sábado, 18 de março de 2017

Marcelo a ver a sua estratégia a andar para trás

Até agora Marcelo tem sido acolhido em festa nos sítios onde se desloca. Hoje, porém,  já não foi assim, quando se confrontou com manifestantes descontentes com a possibilidade de se prospetar petróleo na Costa Algarvia.  Tratando-se de um dos muitos problemas herdados de Passos Coelho, para quem não havia qualquer óbice em estragar tão importante zona turística, conquanto se desse satisfação aos interesses dos que andam a causar terríveis crimes ambientais, sentiu-se em Marcelo o incómodo de já não ver à volta quem dele pretenderia selfies ou abraços.
A semana não está, de facto, a correr bem para o inquilino de São Bento se levarmos em conta o que Ângela Silva, hoje assina no «Expresso».
Jornalista conotada com a direita e habitualmente muito bem informada sobre o que se passa nos seus bastidores, ela dá conta da insatisfação de Marcelo pela escolha de Teresa Leal Coelho para candidata à Câmara de Lisboa. É que, segundo aí se conta, ele ansiaria por dobrar finados por este Governo de maioria de esquerda substituindo-o por outro, conotado com o tal «arco da governação» que António Costa deu como morto e enterrado, mas Marcelo pretenderia ressuscitar como forma de facilitar a vida àqueles por cujos interesses cuidou de conquistar a presidência. Explica-se assim a hipótese por ele explicitada de não enjeitar Passos Coelho como primeiro-ministro na segunda metade do seu mandato.
O projeto passaria, pois, por uma coligação PSD/CDS que, mesmo não conseguindo mais votos do que o PS, fosse suficientemente forte para se impor numa coligação contra as demais esquerdas, novamente marginalizadas para a função de inconsequente oposição.
Uma pugna eleitoral em que veremos  Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho a digladiarem-se para ver quem fica à frente uma da outra, e com Fernando Medina a assistir da varanda do município ao afundamento das adversárias, poderá significar - segundo pensam os círculos próximos de Marcelo - ao defraudar das suas expetativas. Para as quais, segundo  as mesmas fontes, ele até contaria começar 2018 a revelar maior exigência para com o governo de António Costa , minimizando-lhe os bons resultados e sempre apostando na necessidade de bem mais.
Das peças jornalísticas hoje publicadas no semanário em causa, é esse texto de Ângela Silva que deveria merecer leitura atenta. Porque está lá escarrapachado tudo quanto tem justificado o meu reiterado alerta para a malignidade de Marcelo em Belém. Para a qual as esquerdas terão de ser muito inteligentes se não quiserem deitar a perder tudo quanto se recuperou neste último ano.
É que, agora não se trata de lá ter uma múmia putrefacta como a que, anteriormente, assombrava os corredores daquele palácio, Quem agora o habita é alguém que pretende investir a sua superior inteligência e capacidade estratégica em minar o atual governo e estilhaçar a convergência  das esquerdas.
Vale-nos que Passos Coelho lhe tem dificultado a tarefa. Mas as esquerdas deverão fazer todo o possível para, não lhe dando qualquer hipótese de sucesso, o levarem a abdicar da candidatura a um segundo mandato. Para tal será necessário que as direitas continuem a revelar-se tão ineptas que a sua travessia no deserto se revele, se não definitiva, pelo menos muito prolongada. Razão para as esquerdas continuarem a apostar no seu mínimo denominador comum e secundarizarem o que mais as divide.

2 comentários:

  1. O Passos Coelho a trabalhar em conjunto com alguém? Deves estar a sonhar... espécimenes como ele são de tal modo sem préstimo que nem para estátuas de cemitério! Marcelo deve aspirar encontrar gente da estirpe dele dentro do PPD,e com essa hipotética equipa, então sim, habilitar-se a fazer alguma coisa com os outros partidos. Alguém imagina Marcelo dar a mão,e parte do seu prestígio,a um time com estrelas como Coelho,Relvas,Maçãs,Montenegros,gordinho-magrinho do Parlamento Europeu,Marques Mendes e pérolas que tais??? Ora adeus!

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  2. Concordo!! Este Marcelo nunca me inspirou confiança e... continua...

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