quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Uma outra maneira de fazer política

A entrevista com António Sampaio da Nóvoa, transmitida ontem pela SIC, só durou 23 minutos, mas foi mais do que bastante para demonstrar aos espectadores ainda desatentos quanto à sua personalidade, o discurso cativante, confiante e esperançoso do futuro Presidente da República.
Como se esperaria da estação de Balsemão, os jornalistas não estavam ali para facilitar a vida ao entrevistado, mas agilmente ele livrou-se das armadilhas da «política politiqueira» com que o queriam enredar sobressaindo o essencial da sua carta de princípios.
Logo à partida Anselmo Crespo procurou a via da desestabilização com uma pergunta, que poderia ter derivado para terrenos pouco propícios à postura ética do candidato: se teria avançado acaso soubesse da falta de apoio oficial do Partido Socialista e de Maria de Belém ter, por seu lado, também avançado.
A resposta foi secante: claro que avançaria porque sentiu-se motivado por uma necessidade interior em dar tudo por um Portugal, que estava cada vez mais fraturado e a regressar ao Portugal de antigamente com que não se podia resignar.
Quando Crespo e Clara de Sousa quiseram lançar cenários hipotéticos (“o que decidiria se…”) ou entrar pelo lado da coscuvilhice (“António Costa prometeu-lhe alguma coisa?”), foram logo postos na ordem em nome da sensatez ou da escusa em confirmar palpites entretanto emitidos pelos jornais e ali rebatidos. Pelo contrário, Nóvoa reiterou a caracteristica independente da sua candidatura, imparcial e exógena em relação aos partidos, capaz de receber apoios de todos os partidos de esquerda, e não só, porque também representa setores sociais e culturais não diretamente a ela vinculados..
Quando insistiram no tom, a resposta foi elegante, mas sem contemplações: “não venho aqui em nome de tricas políticas, em nome de intrigas, em nome de ajustes de contas partidárias, não venho em nome da política do mesmo. (…) Venho em nome de outra maneira de estar na política, numa outra maneira de participar no futuro de Portugal – do país da Educação, do Conhecimento, da Cultura. Do país que leva tudo isso para a Economia e para a sociedade. De um país que leva tudo isso para a livre iniciativa das pessoas, das instituições e das empresas.” 

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