quarta-feira, 4 de junho de 2014

POLÍTICA: A última bravata de um general!

Tenho aqui expressado um inequívoco apoio a António Costa, desejando que, a muito curto prazo, o veja como secretário-geral do Partido Socialista e primeiro-ministro de Portugal.
Num primeiro momento, depois da sua declaração da disponibilidade para se candidatar a essas responsabilidades, ainda acreditei que António José Seguro tivesse suficiente desapego do poder para se apressar à convocação do Congresso Extraordinário. Aí, se a sensatez prevalecesse na sua cabeça, afastar-se-ia sem mágoas, humildemente reconhecendo que não conseguira estar à altura dos objetivos a que se propusera: atrair o apoio da maioria dos portugueses para levar por diante a reconstrução de tudo quanto a direita destruiu ao longo destes três anos.
Mas, admitindo que não estaria totalmente convencido dessa evidência explicitada pelos resultados nas eleições europeias, até poria a hipótese de o ver bater-se com António Costa para aferir se mereceria ou não o aval dos militantes para renovar o seu contestado desempenho.
Lamentavelmente não foi esse o caminho, que decidiu tomar e, como tal, não hesitou em pôr em sério risco o futuro dos portugueses. Aquilo que designou como a sua “dignidade” mais não é do que uma absurda petulância, só explicável pela inaceitabilidade do fracasso, só a seus olhos, traduzível em grande vitória.
Explicam-se assim as manobras ensaiadas na Comissão nacional do Vimeiro com a conivência de Maria de Belém: propor alternativas dilatórias, que possam adiar o mais possível o inevitável enterro do seu ciclo de liderança. Aquilo que deveria ser um processo rápido e transparente, capaz de voltar a conferir ao Partido uma nova pujança, arrisca-se - por mero egoísmo pessoal de Seguro e dos seus apoiantes - a constituir um longo e doloroso crepúsculo.
Tudo isto tem-me levado a crer - e aqui o escrevi nos últimos dias! - que os verdadeiros donos do Partido (os seus militantes) não iriam permitir tal degenerescência num património com mais de quatro décadas. E os factos aí estão a darem-me razão: a reunião desta noite em Setúbal, convocada por um grupo de militantes de base em menos de vinte e quatro horas, contou com mais de duas centenas e meia de presenças, sendo pequena a sala para tanta vontade de mudar o rumo das coisas.
Mais: a presença de vários líderes concelhios demonstrou à saciedade o quanto a Presidente da Distrital se precipitara na semana transata a colocar o distrito na trincheira de António José Seguro. Hoje ficou mais do que demonstrado, que Setúbal está com António Costa!
Por isso vim ainda mais otimista do que já estava quando me dirigi para tal reunião: a revolta genuína dos militantes com o comportamento irresponsável da atual Direção é de tal dimensão, que a convocação do Congresso tem de facto ser concretizada no mais curto prazo possível.
Se o exemplo de Setúbal estiver a ser replicado pelo resto do País, como as notícias já começam paulatinamente a confirmar, depressa António José Seguro irá concluir que pode manter as insígnias de general, mas já poucos soldados acolitá-lo-ão na sua derradeira bravata!
Vem aí, de facto, outro carreiro!


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