sexta-feira, 31 de março de 2017

Uma questão de vírus

Desde que o derrube do muro de Berlim significou uma viragem significativa no panorama político europeu, os partidos socialistas foram acometidos de forte vírus que muito os enfraqueceu. Se estavam em condições de governar (Schroeder na Alemanha, Blair em Inglaterra, Venizelos na Grécia, Zapatero em Espanha ou Hollande em França) teimaram em tomar das direitas as políticas a aplicar na governação. Se eram secundarizados nas eleições (Alemanha, Holanda, Grécia) cuidavam de manter cargos governativos, ainda que para cumprirem o que as maioritárias direitas lhe ditassem.
O resultado tem sido óbvio: o Pasok quase desapareceu do mapa, o PSOE mal chega aos 20%, os trabalhistas holandeses foi o que recentemente se viu). Há, pois, razões para crer que o vírus, como todos quantos costumam afetar a humanidade, tenderá a perder nocividade. Ao apoiar Emmanuel Macron, contra aquilo com que se comprometera antes das primárias, que perdeu para Hamon, Manuel Valls será daqueles que rapidamente desaparecerá do mapa. Como aconteceu aos que, ainda há três anos comandavam o Partido Socialista cá do burgo.
A vacina aqui aplicada foi muito eficaz e aos poucos vírus que restam (Assis e poucos mais!) condena-os a profunda solidão dos derrotados.

1 comentário:

  1. Valls ficará como uma nota de rodapé no enterro definitivo do PSF, levado a cabo por Hamon. Um candidato que fica em último, atrás de Le Pen, na questão da credibilidade no debate presidencial não pode esperar que demonstrem muita solidariedade para consigo. A atitude de Valls é desleal e significa que ele falta à promessa de apoiar Hamon (embora seja discutível até que ponto tal apoio não seria deletério para Hamon)? É. Mas eu, no lugar de Valls, e perante a ameaça de Le Pen ser eleita, provavelmente também mandaria os princípios às malvas e faria o mesmo. Note-se que Valls declarou que nada pede a Macron e que não vai fazer campanha por ele. Claro, Hamon carregará uma culpa que não é a sua, porque, como bem diz, tudo isto se deve à incompetência e à traição às suas promessas eleitorais de Hollande. Mas quem não tem unhas, não toca guitarra. O que o meu caro parece incapaz de perceber é que para se governar eficazmente à Esquerda não bastam os 'lofty ideals' e a ideologia. É preciso ter políticas consistentes e competência. E é por isso que um social-democrata pragmático e defensor do livre-comércio e da Europa como António Costa funciona, e os Hamons, Corbyns e outros dinossauros se afundam perante o 'juggernaut' da Direita ou da Extrema-Direita...

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