sábado, 11 de junho de 2016

Inanidades muito pouco inocentes

Inanidade é o qualificativo que Pacheco Pereira dá na cronica de hoje do «Público» à despudorada tese de José Rodrigues dos Santos sobre o fascismo.
Para ele trata-se de uma manifestação de ignorância, mas o historiador não se limita a vê-la nessa perspetiva complacente (aos burros normalmente desculpam-se as enormidades que proferem), porque não ignora a intenção, que lhe está subjacente. O que o Orelhas e outros como ele pretendem é impor um tipo de equívoco a nível coletivo, que atinja não só o comunismo e o socialismo como alvos preferenciais, mas sobretudo os que, internamente, se reclamam da social-democracia e veem o partido, que ainda assim fraudulentamente se designa, a derivar para a direita mais radical.
Numa altura em que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista demonstram muito mais moderação do que os partidos da direita, esses paladinos de teses absurdas, pretendem impedir a evidência cada vez mais óbvia de se situar a radicalidade, o extremismo, na trincheira donde tentam ainda disparar os seus mísseis.
Nesta altura conheço muita gente entusiasmada com a série «Aldeia Francesa», atualmente em exibição na RTP-2 e onde se constatam as diversas atitudes dos franceses do Jura face à ocupação nazi.
Se fizermos um pequeno exercício de transposição dessa ficção para a realidade nacional não é difícil associar Passos Coelho ao subprefeito, que tudo fazia para satisfazer a vontade dos nazis. Paulo Portas é o miliciano, que tem vontade de se retirar da liça, mas deixa no terreno um conjunto de fanáticos mais ou menos alinhados com a ideia de um país ultraconservador e alinhado com os mais arreigados preconceitos religiosos.
À esquerda, ou seja na Resistência, tanto encontramos o pragmatismo eficiente dos socialistas ao jeito dos seguidores de Marie Germain, como os ortodoxos dos princípios comunistas como Marcel (mesmo equacionando-lhes a justeza aqui e acolá) ou os voluntaristas mais apostados para a ação como Antoine, respetivamente associáveis aos nossos Jerónimos e Catarinas, se se vissem na mesma situação.
Quanto aos Orelhas, aos josésgomesferreiras e outros que tais, não duvido que, acaso uma qualquer Twilight Zone os levasse para esses anos de ocupação nazi em França, tudo fariam para legitimá-la com artigos de jornal, que dessem da Resistência a versão de terroristas à conta da qual tantos guerrilheiros e reféns foram assassinados.

1 comentário:

  1. Em democracia, uma democracia marcada pela manipulação, é um povo pequeno que elege pequenos governantes. Estou até convencido que muitos dos que têm eleito esta espécie de gente, teriam obrigação de saber as semelhanças entre eles e a gentalha de Salazar. É como se Salazar se tivesse levantado da tumba, para repor a sua doutrina, nalguns aspetos ainda mais penalizadora para as classes mais pobres.E se tudo não foi conseguido como o planeado, mais quatro anos e tudo viria por arrasto. A miséria serviria de medo, com pessoas que pela primeira vez se acharam à porta das igrejas para levar para casa uma ração.Não faltaria muito para que as igrejas, subsidiadas pelo erário público em grande parte, em breve estivessem a impor o seu estatuto de obreiras,e, manipuladoras, entrariam escolas adentro, para ensinar como se deve passar fome sem protestos, com promessas de um céu que não se vê nem se sente.Enquanto isto , ignorantes transmissores de opiniões erradas, porventura inconscientes, fariam o resto, sem armas e sem PIDE, protegidos pela simulada democracia, assaltada por " vendilhões do templo." Só pode ser pequeno, um povo que teima em eleger os piores. Um povo que depois de chicoteado, espremido, depenado, ainda não foi capaz de atirar para o fosso do esquecimento, os algozes que continuam à espera e à espreita, especializando-se em vergonhosa sabotagem. Um povo pequeno vai continuar a dar autoridade a essa pequena gente,sem moral e sem dignidade.





























    alazar se tivesse levantado da tumba

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