domingo, 9 de outubro de 2016

No que ando a mudar de opinião

Por feitio tento que as minhas opiniões não se cristalizem, sujeitando-as sempre ao habitual crivo científico de algo se aceitar como verdadeiro até se demonstrar que não o é.
Nestes últimos dias tenho andado a rever as posições em relação a dois assuntos da atualidade. O primeiro tem a ver com o conflito entre os taxistas e a Uber, em que tenderia a apoiar os primeiros, subscrevendo a opinião do deputado comunista Bruno Dias, que assim pensa por ser contra a atividade ilegal, contra a legalização da concorrência desleal e contra a consagração de um estatuto de privilégio para multinacionais que agrava a precariedade e impõe a lei da selva”.
Esta argumentação parece-me tão lógica, que encontra igualmente respaldo  nos serviços exemplares que contratei a taxistas na Europa, na América, na Ásia e em África, onde sempre me levaram de onde eu queria para onde pretendia alcançar e sempre me dando uma sensação de irrepreensível segurança.
O problema, como afiançaria Daniel Oliveira no «Eixo do Mal» são os seus maus dirigentes, que aludem à possibilidade de haver «porrada» e uns quantos jagunços de quem apetece fugir a sete pés se os virmos ao volante de uma dessas viaturas.
Não é , pois, que não tenham razão na sua luta - e o mundo empresarial de que a Uber começa a ser expoente, representa a face mais perversa do capitalismo selvagem! - mas a estupidez de que dão mostras na luta pela sobrevivência da sua classe retira aos taxistas as possibilidades de vitória, que por justiça lhes deveria ser conferida.
A outra iminente mudança de opinião refere-se à Wikileaks. Se por natureza estou do lado dos chamados «lançadores de alertas» (Assange, Snowden e tantos outros), não posso concordar com o apoio explícito que a organização está a dar a Donald Trump, ao publicar nesta altura alguns discursos de Hillary em eventos da Goldman Sachs ou do Deutsche Bank.
É verdade que a Administração Obama portou-se de forma crapulosa para todos quantos denunciaram as atividades criminosas da NSA, da CIA e de outras organizações afetas ao poder norte-americano. Ninguém duvida da mão clandestina americana por trás das autoridades suecas, que querem prender e julgar Assange. Mas daí a escolher alguém como Donald Trump como mal menor não lembraria ao mais desassisado.

1 comentário:

  1. Ou seja, declara-se que a única forma de proteger uma profissão é declarar que existe um Monopólio regulado pelo Estado. Está a ver onde quero chegar. Portugal será um dos pioneiros, se o projeto do Governo avançar, na regulação de um negócio que tem sido feito de forma ilegal, e que essa sim mata a concorrência saudável. A culpa não pode ser só dos chefes, até porque presumo que sejam escolhidos pela classe e logo a imagem dela (e não apenas os seus representantes). Tenho uma excelente impressão dos taxistas alemães, já que recorri inúmeras vezes aos seus serviços quando lá vivia, uma menos boa impressão dos Ingleses, que conduzem como loucos pelo centro de Londres, e geralmente uma péssima impressão dos portugueses. Se o PSD e CDS decidirem não chumbar o projeto de Governo (e se o fizessem seria delicioso), os taxistas manterão inúmeros privilégios (e obrigações) e serão obrigados a investir na qualidade do serviço. Pela parte que me toca não deixarei de usar os motoristas da Uber... Quanto a Assange (mas não Snowden) considero-o um vaidoso em busca de notoriedade, veja-se o seu abandono de Chelsea Manning...

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