sábado, 3 de maio de 2014

POLÍTICA: Mentiras, mentiras … e ainda mais mentiras!

Na semana passada, numa entrevista a Irene Pimentel no canal Q, a historiadora explicava a insólita durabilidade da ditadura salazarista pelo facto de ter contado com o apoio ativo das Forças Armadas e da Igreja Católica durante quase toda a sua existência. Foi preciso que a derrota militar iminente na Guiné-Bissau e a consciência de um corporativismo apenas orientado para a satisfação dos interesses dos patrões, levasse os militares e os católicos a iniciarem o processo de distanciamento, que culminaria no 25 de abril.
Não querendo aqui fazer comparações estapafúrdias à la montenegro que nos levaria a comparar estes três anos de (des)governação ao salazarismo - por muito lícitas que pareçam algumas semelhanças! -, podemos sempre interrogarmo-nos sobre o que consegue manter este atual estado de coisas sem uma grande contestação social.
É claro que há sempre que contar com o peso do apoio de cavaco silva e da mesma Igreja Católica, seja através do finado policarpo, seja mais recentemente com o seu (in)clemente patriarca, numa certa abulia coletiva. Mas são tantos os ataques aos reformados, aos funcionários públicos, aos jovens e à generalidade da classe média, associados às mais despudoradas e revoltantes mentiras de ministros, secretários de estado, deputados e outros meliantes conotados com esta direita ideológica, que parece reservado para os historiadores vindouros a explicação para reação tão branda, como se os portugueses de hoje continuassem a fazer jus ao elogio do ditador do passado, que os dizia brandos, para não os designar mesmo como mansos.
Porventura chegar-se-á à conclusão, que o suporte ontem primordial das Forças Armadas - entretanto neutralizado com a sua profissionalização! - passou a ser desempenhado pela contínua ação de propaganda da generalidade da imprensa. De facto, nas últimas semanas, os jornais da área económica têm-se mostrado descaradamente alinhados com a estratégia comunicacional do governo replicando as mistificações concebidas pelos poiares, pelos lombas e pelos maçães, que não devem ocupar-se noutra coisa senão em inventar e disseminar a sua bateria de falácias.
Mas, mesmo sem ser nessa imprensa “especializada” essa ação é permanente e insuspeita. Veja-se a forma como ricardo costa tentou ontem no «Expresso da Meia-Noite» da SIC Notícias cortar a palavra ou fomentar a confusão, sempre que o economista Ricardo Pais Mamede denunciava as falsidades espalhadas nas últimas semanas a propósito do famigerado DEO e agora esclarecidas com o conhecimento de tal documento.
Decerto cientes de como o discurso de passos coelho, paulo portas ou marilu albuquerque não cola com a realidade - quem acredita que os aumentos no IVA ou na TSU não correspondem efetivamente a novos impostos? - os mais encapotados apoiantes da coligação vão-se mostrando menos habilidosos a ostentar a sua suposta objetividade. Lembram aqueles inocentes crentes de duvidosos milagres sempre prontos a afiançarem as maiores falsidades para não verem ruir toda a sua forma de ver e analisar a realidade á sua volta.
Se esta hipótese se mostrar fundamentada, e por muito que os patrões dos jornais e das televisões deem indicações expressas para que se continue a lançar a nuvem de fumo por trás da qual se vai impondo a sórdida realidade de três anos de destruição dos direitos constitucionais, haverão decerto jornalistas briosos da sua dignidade que dirão basta e, diretamente, ou através dos artifícios que os seus antecessores inventaram durante o fascismo para contornar a censura, denunciarão com força crescente a indisfarçável revolta, que só espera por uma imprevisível faísca para se converter em algo a acontecer…
Quem poderá acreditar que tão vasto chorrilho de mentiras conseguirá aguentar-se perante a ruidosa evidência da sua completa desarticulação?


1 comentário:

  1. Se somarmos ao escreve um outro aspeto comunicacional, temos o quadro perfeito:
    A barragem completa ao SG do PS. É mesmo pessoal, não há entrevista desde 9/2013; entretanto sempre que havia alguma hipótese de valorizar /repetir até à exaustão qualquer "dissidência" ; repetir Semedo, Catarina, Jerónimo é garantido; diretos de Seguro só do parlamento; outros diretos em 2014 acabaram, no dia 11/4 no ISEG estando presentes 4 câmaras e vários jornalistas estagiários preparados apenas para o circo final, não transmitiram nada em direto e no fim não tiveram circo. Interessante porque esse dia todo o dia deram o comício do Cavaco, Durão e &. É tão vergonhoso como o papel dos comentadores, mas complementar.

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