quinta-feira, 5 de setembro de 2013

FILME: «O Ovo da Serpente» de Ingmar Bergman (1977)

Há trinta e seis anos atrás a condição de embarcadiço em petroleiros, que cirandavam entre os portos nacionais e os do Golfo Pérsico, inviabilizaram a possibilidade de ver «O Ovo da Serpente», quando ele se estreou no Londres.
No entanto, e apesar de ainda ter presentes tantos filmes admiráveis assinados pelo realizador sueco  - desde «O Sétimo Selo» a «Persona», de «Morangos Silvestres» a «Lágrimas e Suspiros» (só para citar os melhores) - foi sem lamentos que passei ao lado deste filme, já que a crítica era unânime em considerar uma obra fora do baralho habitual do realizador sueco. Por um lado, porque o universo criativo de Bergman não se coadunava com as grandes produções e por outro justificava-se o distanciamento ético de não mostrar complacência com um confessado foragido fiscal.
Ainda assim a sua descoberta, agora propiciada numa das sessões diárias da Cinemateca, confirma o que, fomos concluindo desde então: mesmo quando não se trata de um dos seus títulos de referência, qualquer filme de Bergman é obra de justificável atenção.
«O Ovo da Serpente» é passado em 1923, quando Hitler tenta chegar ao poder através de um golpe de estado. Faltarão ainda dez anos para que Hindenburg o convide a formar governo, mas o nazismo já é bem palpável na sociedade alemã: graças á miséria e à total ausência de esperança num futuro melhor, erigem-se os judeus como bodes expiatórios. E, perante a passividade da polícia, eles são perseguidos, agredidos e assassinados.
Nesse ambiente terrível um casal procura sobreviver, mas são múltiplas as armadilhas em que cai. A mais tenebrosa é personificada na megalomania de um Dr. Mengele, já conquistado para a ideia de uma sociedade composta por gente superior.
Ainda seria tempo para esmagar o ovo e impedir o réptil de se transformar numa máquina de morte. Mas o medo tolhe as consciências e a roda da História movimenta-se para o pior dos cenários...



1 comentário:

  1. A serpente só foi ferida de morte em Estalinegrado e a que custo,todos nos lembramos.Só o esquece quem quer...

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