segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

POLÍTICA: como tudo seria bem mais fácil se...

Olha-se para a espuma dos dias trazida pelas notícias de jornais e de televisões e é lícito fazer o exercício do que perdurará para além deste breve instante em que elas parecem tão determinantes no nosso quotidiano.
Uma primeira constatação a fazer é a da preocupação dos donos dos meios de informação em afastarem os leitores e espectadores do debate sobre o que mais lhes deveria interessar: quais as razões verdadeiras (ou seja, sem narrativas) do que esteve na origem da crise, que nos assola, e como poderemos sair dela com sustentabilidade para reatarmos o projeto de desenvolvimento imaginado, há quarenta anos, por muitos dos que trataram de devolver o país à dignidade da vivência democrática.
Em vez de cuidarem de fazerem de tais requisitos o cerne da sua atividade informativa, dão-nos horas de imagens e páginas de jornal pejadinhas das mesmas banalidades do costume sobre o mau tempo (se fosse verão eram os incêndios “dantescos”!) e os estragos por eles provocados.
Que oportuna foi a vinda da «Stephanie», quando a telenovela das praxes e do que ocorreu no Meco já se estava a esgotar!
Imagina-se bem a angústia dos diretores de informação perante a ausência de matéria palpitante para continuar a distrair os portugueses da verdadeira dimensão do desemprego (não a dos mentirosos números “oficiais”)  e do desespero de tantas famílias obrigadas a despedirem-se de muitos dos seus filhos, pais, irmãos e outros familiares próximos, obrigados a procurarem noutras latitudes o direito ao trabalho, que a Constituição lhes deveria garantir. Ou também o que é a realidade trágica de muitos dos que partiram e estão a sobreviver como sem abrigo nas estações de comboio ou de autocarros de muitas das metrópoles europeias ou a morrerem anonimamente sem as famílias sequer saberem o que deles é feito.
É claro que esses donos dos meios de informação poderão sempre contar com os medinascarreiras, os césaresdasneves, os marquesmendes ou os marcelosrebelosdesousa para procurarem travestir a realidade de formas, que ela cada vez mais recusa aparentar. Ou com um patriarca, que intuiu como missão vir a ser o novo cerejeira desta direita indigna, sem ligar aos novos ares vindos do Vaticano..
Pode-lhes valer, é certo, um tózé, que desespera socialistas honestos, incapazes de conseguirem encontrar nexo em coisas tão abstrusas como a de tribunais específicos para investidores estrangeiros. Ou toda a restante esquerda, que continua sem nada aprender e a estilhaçar-se sem inteligência nem sensatez.
Resta, porém, uma sólida convicção: se cavaco silva, passos coelho e paulo portas andam a querer impor um Portugal tão às avessas do que verdadeiramente necessitam os portugueses, nem com os tiros nos pés dos adversários se poderão livrar da humilhação histórica, que merecem.
Como tudo seria bem mais fácil com um líder socialista à altura das circunstâncias e com uma esquerda comunista e bloquista capaz de entender a importância de uma conjugação em torno dos mínimos denominadores comuns...



3 comentários:

  1. Subscrevo com vírgulas e tudo. Partilhei no Facebook.

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  2. Texto perfeito. Permito-me sublinhar a desilusão que foi o actual patriarca.

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  3. Poucos lerão este escrito e é pena. Vá por essas ruas e veja quem palpita nelas, são pessoas à procura de comer por menos dinheiro com medo que lho roubem, não basta o roubo fiscal, já é preciso contar com o roubo dos que andam por aí a roubar o cidadão na rua e em casa. Por essas ruas com estabelecimentos fechados e sem hipótese de serem arrendados. A política subtraiu-os da economia, mas continuam a pagar impostos, alguns à espera dum perdão fiscal daqui a quatro anos, certamente. Quem lê e sabe do que se passa. O comum cidadão que já passa frio por não poder pagar o custo da electricidade? Claro que era preciso encontrar esses denominadores comuns, como diz o esclarecido autor deste artigo, mas ninguém os procura, a política não é para este povo, nem para estes governantes (são todos iguais). Não aparece um que seja digno de encarnar as virtudes duma boa senda. Uma missão de verdadeira mudança com base na ética do trabalho. Importa é ganhar eleições olhando cada um para o seu umbigo. Chegamos ao cúmulo de ter de pôr tudo em questão e não vislumbrarmos nenhuma saída para esta crise imposta pelas Finanças mundiais, a estadundiense, a europeia e a nacional. Estão todas interligadas. E nós não somos ninguém para alterar este estado de coisas, vamos vendendo a Pátria quotidianamente. Assistindo com estupor, pena e dor ao filme e olhando na TV mais um jogo de futebol.

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