quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A urgente recuperação das bandeiras esquecidas

Temos hoje de voltar a empunhar bandeiras que pensávamos arrumadas para sempre.”
O texto de José Vítor Malheiros, hoje inserido no «Público», traz-nos a evidência de uma conclusão, que os regimes a leste (Hungria, Polónia, Rep. Checa) já nos haviam incutido, mas as recentes eleições ou referendos nos Estados Unidos ou no Reino Unido só confirmaram. Os que nos antecederam nas lutas por um mundo melhor andaram a defender os valores republicanos de respeito pelo outro, que este milénio tem visto subvertidos e reduzidos a indignas caricaturas.
À conta da ligeireza com que deixámos associar as nossas ideias a aplicações defeituosas, se não mesmo criminosas, por regimes supostamente nelas fundamentados, perdemos as palavras de ordem e as propostas atualizadas do seu sentido de futuro. Andámos a permitir que ser-se “socialista” quase se torne um crime e “social-democrata” assim uma coisa mais fofinha quase idêntica ao “social-liberal”, que significou a desregulação dos mercados e a liberdade para despedir, precarizar e pagar miseravelmente aos novos danados da terra.
Justifica-se, pois, o que JVM propõe: temos de resgatar dos sótãos e arrecadações as bandeiras, que já julgávamos sem grande préstimo. É que são elas a permitirem reabrir os caminhos, que transformaram em momentâneos becos...
Mark Rothko

1 comentário:

  1. Meu caro, temos andado permanentemente à volta deste ponto e por isso lhe pergunto: o que é o Socialismo? O seu camarada Porfírio Silva disse e bem que ele não pode fazer-se se não for em Liberdade (aquele que é o valor supremo da Esquerda, a Igualdade e a Fraternidade são afinal condições para o seu exercício), pelo que a deriva autoritária de Fidel Castro, que se dizia de Esquerda, é particularmente de censurar (assim como todas as antes dele, com o seu cortejo infindável de mortos). A questão não é o carácter mais ou menos 'fofinho' da Social-Democracia, mas sim o facto de ela ter sido a única experiência histórica que conjugou a Liberdade Política, a Liberdade Económica (o marxismo impõe um único modelo económico) e a melhoria progressiva das condições de vida de todos. O Socialismo, onde se tentou implementá-lo, redundou em penúria, despotismo e destruição ambiental. Quem não se lembra da História está necessariamente condenado a repeti-la. É necessário dizer o que se pretende atingir mas sobretudo quais as políticas (policies) que se pretendem implementar (o chanceler Schmidt dizia que quem tem uma visão deve ir ao médico). Depois de isso estar definido, então podemos começar a falar, porque agitar bandeiras é muito bonito mas uma bandeira é um símbolo e se o símbolo substitui o que se pretende simbolizar, caímos no domínio da pura superstição. Nessa medida, nem mesmo o PCP, apesar de preservar o marxismo-leninismo, embalsamado e de maneira envergonhada, é certo, se safa. Aqueles que trabalham diariamente nas 'policies', com Costa e Centeno à cabeça, por muito devagar que andem, são muito mais Radicais do que todos os apocalípticos de barrete frígio (ou boina à Che) na cabeça...

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