terça-feira, 14 de junho de 2016

É preciso continuar a avisar toda a gente

Na viagem com a Menina perdida no seu século à procura do pai, Marius - o protagonista do livro de Gonçalo M. Tavares conhece Fried Stamm, um estranho personagem, que encontra a colar um cartaz numa rua quase deserta.
Sendo por ele acompanhado a caminho da estação de comboio, fica a conhecer um pouco mais do projeto empreendido por esse desconhecido e seus quatro irmãos, que se dividem por todos os quatro cantos da Europa no porfiado trabalho de agitação e propaganda destinado a despertar os cidadãos esquecidos de o serem por se deixarem facilmente alienar pelas diversas ilusões espalhadas pelos que apostam na preservação das relações de forças sociais no presente.
Explica esse Stamm: “Não se trata de provocar uma revolução, não gostamos dessa palavra, trata-se em primeiro lugar de um projeto de acumulação; transmitir uma inquietação progressiva, mês a mês crescendo, quase sem se dar por isso. Pela repetição, por não deixar que se instale qualquer tipo de trégua ou suspensão, por, enfim, não desistirmos… provocar uma circulação de mensagens insatisfeitas, de informação indignada, repetir pequenas pancadas para, no fim, demolir, eis em parte a nossa estratégia.”
Há muitos amigos que, agradando-se do que escrevo nas redes sociais, me questionam sobre os motivos de preencher esta disponibilidade de reformado com os múltiplos textos, que distribuo por blogues, páginas de facebook ou no twitter. E a razão é muito fácil de explicar: a exemplo de Fried Stamm há uma urgência em inquietar as consciências sobre as injustiças de hoje e a importância em lhes pôr cobro.
Nesse sentido o poema de João Apolinário, que Luís Cília cantava há meio século, continua a fazer todo o sentido: é mesmo preciso avisar toda a gente! Tanto mais que os defensores das injustiças de hoje têm por si as televisões, os jornais, as rádios e também não deixam de ocupar espaço nestas paredes e muros contemporâneos que são as páginas nas redes sociais.
É por isso que importa escrever muito, partilhar ainda mais este tipo de mensagens, de forma a impelir cada vez mais gente a indignar-se, a querer apressar a mudança.
A prosseguir neste crescimento dos últimos meses, que o leva a ser visitado por quase cinquenta mil pessoas por mês, o blogue «Ventos Semeados» alcançará o meio milhão de visualizações em julho.  E atingirá o milhão no primeiro semestre de 2017.
Ele continuará a ser um veículo persistente para conseguir levar por diante o Tempo Novo, que Sampaio da Nóvoa e António Costa anunciaram no ano passado e hoje traduzida na Geringonça. Que funciona, funciona mesmo!

1 comentário:

  1. Jorge, se me permites, uma adenda ao teu belo e inquietante texto, trata-se de "casares" a canção de Cília com um uma canção de José Mário Branco, concretamente: Inquietação.

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