terça-feira, 18 de abril de 2017

Um vilão da Marvel em ação

Não é que o Fundo Monetário Internacional seja instituição merecedora de grandes expetativas quanto aos objetivos da sua atividade, mas decerto só piorou com a entrada de Vítor Gaspar para um dos seus cargos mais problemáticos: o de produzir ideologia sob a forma de pareceres e «estudos».
Agora, na pouco recomendável companhia de um espanhol há anos conhecido por mediática burla, publica um livro, em que defendem a secundarização da Democracia (a vontade livremente expressa pelo povo através do seu voto) espartilhando-a em tão enleado novelo que, na prática, a política seja um logro, só tendo cabimento as ordens dos Schäubles de serviço.
Trata-se, no fundo, de teorizar, e apresentar como inevitável o que sucedeu ao povo grego, cuja vontade eleitoral, traduzida no apoio ao Syriza de nada valeu, porque o colete de forças a que sujeitaram Tsipras e o seu governo tem-no obrigado a «governar» como se de um qualquer outro governo de direita fosse.
Há gente demasiado perigosa para os deixarmos tomar conta de instituições onde nos podem fazer extremamente mal. Gaspar junta-se a Dijelsselboem e ao ministro das finanças de Angela Merkel como exemplos lapidares de quem Karl Valentim não enjeitaria questionar: e não se pode exterminá-los?
Como não é de bom tom reclamar a solução física explicita pela questão valentiniana, valerá a pena lançar uma enorme barreira de denúncia, quer mediática, quer pelas redes sociais, a desmascarar tais figurões como equivalentes aos piores vilões da Marvel. 

1 comentário:

  1. Os vilões da Marvel são caricaturas, estes, meu caro, mau grado a postura de quase boneco de Vítor Gaspar, são de carne e osso. A sua força resulta não de uma maldade intrínseca ou da posse de armas temíveis, mas das ideias, algumas das quais, note-se, contaminaram mesmo o pensamento social-democrata. Mas valia a pena prestar atenção a Reinhart e Rogoff, por exemplo. Afinal, quais as soluções apresentadas pela Esquerda para sairmos da crise? Crescimento da dívida. Se assim for, não nos queixemos depois de 'perda de soberania'. É que, como dizia a Doutora Ferreira Leite, quem paga manda. O primeiro propósito da Esquerda seria propor modelos que, em vez de prometerem tudo a todos, tornassem as economias mais resilientes e menos dependentes do 'tenebroso' capital estrangeiro. Divirto-me sempre com a hipocrisia de PCP e BE, cuja eterna solução para livrar Portugal dos ditames de Bruxelas passa por um keynesianismo 'reloaded', onde acabamos sempre de mão estendida. E aí, convenhamos, Thatcher tinha razão. O Socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros...

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