segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Se eles forem quem não são...

Embora possa haver quem não achasse que existissem razões para tal, a garrafa de espumante guardada no frigorífico destinada a celebrar a vitória do PS,  já está vazia, porque não deixei de encontrar motivo bastante para, neste 5 de outubro, congratular-me com a derrota efetiva da coligação da Direita.
Vamos por partes: os sorrisos de passos coelho e de paulo portas na noite de ontem fizeram-me lembrar uma velha anedota do Juca Chaves em que, a respeito das hienas, se questionava a motivação delas para rirem.
Porque, por uma vez, temos de concordar com alberto joão jardim, que prevê dois anos difíceis para a coligação, condenada a ser fritada em lume brando. Isto se, ao contrário do que surgem as notícias, os seguristas não se revelarem, além de mesquinhos, arrivistas, intriguistas e medíocres - o que já se sabia ser a sua natureza intrínseca! - completamente estúpidos.
Alguém acredita na possibilidade de António José Seguro ter conseguido melhor resultado, que António Costa? A conjugação de estratégias eficazmente utilizadas pelos marketeiros da direita para conseguirem minimizar a dimensão da sua derrota (não foram eles quem perderam trinta deputados?)  fariam de Seguro um autêntico menino de coro, depressa assoberbado com a sua falta de ideias e com a eterna questão de se saber qual seria a pressa para as apresentar.
Não! António Costa e a maioria dos militantes e simpatizantes socialistas excederam-se em esforços para convencer os eleitores dos benefícios inerentes à implementação da Agenda para a Década.
Só não foram bem sucedidos, porque a imprensa conseguiu impor Sócrates na agenda política durante meses a fio, dando-o como culpado de inacreditáveis vilanias que nenhum rosário teixeira ou carlos alexandre alguma vez conseguirão comprovar.
A desarticulação próxima dos argumentos da acusação e a efetiva demonstração da inocência do antigo primeiro-ministro será um dos momentos em que a coligação começará, de facto, a ser fritada.
Depois, houve todo o arsenal de mentiras de que a comunicação social se fez porta-voz. Como combater televisões, rádios e jornais, que serviram de altifalante a sucessivas manipulações de indicadores económicos e de contínua evocação da responsabilidade de quem, supostamente, teria querido a vinda da troika?
O segundo momento em que a coligação de direita está condenada a ser fritada prolongar-se-á no tempo durante os próximos meses, quando se comprovar que, afinal, o desemprego não desce, que a dívida só sobe e as exportações estagnam. E, sobretudo, que o Novo Banco trará, efetivamente novos custos para os contribuintes.
Mascarar a realidade até às eleições foi um passe de mágica que não aguenta muito tempo sem se estiolar. E, depois de esgotado o argumento da “pesada herança” de 2011 a direita já poucos convencerá com a sua repetição.
É por isso que fez todo o sentido comemorar a derrota da direita, que começou com a perda da sua maioria absoluta e prosseguirá com a sua incapacidade para aquilo de que nunca foi capaz: governar numa lógica de concertação com as oposições. É que passos coelho e paulo portas têm no ADN os genes dos corifeus da antiga União Nacional, que só conseguiam conceber a governação como uma manifestação constante do quero, posso e mando. E, quando as coisas se começarem verdadeiramente a complicar - nomeadamente com a eleição do Presidente da Assembleia da República ou com a criação de comissões parlamentares capazes de questionarem as razões de tantas privatizações e tantos ajustes diretos - paulo portas sentirá a velha tentação do escorpião, que morde o sapo em que se acoitou e começa a dar provas de não ter fôlego para chegar à margem.
Mas, tudo isto se os seguristas decidirem ser afinal quem não são! 

1 comentário:

  1. Com todo o respeito, culpar os outros sem reconhecer os próprios erros é uma demonstração de falta de discernimento quase infantil. Há que dizer que a campanha do PS demonstrou uma chocante falta de preparação e profissionalismo (a história dos cartazes foi apenas um dos episódios), com um discurso de campanha ininteligível, demonstrando uma total incapacidade para desmontar a narrativa simples e intuitiva dos PaFs. Acresce a isto (que já é bastante) a total ausência de renovação geracional patenteada pelo PS (basta rever as imagens da noite eleitoral no Altis), a concentração quase exclusiva da campanha em A Costa - que manifestamente não é um orador exímio - ignorando figuras provavelmente mais bem preparadas para discutir áreas de especialidade. Ignorar este juízo crítico é condenar o PS a repetir estes erros com resultados ainda mais negativos

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