sábado, 29 de abril de 2017

Limpam-nos os dividendos e nada nos compram

No fim desta estadia neerlandesa (com outra já planeada para breve!), há uma constatação que vale a pena tirar das nossas compras diárias na principal cadeia de supermercados  do país: com área bastante inferior às nossas grandes superfícies possui uma variedade de produtos incomparavelmente mais reduzida do que os nossos.
Se queremos peixes encontramos um balcão frigorífico com três ou quatro prateleiras, onde se disponibiliza a escolha entre embalagens com o produto já tratado na forma de filetes ou pequenas postas, que indignariam o nosso mais sóbrio compatriota.
Anteontem, quando o projeto era cozinhar carne na forma de um dos nossos tão comuns assados, foi impossível encontrar uma peça com dimensão ajustada ao propósito, obrigando a pensar alternativamente num guisado.
Conhecendo um responsável da Logística de tal cadeia de distribuição, um familiar já o terá questionado da razão de tão pobre diversidade. Terá recebido uma resposta, que é em si um clássico: o que comercializam é aquilo que os consumidores procuram pelo que de nada serviria  andarem a inventar.
Mas o que mais choca é vermos as nossas grandes superfícies pejadas de importações da União Europeia e constatarmos nos holandeses o enchimento das prateleiras com vinhos, fruta e muitos outros produtos latino-americanos, sul-africanos ou australianos.
Já não basta ficarem-nos com os dividendos dos nossos pingos doces ou continentes, e ainda parecem determinados a nada nos comprarem de tanto que lhes poderíamos vender.

2 comentários:

  1. Eu não conheço a Holanda, mas na Dinamarca pode optar-se entre dois tipos de supermercado: os para a classe operária e média baixa, em que a variedade de produtos é reduzida e os outros, como os Irma, que fariam inveja aos nossos hiper (mas onde se paga para aí 30% mais). Tem a certeza que na Holanda não é a mesma coisa? Porque, se assim não for, quer dizer que os holandeses são mesmo uns chatos. Quanto à falta de produtos portugueses nas prateleiras, não culpe quem compra, culpe antes quem não sabe vender... Os alemães a quem apresentei as castanhas portuguesas da Beira-Alta optariam imediatamente por estas, disseram-me eles, em relação às italianas, se tivessem onde as comprar...

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  2. Uma corroboração: os holandeses são uns chatos e, por motivos familiares, tenho de os aturar várias vezes ao ano. A alternativa seria ir ao mercado, onde o peixe é vendido no formato em que é pescado, mas implica a pouco cómoda situação de me deslocar a razoável distância dos mais cómodos supermercados da quase monopolista cadeia de distribuição,que citei. Mas tem toda a razão no facto de continuar a ser uma pecha nacional a falta de um suporte logístico eficaz para colocar noutros mercados o que produzimos com grande qualidade.

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