domingo, 13 de março de 2016

As sondagens e a crise da direita

Sem surpresas as sondagens começam a dar à direita a confirmação dos seus piores receios: que a «geringonça» funciona mesmo condenando-a a duradoura irrelevância 
Durante umas semanas a virulência ressabiada de Passos Coelho e Paulo Portas conseguiu manter a fervura dos seus eleitores numa temperatura ainda próxima da ebulição, tanto mais que a comunicação social andou proclamou ad nauseam  o PàF como a força vencedora das eleições.
Desde então, e a pretexto das disputas internas, quer eles, quer Assunção Cristas tiveram lugar reservado na maioria dos telejornais e fizeram crer que continuavam a contar para alguma coisa no futuro xadrez político nacional. Terá sido o derradeiro alento do moribundo antes de exalar o último suspiro!
O futuro que se adivinha para ambas as lideranças da direita não é promissor. Conhece-se bem a velha regra da política em como, após um longo período de liderança de uma personalidade relevante para as respetivas hostes, os sucessores nunca conseguem superar o estigma de mero condutor da transição.
Entre o Passos Coelho, líder da Oposição e o Passos Coelho primeiro-ministro existem óbvias diferenças, que fazem dele, apesar de parecer o mesmo, duas pessoas completamente diferentes. Se o dos anos anteriores era carismático no seu autoritarismo cego, o de 2016 anuncia-se encurvado, precocemente envelhecido e abúlico.
O líder de transição que ele hoje é não augura nada de bom para quem lhe seguirá: é que o PSD virou tão à direita, que arrisca-se a competir com o CDS pelo mesmo eleitorado, retrógrado nos valores e friedmaniano nas questões económicas, deixando o eleitorado do centro cada vez mais distante.
Quanto a Assunção Cristas este Congresso tem sido elucidativo: as reviravoltas de haver ou não haver listas únicas aos órgãos nacionais já prenuncia uma permanente luta no galinheiro para aferir quem se conseguirá manter no poleiro.
António Costa tenderá a consolidar o apoio às suas políticas tornando inquestionável a legitimidade do Governo, mas terá de enfrentar doravante um tipo de contestação diferente da perspetivável: depois dos suinicultores, anunciam-se protestos dos produtores de leite e das empresas transportadoras como expressão de uma direita politicamente manietada, mas capaz de manobrar clandestinamente as associações patronais de forma a criar uma atmosfera de caos social.
Depois do flop desta sexta-feira, quando a paralisia da 2ª Circular se virou contra os próprios patrocinadores da iniciativa, as próximas serão mais inteligentes e convirá que os ministros visados voltem a demonstrar a sagacidade de Capoulas Santos. É que, apesar de derrotada, a direita continua a ser letal nos seus assomos de desespero e obrigará a ter disponíveis os antídotos mais eficazes...


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