segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fascistas sem vergonha às portas da Europa

Não tenho qualquer simpatia pela “revolução” ucraniana: na praça Maidan jovens progressistas constituíram-se em idiotas úteis dos que, provavelmente preparados por agentes de Fort Langley, arranjaram forma de correr com um presidente corrupto, mas avesso à integração do país na esfera de influência ocidental e que, ao mesmo tempo, promoveram a legitimação do passado colaboracionista com os nazis. Algumas das forças políticas emergentes em Kiev nem se dão ao trabalho de disfarçar ao que vêm: quer na simbologia, quer no discurso, a sua ideologia fascista está bem evidente e revela contornos mais do que sinistros!
Por isso lamento que um artista português, Vhils, tenha pretendido legitimar o golpe protofascista esculpindo a face de um manifestante morto pelas forças de segurança num dos edifícios próximos da conhecida praça. É que existem relatos consistentes em como o início da fuzilaria não proveio da polícia ligada a Ianukovich, mas de snipers conotados com esses movimentos fascistas, apostados em criar o clima adequado à prossecução dos seus objetivos. Que foram conseguidos!
Hoje o regime “democrático”, que comanda os destinos dos ucranianos não incluídos na faixa mais oriental onde dominam as forças pró-russas, encaram com normalidade terem sido proibidos livros e o Partido Comunista, cuja história está ligada a tantas vidas de heróis da Segunda Guerra Mundial, quando combateram os nazis envergando a farda do Exército Vermelho. Mais eloquente é ter sido resgatado como herói nacional, até com direito a nome de rua na capital, o criminoso Stépan Bandera que colaborara com os ocupantes alemães nessa ápoca através do seu Exército Insurgente Ucraniano (UPA), responsável pelo assassinato de 50 mil judeus em Lviv e de perseguições à minoria polaca.
Nesta altura a Comissão Europeia desenvolve as iniciativas ao seu alcance para dar substância à estratégia da NATO em apertar o cerco à Rússia. Muitos dos dados atrás enunciados foram retirados de uma reportagem de João Ruela Ribeiro, que se deslocou a Kiev a expensas de Junker & Cª.
O objetivo é criar nos demais povos europeus a ideia de facto consumado nessa viragem da Ucrânia para um tipo de regime bem acomodado aos piores fantasmas do seu passado. Que até são enaltecidos! Mas a ideia de substituir o Reino Unido por este putativo novo parceiro só faria pender ainda mais a União Europeia para uma direita radical, que já está demasiado representada na instituição através da Hungria e da Polónia. Importa, pois, travar tais ambições por muito que elas tenham muito peso em Bruxelas, em Kiev … e, sobretudo, no Pentágono de que a Nato é mera ferramenta!

1 comentário:

  1. Depor um presidente corrupto não é assim tão fácil. Não passam de uma geração esta numa nova fase que nunca viveu na urss ou pouco se lembra. Dai quererem um futuro diferente. Por alguma razão tudo isto não aconteceu antes e se a Cia tem alguma coisa haver com esta revolução, que duvido, nunca a teria feito se não existisse razões para que existisse. A média passou que existia extrema direito no grupo, tão como existia extrema esquerda trotskysta, socialistas, sociais democratas e religiosos. A pessoa representada no mural é Serhiy Gagikovych Nigoyan primeiro morto pela polícia, era ucraniano arménio, o que demostra a diversidade cultural que tb existia no movimento estudantil que fez Euromaidan. Sem estar no terreno é difícil ter noção de tudo o que se diz em cima e parece me que a maior força para esta revolução ter acontecido não venha da Cia etc... Parece me que vem do estilo e qualidade de vida que se vive na Europa ( que agora muitos põem em questão, sem ter noção do que é viver num país em que a corrupção reina no governo, policia, etc ) lei do mais forte.

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