degenerativas, como a de Parkinson, poderão ter origem no ventre. Começariam por atacar os neurónios do nosso intestino, hipótese que, se for comprovada, permitirá uma despistagem mais precoce.
Ainda mais espantosa é a descoberta da notável colónia de cem biliões de bactérias cuja atividade influencia a nossa personalidade e escolhas, fazendo-nos tímidos ou, pelo contrário, aventureiros.
Este documentário de 2013, com numerosas entrevistas e infografias esclarecedoras, faz um ponto de situação sobre as experiências mais recentes nesse segundo cérebro.
***
Os cientistas aperceberam-se da existência de uma enorme quantidade de neurónios no nosso ventre, equivalente à existente no córtex de um gato ou de um cão. E que se ocupam, sobretudo, com a nossa digestão.
Se o corpo só dispusesse do cérebro de “cima”, o ser humano ficaria absorvido durante demasiado tempo com o complexo processo da digestão, não lhe sobrando tempo para se dedicar a outras atividades intelectuais.
O facto de contarmos com dois cérebros explica muito do que connosco se passou em termos de evolução.
(…)  Compreendeu-se que a doença de Parkinson que, como se sabe, ataca os neurónios do cérebro, também atinge os do ventre. Alguns cientistas interrogam-se se ela não começa precisamente aqui. Tanto mais que essa doença degenerativa inicia-se bastante antes de surgirem os primeiros percalços motores.
Ora, quando chegam essas tremuras, já é demasiado tarde porque 70% dos neurónios já foram afetados.
Se se conseguir diagnosticar a doença vinte anos mais cedo, através de uma simples biópsia intestinal de rotina, poderíamos prever essa destruição de neurónios.
Em Nantes, uma equipa científica procura demonstrar que o hipotético estudo da biópsia intestinal permitiria  substituir o bem mais perigoso exame ao cérebro. O que já é certa é a possibilidade de recorrermos aos milhões de neurónios intestinais para garantirmos uma janela para o que se passa no cérebro.
(…) O nosso ventre contém dez vezes mais bactérias do que células! E muitos dos genes que herdamos é muito inferior aos das bactérias. Trata-se, pois, de uma verdadeira revolução científica, porque conclui-se de uma interligação entre as bactérias herdadas dos nosso pais com as existentes para modificarem o nosso organismo. O que equivale a reconhecer o nosso organismo como um ecossistema perturbador, porque desconhecemos essas bactérias maioritariamente albergadas dentro de nós.
Está aberto um campo de investigação muito prometedor!


DOCUMENTÁRIO: «O ventre, o nosso segundo cérebro» de Cécile Denjean

FILME: «Comboio Noturno para Lisboa» de Bille August (2013)

Se em vez de Lisboa, a cidade do filme fosse uma outra qualquer não valeria a pena perder minutos preciosos da nossa vida com uma historiazinha tão insonsa e com manifesta falta de credibilidade. Nem sequer pelo facto de por ali cirandar gente muito recomendável como Charlotte Rampling, Bruno Ganz, Christopher Lee ou Tom Courtenay (sobre Jeremy Irons a apreciação é mais prudente!)
Mas Lisboa é o que é: uma das mais maravilhosas cidades do mundo. E como as câmaras vão-se atardando pelas ruas e miradouros da cidade, o filme vê-se sem ligar muito à intriga. Que se resume em poucas palavras: um professor suíço vagueia em paisagem desconhecida, procurando refletir-se no discurso de um antifascista, cujo livro descobrira por obra do acaso.
Evoca-se a ditadura de Salazar, mas parafraseando uma pilhéria da «Gaiola Dourada», quase parece tratar-se de um regime ao jeito do general Alcazar!
Em todo o caso, que fique satisfeito o propósito publicitário e muitos turistas venham entregar-se às mãos dos carteiristas do elétrico 28. A marilu albuquerque agradece!
Mas dá pena ver alguns dos mais dignos anciãos da indústria cinematográfica europeia a terem de fazer a rábula, mesmo quando ela parece tão gelatinosa.
Daí que, tendo começado admitir a prescindibilidade de Woody Allen em filmar Lisboa ao jeito com que o fez para Londres, Paris, Barcelona ou Roma, acabei o filme a pensar que, afinal, não se perderia nada em voltar a ponderar nas vantagens e inconvenientes de tal projeto. Porque este Comboio Noturno não exige muito queijo da serra para cair no mais fundo dos olvidos...

