domingo, 23 de outubro de 2016

Os indicadores de crescimento efetivo da nossa Economia

Não é que este indicador de recuperação da nossa economia me agrade particularmente , mas o aumento do número de alunos no ensino superior privado, invertendo um ciclo de contínua perda desde 1999/2000, desmente o negativismo de muitos que ainda se julgam quase chegados ao Apocalipse com a governação da maioria de esquerda.

Os cursos de Direito e de Gestão são os mais procurados, o que se compreende: quem investe nestas universidades tem objetivos de rentabilidade e ideológicos.

A rentabilidade é garantida por se escusarem a ter custos em dispendiosos laboratórios, exigíveis pelas Engenharias e Ciências da Saúde, que “deixam” para o Estado. Sai mais barato construir uns auditórios e umas salas de aula onde os alunos se sentem passivamente com a caneta e o bloco de apontamentos a ouvir as preleções dos lentes do que construir espaços dinâmicos de investigação e de descoberta.

A ideologia, que está bem patente na composição dos seus corpos docentes - e refira-se que, durante uns anos fui professor convidado numa das mais emblemáticas instituições de ensino privado e sei, pois, bem do que falo! - revela-se muito mais eficiente na formação dos futuros juízes, magistrados e advogados, que serão formatados para executar futuramente uma Justiça de classe. Aquela que tem estado na origem do nosso indignado descontentamento na forma como se revela zarolha na aplicação e muito vocacionada para o arquivo sem consequências dos que deveria condenar.

Ou nos gestores, que pulularão nas administrações das empresas públicas e privadas e nelas serão prosélitos obsequiosos das teses da superioridade de uma economia assente na desregulação dos mercados e na superioridade dos patrões para aumentarem a eficiência do que “o Estado só consegue gerir mal”. Mesmo que os casos recentes no setor bancário ou na PT constituam inequívoco desmentido de tais falácias.

Volto, pois, ao início: como indicador de crescimento económico, que tarda a espelhar-se nos indicadores do INE, mas em breve neles refletido, é positiva esta dinâmica de mais estudantes nas universidades privadas. Mas atenção, que bem poderá aí vir nova revoada de jovens quadros influenciados pelos césares das neves, que aí pretendem dar fôlego a mais ervas daninhas.

(Monet)


1 comentário:

  1. Bom, o direito de existência de escolas e universidades privadas é consagrado (e bem) na CRP pelo que não há nada a fazer quanto a isso, a não ser talvez constituir cooperativas de ensino de Esquerda que permitam aos alunos adquirir uma visão distinta do Direito, da Economia, da Gestão, etc. A mim causa-me espécie que a Esquerda tenha sempre que recorrer ao Estado para resolver todas os problemas. Está na hora de derrotar a Direita com as suas próprias armas... Até porque se há coisa que falta na Esquerda são tecnocratas. A tecnocracia não tem que ser de Direita, um tecnocrata é simplesmente um especialista na conceção, estudo e implementação de políticas que prefere o pragmatismo às soluções ideológicas. Nesse sentido, o nosso PM é um tecnocrata!

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