quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ah! Agora percebemos melhor o filme

1. Uma das reações mais destemperadas contra Mariana Mortágua a propósito do Imposto sobre o Património foi a do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que perorou a propósito de se tratar de um saque.
Ora, uma fonte insuspeita - a penúltima página do suplemento de Economia do «Expresso» - e mesmo que, em letras muito pequeninas, vem a informação de se tratar de alguém com uma luxuosa vivenda na Foz avaliada em quatro milhões de euros, e tendo como fortuna pessoal 2,5 vezes esse valor. Assim se compreende melhor a razão do seu tom desorientado. Próprio de quem se adivinha englobado nos que deverão abrir mais os cordões à bolsa.
2. Quem ainda melhor percebe o filme e finge que não, é a oposição, que consegue defender na mesma intervenção parlamentar uma coisa e o seu contrário, cuidando que quem ouve se fique pela convicção com que é dita, mesmo soando incongruente a quem a considera mais atentamente.
É o caso de atacar o governo pela quebra do investimento por causa da falta de confiança dos investidores externos face às reversões decididas a propósito de algumas das mais indecorosas privatizações e concessões, que o governo de Passos Coelho quis concretizar nos seus últimos dias de existência.
Ora os números agora conhecidos do INE demonstram que, pelo contrário, o investimento privado está a subir significativamente, só não acontecendo o mesmo globalmente por falta do de natureza pública. Mas aí não é manifestamente um caso de falta de confiança.

1 comentário:

  1. Eu detestei a campanha em tom populista de Moreira (o meu partido é o Porto) e não votei certamente nele. Mas não me parece que assumir que defende o que defende apenas porque quer proteger os seus interesses seja uma boa maneira de responder aos seus argumentos (ou falta deles). A esta falácia chama-se matar o mensageiro. Ou Moreira tem os argumentos certos, ou não tem. Agora, querer calá-lo só porque poderá estar também a defender os seus interesses pessoais (legítimos, note-se), não é lá grande argumento.

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