SERIAL: «Daredevils of the Red Circle»- Episódio 2

«Daredevils of the Red Circle» é uma série norte-americana de 1939 em doze capítulos, produzida pela Republic Pictures e interpretada por Charles Quigley, David Sharpe, Herman Brix e Charles B. Middleton.
Realizado por William Witney e John English, é considerada uma das melhores séries produzidas pela Republic, uma das empresas mais apostadas neste tipo de filmes.
À partida temos a fuga de Harry Crowl da prisão aonde era conhecido pelo seu número: 39013. Decidido a vingar-se do homem que o mandara para a prisão - o milionário e filantropo Horace Granville - aprisiona-o na sua própria casa e disfarça-se dele, apresentando-se fragilizado por trás de uma barreira de vidro, supostamente imprescindível às suas condições de saúde.
Para credibilizar o disfarce recorre a uma máscara, que o faz parecer a sua vítima, aproveitando para ir destruindo tudo quanto Granville possui.
Quando o filme começa, ele já destruiu algumas propriedades de Granville. Uma delas é um grande recinto de diversões, onde se exibiam os irmãos Gene, Bert e Tiny, que eram anunciados como os «Daredevils of the Red Circle». Se eles escapam ao atentado o mesmo não acontece com o irmão mais novo, um miúdo por quem tinham um enorme carinho.
Decididos a vingarem-no, os acrobatas decidem esclarecer a sucessão de atentados, que continuam a afetar tudo quanto pertencia a Granville e vão escapando a uma série de armadilhas mortais graças à ajuda de uma misteriosa figura mascarada.
No primeiro capítulo conhece-se a estrutura base do argumento e até se conhece a sala secreta onde o 39013 mantém o verdadeiro Granville numa cela semelhante à que conhecera, quando estivera a ser julgado. Mas com a particularidade de existir um reservatório de gotejamento, que caso não volte dentro de intervalos regulares, libertará cápsulas de gás letal para matar o detido. Por isso sempre que sai de  junto do seu prisioneiro, o criminoso usa invariavelmente a mesma frase: "É melhor esperar que eu continue vivo, Granville".
Orçamentada em 126 855 dólares o custo da série conseguiu ser ligeiramente inferior, o que a tornou na mais barata de quantas foram rodadas pela Republic. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

POLÍTICA: uma questão de carácter … ou da falta dele!

Este foi o fim de semana em que a imprensa - sempre predisposta a empolar tudo quanto interesse ao governo e desfavoreça o principal partido da Oposição - deu duas notícias elucidativas: João Galamba a considerar que o Partido Socialista não estaria ainda preparado para governar e António José Seguro a desqualificar os governos de José Sócrates colocando-os ao mesmo nível que os de durão barroso, santana lopes e passos coelho.
Que a notícia sobre João Galamba é falsa, já o próprio tratou de demonstrar no facebook, convidando quem tiver dúvidas a ouvir a entrevista em causa para confirmar nunca ter saído da sua boca essa ilação. Mas é útil à direita explorar a ideia de um partido dividido em que duas alas se antagonizam sem se conseguirem entender.
Mas se a direita explora estes métodos para incrementar a ideia de uma Oposição à deriva, não se esperaria que fosse o líder socialista a colaborar com essa mesma estratégia. Porque Seguro voltou a demonstrar a falta de respeito, que já se lhe reconhece há muito tempo, pela história do Partido Socialista: porque depois de passar anos a soprar para a imprensa, que não estaria de acordo com muito do que o governo liderado por José Sócrates ia concretizando, também nunca se conseguirá dissociar do gesto de deselegância, que teve para com António Costa no célebre Congresso em que decidiu desaloja-lo das câmaras da TVI  para que aquele estava a ser entrevistado.
Por isso, quando alguém sugeria no facebook, que a frase assassina de ontem teria a ver com “ingenuidade”, poder-se-á dizer que ingénuo é quem o aventa. Porque se trata de uma questão de carácter. Ou, quase por certo, da falta dele.
Ora, como o Blogue Escadas Rolantes afirmava hoje, se ele lidera as sondagens não é pelos méritos do sucesso da sua mensagem junto dos eleitores. É apenas porque estes ainda veem no PS o partido de Mário Soares, António Guterres ou José Sócrates. E sabem o que com eles ganharam em comparação com o que, entretanto, perderam!


