terça-feira, 17 de maio de 2016

Razões para elogiar José Sócrates

A verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima!
Nunca em democracia se viu um assassinato político como o que a direita, cumpliciada com o Ministério Público e o grupo Cofina, tem intentado cometer relativamente a José Sócrates. Se julgávamos que os limites da infâmia tinham sido alcançados com a destruição da carreira política de um dos mais esperançosos políticos da sua geração - Paulo Pedroso - ainda tínhamos de assistir a toda a sucessão de canalhices, que ostracizaram o antigo primeiro-ministro.
E, no entanto, os acontecimentos vão dando razão ao carácter visionário de muitas das suas políticas implementadas entre 2005 e 2011. Só nos dias mais recentes foram duas as ocasiões para comprovar o quanto estava certo ao avançar para dois investimentos da maior importância. O primeiro foi o túnel do Marão, que permitiu vencer as barreiras físicas que se colocavam à rapidez e segurança nas comunicações rodoviárias entre Trás-os-Montes e o litoral do Norte do País.
Se não será esta obra a, por si só, alavancar a recuperação económica, social e demográfica dessa região desertificada, também será verdade que, sem ela, não farão sentido as estratégias complementares que a tornem possível.
A outra confirmação proveio dos quatro dias consecutivos em que o país esteve a consumir eletricidade exclusivamente com utilização de fontes renováveis. Tendo em conta a necessidade económica e ambiental de reduzir a dependência dos hidrocarbonetos, quem contestará a responsabilidade de José Sócrates nessa reorientação do país?
Quando será devidamente apreciado pelo salto qualitativo, que conseguiria possibilitar ao país se a crise dos subprimes não o tivesse cerceado, quando já se lhe adivinhavam os efeitos positivos?
Por agora isso parece ser coisa de somenos para os que insistem num chorrilho de acusações sem conseguirem apresentar a mínima prova. A História tenderá a reduzi-los ao anonimato dos que nada fizeram e tudo quiseram obstar. A mesma que reconduzirá Sócrates à efetiva dimensão que, mesmo com muitos erros - mas só os evita quem nada faz! - representou a sua governação!

2 comentários:

  1. Caro "Ventos Semeados",
    Não será nunca apenas uma obra, embora da envergadura do "Túnel do Marão", que vai deixar "a marca" na obra de José Sócrates PM. Isso acontece com gente sem estatura nem visão de Estado e muito menos de futuro que sabem destruir e não construir, que nunca engrandecem em nada e só empequenam tudo em que tocam, que à falta de pensamento e ideias novas se refugiam no passado que endeusam e mitificam na tentativa de parar o tempo e o mundo. Para estes de qualidades básicas qualquer chafariz ou chafarica, como inaugurar a queijaria do amigo do amigo corrupto, já é tomada como "obra de regime" quando não passa de um grande e inqualificável frete partidário.
    Este nunca foi ou será o caso de homens de vistas largas e pensamento fundado e certeiro sobre o futuro e por isso, nunca uma única obra sua chega para ser "marca" dada a proliferação de "marcas" deixadas no seu período governativo
    E todas altamente importantes para o futuro do país. Pois se o "Túnel do Marão" é importante, se as energias renováveis são importantes, se o plano aeronáutico era importante, se o plano da mobilidade eléctrica era importante, se as novas oportunidades e o simplex eram importantes também o eram, em grande, a aposta nas ciências e conhecimento que eram a envolvente necessária para criar uma caminhada com pés e cabeça em bases sólidas.
    Mas muito importante foi também a coragem e visão de pegar e relançar o Alqueva. A tal obra que os meninos sem vida do do cds chamavam novo "elefante branco" e que mal chegados ao poder o velhaco portas e a menina bébé cristas passaram a designar de "petróleo verde" quando lá iam e deixavam entender ao povão que aquilo fora obra sua à semelhança do que fazia com os negócios na Venezuela, médio oriente ou China.
    Os que continuam querendo malevolamente enterrar Sócrates só revelam que já sentiram que perderam a batalha histórica e que figurarão como nódoas negras na nossa História. Afanam-se em querer ver o homem amedrontado, calado, amordaçado e "vivo-morto". E com a mesma visão de futuro com que enfrentou o desenvolvimento do país enfrenta os que, com poder inescrutinável, se julgam com poder de destruir a coragem e vontade dos homens fortes.
    Todos os acusadores directos e os acusadores fingidos sob os argumentos morais do "pôs-se a jeito" e derivados, podem contar que um dia serão os acusados pela grande massa do povo quando, nesse dia, souberem a verdade e se sentirem enganados.

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  2. A História costuma ser feita pelos vencedores na primeira fase, e depois vir ao cimo e espelhar então a verdade.
    É a sucessão das gerações que a desenterra. Quem não viveu as paixões cegueiras, quem não envenenou as verdades com ódio ou amor exacerbado, com preconceito, quem não se deixou levar pelo convencimento descobre com facilidade que nunca houve nenhum milagre das rosas e que sol nunca dançou em louvor de uma senhora milagrosa. Sócrates e Pedroso foram queimados por uma máquina tenebrosa que não hesitou perante coisa alguma, meter gente na prisão, espalhar campanhas de calúnias, contornar os factos e inventar outros levando (quase) toda a gente na procissão do apredajemento público.
    Contudo.... e pur si muove... e mais cedo do que tarde, os que chamavam ao investimento em energias alternativas um elefante branco e um disparate, estão agora muito calados. Portugal produziu pela primeira vez excedentes energéticos durante quatro dias! Uma grande notícia que vale muitos milhões de euros, mas quantas linhas mereceu de destaque? 0! Bola, como diria o outro que joga Ferraris com os pés.
    Mas para a História, não para as estórias, ficará que houve um homem que teve a visão e apostou nela. E ficará como foi acusados pelos fariseus e injustiçado pelos seus, crucificado e reduzido a nada. Mas é também das escrituras que três dias depois de morto ressuscitou. E já vamos no segundo....

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