sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

As ilusões que resultam em tragédia

Não acredito em bruxas, mas que há quem nelas acredite, demonstra-o o arrastamento de quatro pessoas para o mar na Costa Nova, quando integravam um grupo ocupado num culto afro-brasileiro à beira de água. Se três conseguiram regressar a terra, ainda lá ficou uma mulher de 34 anos, que não se sabe porque viera de Tondela para participar no ritual. Acreditaria, através dele, salvar-se da doença, que a pudesse estar a atingir? Buscaria o regresso aos seus lençóis de algum amor vadio? Pretenderia tão-só livrar-se da miséria, sua fiel companheira, que não dava mostras de mudar de ares?
Tantas as possibilidades para serem exploradas por charlatões de todos os matizes, que prometem soluções na transcendência, sem que se traduza em qualquer substância material. Padres, pastores, bruxos, conselheiros espirituais e tantas outras designações para quantos vivem das ilusões semeadas junto dos que tanto precisam de acreditar num futuro melhor e não veem qualquer atalho para lá chegar. E às vezes enganam-nos com tais expedientes, que o desenlace é trágico...

1 comentário:

  1. Os antigos Gregos é que a sabiam toda. A Esperança era o pior de todos os males e o único que felizmente ficou aprisionado na boceta de Pandora. Para ensinar as pessoas a viver, seria antes de tudo necessário ensinar-lhes o devido sentido de tragédia. A Vida afinal, acaba sempre mal. Desgraçadamente, o que diz não se aplica só às Religiões. Também se aplica às Ideologias que prometem Paraísos na terra, para depois nos apresentarem um rol inumerável de vítimas. Woody Allen disse uma vez, creio, que existem duas alternativas para a nossa espécie, uma que conduz ao desespero, a outra ao extermínio, e que esperava que fossemos capazes de escolher bem. Tenho, perante o futuro que se avizinha, sérias dúvidas em relação a tal coisa...

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