POLÍTICA: Para acabar de uma vez por todas com as praxes!

Andamos fartos das praxes.
Nas últimas semanas elas têm servido de cortina de fumo para distrair-nos da realidade e deixar passar a mensagem que, oportunisticamente, o governo tem amplificado sobre a suposta inversão do ciclo económico do país.
Mas volto ao tema - espero que pela última vez! - porque vi duas propostas de solução com as quais não só concordo, como penso exprimirem um estado de espírito cada vez mais maioritário sobre esse fenómeno fascizante.
Miguel Guilherme propôs a proibição radical, em defesa da inteligência contra a mais descabelada estupidez. Por seu turno Clara Ferreira Alves acrescentou-lhe uma medida complementar: todos os que fossem apanhados a praxar ou a serem praxados (juntando-se-lhes os “cantoleiroleiros” das tunas) deveriam ser imediatamente alistados para um ano de serviço militar obrigatório nos Rangers de Lamego para terem “experiências de vida” disciplinadoras às seis da manhã a rastejarem nos esgotos.
Eis um par de propostas que subscrevo em nome da higiene mental da sociedade em que vivemos...


POLÍTICA: A pobreza não paga dívida

Por muito que o (des)governo nos continue a fustigar com o seu «milagre económico», não consegue iludir o facto de manter o país perante uma dívida, que não é passível de ser paga.
É claro que a direita tudo fará para se manter no poder e consolidar os efeitos da agenda ideológica implementada nestes últimos dois anos e meio mas, mais tarde ou mais cedo, será confrontada com a insuficiência da riqueza nacional produzida para pagar a dívida e os juros aos credores e manter satisfeita a sua decrescente base social de apoio. Lá virá o dia em que não serão os banqueiros ou os soares dos santos quem terão força suficiente para servir de dique ao descontentamento de uma população pauperizada e ciente de nada valer o desânimo, porquanto a resposta estará em cobrar, a bem ou a mal, aquilo que lhe vêm negando sucessivamente.
Por isso faz sentido a petição Pobreza Não Paga a Dívida, Renegociação Já, que anda a colher assinaturas através das redes sociais. Nos textos que os seus autores têm divulgado para a promoverem conclui-se que a dívida não pode nem deve ser paga a todo o custo.
A situação a que chegámos é deveras preocupante: concluímos 2013 com uma dívida pública direta que ascendia a 204,3 mil milhões de euros (124% do PIB), ou seja a quase o triplo do valor do programa previsto no Memorando da troika. O país paga anualmente 7 mil milhões de euros em juros ou seja quase tanto quanto o orçamento da saúde.
A política de austeridade do período de governação da coligação psd/cds implicou:
· falência de empresas e aumento do desemprego;
· desproteção crescente dos desempregados e de outros setores mais vulneráveis da população;
· expulsão do país, sob a forma de emigração, de um número crescente de portugueses;
· agravamento das desigualdades, da pobreza e da exclusão social.
Por causa dessa dívida estão em causa os sistemas públicos de saúde, de educação e de pensões e a sociedade portuguesa recua em indicadores de desenvolvimento, que se pensavam consolidados.
Por isso a petição aponta a necessidade de reestruturar a dívida pública de forma a inverter a curva de empobrecimento e de declínio do país. O que implicará o alongamento das maturidades e taxas de juro compatíveis com a almejada recuperação económica do país. Em suma, uma reestruturação que garanta a sustentabilidade financeira e social sem dar prioridade á divida em detrimento dos cidadãos.
 Os signatários da petição não ignoram a dificuldade de, após a saída de muitos investidores internacionais, a dívida estar sobretudo na posse dos bancos e instituições públicas nacionais. O que comporta riscos sistémicos para a sobrevivência do setor bancário nacional.
Daí a relevância de se eleger um novo governo, que não se limite a curvar perante os ditames exteriores e saiba negociar com determinação e inteligência a criação de condições apropriadas à recuperação económica e financeira do país. Aquilo que passos coelho nunca soube, nem quis fazer!