quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Rajoy tornou-me apoiante da independência catalã

Os meus sentimentos relativamente ao independentismo catalão são contraditórios. Por um lado existe o reconhecimento de que só devemos a recuperação da independência em 1640 ao facto de Castela ter de se haver com dois movimentos centrífugos , entre os dois, apostando na repressão do que grassava na Catalunha. Acaso a opção tivesse sido a de oprimir a nação portuguesa, quiçá a Catalunha seria hoje um país independente e nós uma parte no todo espanhol.
Há, por outro lado, a questão do regime: sou sectariamente republicano e execro a Monarquia como possibilidade de sistema político tendo em conta a importância por ela conferida à hereditariedade e não ao mérito e reconhecimento dos líderes pelos cidadãos através do voto democrático. Assim, se a Catalunha anseia implantar uma República, tem todo o meu apoio emocional, porque não reconheço aos Bourbons qualquer legitimidade para se manterem como representantes da nação castelhana.
Repugna-me, por outro lado, a ideia de secessionismo apenas por motivos egoístas de comunidades pretenderem dissociar-se das que delas dependem para manter um nível de vida mais elevado. Por isso antipatizo totalmente com os flamengos belgas ou com os padanianos italianos, só porque se consideram prejudicados economicamente pelos valões ou por quem vive no mezzogiorno e querem deles afastar-se. É esse o único motivo de apreensão perante as reivindicações catalãs, quando invocam a superioridade económica da sua região/Estado como motivo primeiro para se separarem. Reclamassem apenas a questão da cultura e da língua diferentes e não lhes colocaria qualquer óbice.
No entanto, perante a reação inábil, mas prepotente, de Mariano Rajoy a dúvida dissipa-se e prevalece o reconhecimento do supremo valor das populações ditarem o tipo de coletividade em que se querem inserir. Por isso, se dúvidas tinha, o impedimento da realização do referendo acaba por definir o posicionamento: hoje, mais do que anteontem, estou com os catalães contra o comportamento colonialista do governo de Madrid. 

2 comentários:

  1. Sinceramente, esperava melhor argumentação da sua parte. Depois de equacionar muito bem o problema, colocando dum lado os egoísmos nacionalistas de base económica e não só. E do outro, o direito à autodeterminação dos povos que, atento o estatuto favorável da Catalunha e a sua autonomia, não vejo ameaçado ou subjugado. Decide-se a favor do referendo com fundamento num "fait divers" político, a inabilidade e pesporrênccia do Rajoy. Parece-me que esquece o essencial, é que têm sido os egoísmos nacionalistas, mais ou menos económicos, que têm conduzido a Europa para o estado em que está. Em pré-desagregação com a crise do euro e o Brexit. Já que sou leitor assíduo, espero que não interprete mal a minha crítica

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  2. Neste momento a muitos com o mesmo sentimento, viva o REFERENDO.

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